Capítulo 4 - Verdades Ocultas

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Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Qui Dez 10, 2015 8:37 pm

A pequena esperança que Antonella tinha no sobrinho se evaporou como água em ebulição quando a loira chegou diante da boate de Pietro. Era a noite de inauguração, então era esperado que o estabelecimento cometesse alguns excessos para chamar a atenção dos clientes. Mas o que a loira viu foi um desperdício infindável de dinheiro.

Enquanto rodadas e mais rodadas de bebidas eram distribuídas gratuitamente pelo amplo salão, Antonella deu graças aos céus por Lorenzo não ter aceitado o convite para a festa de inauguração da boate do filho. O mafioso certamente terminaria a noite infartado num hospital se visse o fiasco da administração de Pietro e o dinheiro escorrendo pelo ralo nos quatro cantos do estabelecimento.

Era um ambiente típico de jovens. Antonella fez uma breve careta para a música eletrônica alta, para a pista de dança lotada e iluminada com luzes coloridas e fumaça. Se ela estava ali era unicamente para prestigiar o sobrinho, visto que Lorenzo se recusara a tomar parte daquela bagunça e Enzo fora intimado a participar da festa de aniversário do sogro naquela noite.

Antonella e Isadora chegaram juntas, acompanhadas por Salvatore. O chefe dos seguranças retornara às funções há poucos dias, já totalmente recuperado do último “acidente”. Normalmente era de Romeo a função de “sombra” da jovem Romazzini, mas naquela noite Pietro havia pedido ao pai que desse uma folga ao segurança particular de Isadora. O dono da boate queria que Romeo fosse como um amigo e que se divertisse, o que fatalmente não conseguiria fazer no papel de segurança.

A irmã de Lorenzo se sentiu grata a todos os anjos quando encontrou uma mesa vazia, relativamente distante da confusão da pista de dança. Isadora se sentou junto com a tia e Antonella interpretou mal a ansiedade refletida nos olhos da sobrinha, que buscavam insistentemente por alguém no meio da multidão.

- Eu também não vi o Pietro. Mas não duvido que ele tenha deixado de lado as obrigações para se divertir em algum canto da boate.

Antonella respirou fundo e soltou o ar demoradamente pela boca. O som alto a obrigava a falar num volume mais elevado, o que já deixava sua garganta dolorida e seu humor ainda mais instável.

- Ainda bem que o seu pai não veio. Ele teria um ataque se visse isso! Pelo pouco que entendo de negócios, não dou um ou dois meses para que as portas deste lugar estejam fechadas! O Pietro não tem um pingo de juízo!

Como se fosse uma entidade, Pietro surgiu invocado pela menção do seu nome. Antonella chegou a dar um pulinho na cadeira, assustada ao ser agarrada por trás. Ela relaxou ao reconhecer o sobrinho, mas logo seu semblante ficou carregado como uma tempestade. Pietro estava visivelmente embriagado.

- Tiiiiiiaaaaaaa! Gordiiiiiinhaaaa! Salvatoooooreeee! Vocês vieraaaaam!

Pietro tropeçou nas próprias pernas quando tentou dar mais um passo e lançou um olhar zangado ao chão, como se procurasse alguma coisa que justificasse o tropeção. Ao ver apenas os dois pés, ele soltou uma risada débil e voltou a encarar os recém chegados.

- O que vocês querem beber? Hoje é tuuuuuudo por minha conta!

- Estou vendo. – Antonella sacudiu a cabeça em negativa – Pietro, isso não vai dar certo! QUALQUER UM consegue ver que isso não vai dar certo!

- Tia. – apesar da embriaguez, Pietro conseguiu assumir um ar mais sério – Não começa. A última coisa que preciso é que você assuma o papel do papà. É uma noite de festa, está tudo sob controle! Divirta-se, vigie a gordinha para que ela não traia o namorado e deixe o resto comigo?

A loira lançou um olhar confuso para Isadora quando Pietro mencionou um namorado. O rapaz estava bastante bêbado, mas a forma como a garota corou e desviou o olhar deu à tia a certeza de que havia um fundo de verdade naquela história. Antonella acabou concluindo que era algum rolo da faculdade ou algum amigo em comum. Nem em mil anos Antonella imaginaria que, além de sobrinha, Isadora estava ocupando o posto de sua nora.

Quando Romeo chegou à boate, o salão já estava lotado. Ele conseguiu entrar graças ao convite especial recebido de Pietro, mas o clima abafado quase fez com que o segurança desistisse. Campanaro só não deu meia volta por causa de Isadora. Ele jamais deixaria Isadora sozinha ali, como uma presa fácil disponível para um bando de gaviões famintos.

Encontrá-la no meio daquela multidão era um enorme desafio. Como sabia que a garota estava acompanhada pela tia, não havia a possibilidade de ligar ou mandar uma mensagem sem correr riscos.

No fim das contas, o detalhe que ajudou Romeo acabou sendo Salvatore. O enorme segurança era uma figura fácil de ser reconhecida e os olhos azuis escuros logo o avistaram parado num ponto menos movimentado do salão. Se Salvatore estava ali, Isadora certamente não deveria estar longe.

Com alguma dificuldade, Romeo começou a abrir espaço entre as pessoas que transitavam e dançavam no salão. É claro que ele não poderia saciar o desejo de passar aquela noite com Isadora, mas já seria suficientemente reconfortante vê-la.

A tórrida noite de amor na cama da menina já completava dez dias e desde então, para completo desespero de ambos, uma nova oportunidade não havia surgido. Lorenzo decidira acompanhar os treinamentos da filha e Antonella sempre inventava desculpas para pegar carona no carro de Campanaro. Romeo estava prestes a subir pelas paredes por causa daquela sucessão de imprevistos que o impediam de ter Isadora em seus braços novamente.

Enquanto o segurança andava pelo salão, era notável que Romeo poderia terminar a noite com praticamente todas as mulheres dali. Era raro que ele não fosse seguido por olhares femininos por onde passasse, todas interessadas naquela figura que se destacava facilmente na multidão.

Naquela noite, Campanaro usava uma calça jeans preta e sapatos mais informais. A camisa azul escura tinha mangas compridas, mas o ambiente abafado obrigou Romeo a dobrar as mangas até a altura do cotovelo, o que somente realçou o contorno dos músculos nos braços do segurança. Os cabelos estavam bem penteados e parecia que o rapaz havia cortado os fios naquele dia, mas nem o tamanho mais curto impedia que alguns cachos teimosos se formassem.

Foi difícil conter um sorriso ao avistar Isadora. Ela parecia um pouco ansiosa, mas olhava na direção oposta, como se esperasse que Romeo surgisse do outro lado.

Como já era de se esperar, Salvatore foi o primeiro a notar a aproximação do colega. Os dois se cumprimentaram com um meio sorriso e o chefe dos seguranças imaginava que Romeo apenas teria a delicadeza de cumprimentar as patroas, sem segundas intenções.

Usando como desculpa perfeita a música alta, o segurança se inclinou para falar bem próximo ao ouvido da menina.

- Isadora.

O nome dela foi articulado naquela entonação gostosa e Romeo teve que conter o riso diante do susto da garota. Quando Isadora se virou na direção dele, Antonella também foi atraída pelo movimento da sobrinha, o que obrigou Campanaro a reassumir uma postura formal.

- Boa noite, signora. A festa está...

Romeo olhou ao redor, sem encontrar boas palavras para descrever aquele espetáculo bem típico de Pietro.

- ...ridiculamente exagerada e condenada ao fracasso – Antonella completou pelo rapaz.

A expressão e o silêncio de Romeo mostravam que ele concordava com a loira. Definitivamente, Pietro não iria longe se continuasse naquele ritmo.

Antonella soltou mais um suspiro antes de afastar os problemas da mente e se concentrar na imagem a sua frente. Foi impossível conter um sorriso diante do filho. Romeo era mais perfeito do que ela sequer imaginara sonhar antes de conhecê-lo.

- As signoras precisam de alguma coisa?

- É seu dia de folga, querido. Preciso que se divirta. – Antonella abriu um sorriso carinhoso, bem típico de uma mãe orgulhosa – Aposto que não veio tão bonito assim para perder a sua noite nos vigiando...
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Sex Dez 11, 2015 6:45 pm

Dez dias tinham se passado desde que Isadora se entregara à Romeo e, como uma punição do destino pelo pecado que eles cometeram, eles não conseguiram ter nem ao menos um segundo de privacidade. Parecia que todos estavam conspirando para mantê-los afastados, quase como se eles tivessem deixado alguma ponta solta, de modo que ficou perceptível que havia algo a mais entre eles.

Isadora tentava parar de pensar nisso, mas a tarefa tornava-se impossível quando ela deitava na cama que os dois tinham feito amor pela primeira vez.

Pelo menos as atividades do dia-a-dia a mantinham um pouco mais ocupada e a inauguração da boate de Pietro era um evento importante. Apesar da implicância do irmão, ela esperava que tudo desse certo.

Seu desejo ruiu quando ela chegou à festa e viu o mesmo que a tia e Salvatore. Ela não era uma administradora, mas era perceptível para qualquer um, que não tinha como aquele negocio de manter. Parecia mais uma festa onde Pietro teria todo o ônus. As pessoas podiam se divertir, mas o irmão continuaria pobre.

- Dio mio...

Foi o comentário de Isa enquanto procuravam por uma mesa para se sentar.

Seus amigos da faculdade também foram convidados. Afinal, eram todos amigos em comum e ninguém perderia uma festa patrocinada por um Romazzini. Fora que Nina também tinha um certo interesse por Pietro, uma historio meio enrolada e que o irmão fugia porque sabia que daria problemas.

Isadora ouvia os comentários da tia e concordava, mas os olhos dela estavam meio perdidos, procurando por Romeo, mas aproveitando para acenar para um amigo ou outro que aparecia.

Estava confortável naquela cadeira, fazendo companhia à tia, mas não a via do segurança chegar para que cedo ou tarde eles fossem para a pista de dança. O olhar dela estava perdido para o outro lado quando ouviu seu nome saindo dos lábios de Romeo. Virou a cabeça na direção do segurança e houve um brilho no olhar e um sorriso, por menos de um segundo, mas aconteceu. Felizmente a iluminação e o barulho impediram que esses detalhes fossem vistos.

- Romeo...

Ela o cumprimentou de modo polido e voltou o olhar para Antonella.

Aquela impressão inicial sobre Antonella tinha evaporado. Ela estava se comportando de um modo mais protetor, mas isso só demonstrava que Romeo era, de fato, um membro da família. Talvez ela agisse assim porque o rapaz era o segurança mais novo dentre a equipe e porque lidava diretamente com a sua sobrinha-quase-filha.

O fato é que aquela impressão tinha passado.

O curioso era que tia Antonella andava um pouco mais sorridente do que o normal e a pele dela parecia ainda mais perfeita. Quase como se estivesse apaixonada! Mas Isadora não se sentia confortável em invadir a privacidade da tia dessa forma. Até porque, muito provavelmente, ela teria que explicar o que Pietro quis dizer com “namorado”.

Esperava que o irmão ficasse bem longe, ainda mais agora que Romeo havia chegado.

Depois do conselho de Antonella, Isadora meneou positivamente.

- Sim, Romeo. Pegue uma bebida na conta de Pietro. O Salvatore estava com saudades do serviço, não é?

- Sim, signorina. Vocês não dão trabalho algum, mas é divertido, de toda forma.

Ele cruzou os braços fortes, dando um sorriso para Isadora. Ele foi retribuído, mas Salvatore sempre passou a imagem de um tio protetor também. A morena voltou o olhar para Romeo, esperando para ver se ele seguiria a recomendação ela.

Mas nesse meio tempo, eles podiam se admirar um pouco. Afinal, ela não tinha se arrumado toda para que outros a vissem, ela só queria ser vista por Romeo.

Isa usava um vestido preto, a saia tinha um pouco mais de movimento, mas o corpete do mesmo dava a impressão de couro, porque estava bem fixo, moldando a cintura e os seios medianos dela. Nos pés, usava um ankle boot preta também. O cabelo estava solto, com os cachos caindo por cima de seu ombro esquerdo. A maquiagem realçava os olhos azuis e o batom era meio avermelhado, mas nada exagerado. De acessórios nos braços, apenas um discreto bracelete e brincos médios.

Antonella também estava bastante elegante num macacão preto para festas, salto alto e o cabelo amarrado num rabo de cavalo.

Ela estava ali para prestigiar seu sobrinho, mas já tinha dito que não ficaria por muito tempo. Isadora poderia ficar o quanto quisesse, mas Ella dizia que não tinha mais idade para festas assim. E, a julgar pela expressão dela, não tinha mesmo.

- O Pietro está circulando pela festa, Romeo, mas daqui a pouco ele volta... – Antonella imaginou que ele fosse se divertir mais com o sobrinho.


Deu um gole em seu cosmopolitan e então curvou-se um pouco para Isadora.

- Aquele ali não é o Matteo?

Isadora voltou o olhar na direção do rapaz. Matteo era um rapaz bastante bonito, alto, forte, bronzeado. E o “ex-namorado” de Isadora. Eles estavam se conhecendo um pouco melhor antes dela ir para a Suíça, mas terminaram.

- Sim. É ele...

- Ele não para de olhar pra cá, vocês ainda estão se falando?

- Eu o vi no brunch da Nina, mas não tenho mantido contato, não.

- Pois parece que ele está disposto a retomar o contato...

- Sozinho.

Isadora respondeu em tom definitivo e deu um gole em seu mojito.

- Isa!!!

Uma voz feminina bastante animada e ligeiramente alterada pode ser escutada. Isadora voltou a cabeça na direção da pessoa e deparou-se com Nina e Hugo. Ela abriu um sorriso sincero para ambos e levantou-se para abraça-los.


Nina era uma jovem bastante bonita, com cabelos loiro escuro e olhos verdes, também num tom mais escuro. Tinha um rosto bastante ingênuo, mas não parecia forçado, em nenhum aspecto. Estava usando um conjunto cropped de saia e blusa, numa estampa meio tribal.

- Você está linda, Isa!!

- Você também, Nina! Hugo!!

Isadora virou-se para Hugo também e abraçou. Ele era o rapaz que ela vivia conversando ao telefone. O mesmo que tinha gerado a briga no primeiro dia de aula.

Nina e Hugor cumprimentaram a “tia Ella”, mas ambos deram uma olhada mais demorada em Romeo. Eles sabiam que Romeo era o segurança, mas mesmo assim, eles gostaram do que viram.

- Então... – Nina tentou recuperar a voz. – Vamos dançar!!!

- Sim, vamos! – Hugo decretou e puxou Ella também.

-  O que é isso, menino?!

- Vamos dançar, tia Ella! Onde já se viu vir para uma boate e ficar sentada?

- Eu estou bem aqui, de verdade! – Sorriu. – Vão vocês, Isa e Romeo. Aproveitem. Eu vou continuar bebendo e conversando com o Salvatore.


- Mesmo? – Isa perguntou.

- Claro! Vão logo!


Isadora deu uma olhadinha em Romeo e logo o grupinho seguiu. Romeo também poderia perceber que o tal de Matteo também estava se dirigindo para a pista de dança. 

Nina

Hugo

Matteo

Vestido da Isa
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Dom Dez 13, 2015 7:45 pm

Embora não se sentisse mais como um adolescente empolgado numa boate, Romeo enfrentou a confusão da pista de dança por Isadora.

É claro que ele preferia ficar sozinho com a menina num local mais reservado, mas como não havia maneira de realizar aquele desejo o segurança se contentou com o que a noite poderia oferecer.

Bastou uma olhada em Hugo para que Campanaro deixasse de vê-lo como um rival. Aliás, a forma como Hugo encarou o segurança deveria deixar Isadora apreensiva, e não o contrário.

Por outro lado, o tal Matteo era inegavelmente uma pedra no meio do caminho. A expressão de Romeo se fechou quando o rapaz se juntou ao grupinho no meio da pista de dança e fez questão de se colocar ao lado de Isadora.

A reação do segurança só não foi mais drástica porque a garota deixou bem claro de quem era a sua atenção naquela noite.

Apesar dos esforços de Matteo, era para Romeo que Isadora olhava enquanto dançava com os amigos. A expressão nos rostos dos dois era idêntica e deixava claro que ambos estavam prestes a enlouquecer depois daqueles dez dias de separação forçada.

Isadora confiava inteiramente em Hugo e em Nina, mas só se sentiu à vontade para se aproximar do segurança quando Matteo, depois de várias músicas, se deu conta de que não conseguiria nada com a ex naquela noite.

Tão logo o rapaz sumiu de vista no meio da multidão acumulada na pista de dança, Isa e Romeo se aproximaram e começaram a dançar mais próximos um do outro.

No começo, eles pareciam apenas dois amigos se divertindo juntos. Mas não demorou para que a dança começasse a ficar mais quente. Em poucos minutos, Isadora já estava dançando com o corpo colado ao do segurança e não se esquivou quando as mãos de Romeo deslizaram demoradamente pelo corpo dela.

Hugo e Nina trocavam olhares diante daquela cena, mas nem pensaram em interromper o casal com perguntas. Até porque era óbvio demais que existia algo que ia muito além de uma relação profissional entre os dois.

Os dois amigos de Isadora já esperavam por aquilo quando Campanaro olhou ao redor apenas para garantir que eles estavam longe o suficiente de Antonella e Salvatore.

Diante da certeza de que não haveria mais testemunhas daquele crime, Romeo puxou Isadora com firmeza e colou os lábios nos dela, extravasando toda a saudade que sentia depois dos últimos dias de separação.

O gesto firme e a postura dominadora de Romeo fizeram Hugo se abanar. Ele riu antes de falar ao ouvido de Nina, num volume mais alto por causa da música que preenchia todo o salão.

- Se eu fosse a Isa, estaria ovulando neste exato momento.

Os olhos de Nina giraram e ela acertou o peito de Hugo com um tapinha amigável.

- A quem você quer enganar, Hugo? Você ESTÁ ovulando neste exato momento!
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Seg Dez 14, 2015 9:38 am

Isadora não deu atenção para Matteo nem no brunch de Nina. E naquela ocasião, Romeo já dominava os pensamentos da jovem, mesmo que não existisse nada além de provocação entre eles. Agora, então, que eles tinham admitido os próprios sentimentos e ela se entregara a Romeo, ele passou a ser o seu mundo.

Matteo era apenas uma sombra que Isadora se esquivava quando tentava se aproximar um pouco mais. Se antes ele já não tinha muitas chances, agora ele realmente podia esquecer qualquer possibilidade.

No entanto, ela não se preocupou com ele, assim como não se preocupou em disfarçar a saudade que sentia de Romeo. Ela dançava com Nina e Hugo, mas era para Romeo que ela olhava quando dançava de forma um pouco mais atrevida. Só se deu conta que Matteo tinha deixado o grupo quando a expressão de Romeo se suavizou e ele indicou que ela podia se aproximar.

Os dois foram mais para o centro da pista de dança e era mesmo impossível conseguir identifica-los, do ponto que Antonella e Salvatore estavam. Eles eram uma confusão de corpos que pulavam e se grudavam.

Somente Nina e Hugo que poderiam ter certeza do que estava acontecendo ali. Além, é claro, dos próprios envolvidos.

A dança era provocante, mas logo passou a ser algo secundário. Os corpos já estavam grudados, de modo que o beijo não tardou em acontecer. O segurança pareceu preocupado com a possibilidade de alguém ver enquanto a jovem estava inebriada pelo momento e só queria beijá-lo de novo.

Os lábios se encaixaram daquele jeito perfeito. Os beijos dele não eram nem um pouco inocentes. Na verdade, era quase uma disputa e uma explosão de paixão. Isadora chegou até a cambalear um pouco, mas se segurou em Romeo e mordeu o lábio inferior dele enquanto o encarava.

Eles não conseguiriam falar porque quase não se escutariam, mas também não precisavam. O olhar deles dizia tudo.

Quando eles estavam para se beijar de novo, eles sentiram uma mão afastando, mas também se pendurando nos dois.

- GORDINHA E ROMEO! VOCÊS QUEREM FAZER ISSO AQUI MESMO???

Pietro gritava para que pudesse ser ouvido.

- Pietro!!!!

Isadora arregalou os olhos e encarou o irmão.

- Não é...

- Shhhh...Tia Ella foi embora com o Salvatore. Você saberia se tivesse visto a mensagem.

Ele disse ao pé do ouvido da irmã, mas num tom mais alto para que pudesse ser escutado. Isadora ficou chocada quando se deu conta que tinha perdido completamente a noção do tempo e pegou o celular rapidamente na bolsa.

De fato, Antonella tinha enviado uma mensagem, dizendo que iria embora porque estava com muita dor de cabeça, mas Salvatore ficaria à disposição, se ela quisesse. Poderia, inclusive, voltar para a festa.

- O Salvy vai voltar, a menos que você diga que o Romeo e eu não nos incomodamos de ficar de olho em você. O que é verdade!

Pietro ainda falava naquele tom de quem nunca ligava para nada e encarou Romeo de modo acusador.

- Vou...vou falar isso. – Isadora rapidamente respondeu a mensagem.

- Vocês me devem uma! E PARE DE FICAR SE ESFREGANDO AQUI! EU TENHO UMA IMAGEM A ZELAR E AS PESSOAS SABEM QUEM VOCÊS SÃO. DEPOIS EU QUE SOU O DESLEIXADO!

- Obrigada, Pietro.

- Pode me agradecer depois, quando eu pedir um favor. Ei...Aquela ali é a Nina?

Ele indicou a dupla dinâmica, com bastante interesse na jovem. Os olhos dele até mesmo brilhavam de leve.

- É, por que? Quer ir falar com ela?

- Não. Vou pro outro lado, antes que ela me veja.

- Pietro, que horror!

- Ah... – Pietro ficou sem jeito. – Melhor assim. Subam pra área VIP ou pra minha sala, mas não fiquem se pegando aqui. É o mínimo.

E depois se afastou.

Isadora olhou para Romeo e pegou a mão dele para que saíssem dali.

Dificil admitir que Pietro tinha razão, mas, as vezes, acontecia...
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Ter Dez 15, 2015 7:54 pm

A última coisa que a sala de Pietro parecia era um escritório de um homem de negócios. Havia uma mesa e um armário, obviamente, mas as formalidades acabavam mais ou menos por aí.

O frigobar lotado de bebidas não combinava com o perfil de um empresário sério, tampouco os pôsteres que decoravam as paredes. Mas qualquer um que conhecesse Pietro Romazzini não esperaria nada muito diferente do rapaz.

Para Romeo, foi um alívio sair da pista de dança lotada para a sala silenciosa. A música eletrônica ainda podia ser ouvida dali, mas bem distante, de forma que não atrapalharia a conversa. Isso era ótimo, visto que a garganta do segurança já ardia um pouco depois de ter gritado tanto para ser ouvido naquela noite.

Mas é claro que a maior motivação para Campanaro querer fugir de toda aquela confusão era a garota a sua frente.

Tão logo a porta foi fechada, Isadora se pendurou no pescoço do rapaz e os dois mergulharam num beijo de tirar o fôlego. Os lábios e as línguas se moviam de forma ávida enquanto as mãos matavam as saudades dos corpos um do outro.

Por mais que Romeo quisesse respeitar o tempo de Isadora, era impossível conter os próprios instintos. O segurança estava louco de saudades depois dos últimos dez dias de tortura ao lado da garota e sem poder encostar um dedo nela.

- Temos que dar um jeito, Isadora.

A voz de Romeo soou rouca e ofegante após o beijo intenso. Uma das mãos dele subiu até o rosto da menina e o segurança a acariciou com as pontas dos dedos.

- Eu não consigo mais ficar tanto tempo sem você. Eu estava prestes a enlouquecer!

Podia parecer um típico exagero italiano, mas Romeo realmente se sentia sufocado como um animal selvagem enjaulado diante de uma presa. Era desesperador querer tanto Isadora, tê-la tão perto e não poder estender a mão na direção da menina.

Era inegável que ele a desejava, que seu corpo clamava por um contato físico com a herdeira dos Romazzini. Mas também ficava mais evidente a cada dia que aquela atração não era apenas sexual.

Romeo sempre tivera pleno controle de todas as suas ações quando executava alguma missão para os Agostini. Mas com Isadora era diferente. Por mais que tentasse deixar de lado os seus sentimentos, Romeo se via mergulhar cada vez mais fundo naquele relacionamento proibido.

Os olhos azuis escuros desceram sem nenhum pudor pelo corpo de Isadora antes de se voltarem para o rosto dela com uma expressão nada inocente. As mãos do segurança desceram até a cintura da menina e a puxaram com firmeza para junto do seu corpo, naquela típica postura dominadora de Romeo.

- Você está linda, Isadora. – ele murmurou os elogios que Isadora queria ouvir quando se arrumara naquela noite, pensando nele – Você é perfeita.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Qua Dez 16, 2015 11:31 am

A sala de Pietro era exatamente como Isadora imaginava que seria. Não havia nenhuma surpresa ali, pelo contrário. Mas a grande verdade era que a jovem não estava muito interessada em analisar o gosto do irmão para a decoração de interiores – até porque, estava mais do que óbvio que ele não tinha nenhum dom, senso ou talento para casa.

Apesar de ser muito grata pela atitude protetora e cumplice do irmão, ela estava mais focada em passar seu tempo ao lado de Romeo. O tempo já era tão escasso que eles precisavam aproveitar cada segundo que tinham.

Os dois voltaram a se beijar assim que entraram na sala, sem terem muito tempo para discutir. A garganta de Isadora estava seca, pela sede – que não era apenas de bebida – e ligeiramente rouca pelo tom que precisava usar na pista de dança, se quisesse ter algum tipo de diálogo, por mais breve que fosse. No entanto, o beijo conseguia saciar, em partes, a vontade crescente que eles tinham de ficar juntos.

Seus lábios estavam um pouco avermelhados e inchados quando teve o rosto segurado daquela forma. Isadora o encarou de modo hipnotizado, quase embriagada pelo momento. As mãos estavam apoiadas nos ombros dele e ela mordeu o lábio inferior.

- Eu sei...Eu também estava ficando louca, Romeo!!

Aproximou-se um pouco mais dele, ficando meio abraçada.

- Não consigo parar de pensar naquela noite. Foi uma loucura e eu não mudaria nem ao menos um segundo dela... – As bochechas coraram, mas ela deu uma risadinha. – Acho que estamos sendo punidos pelo que fizemos. Como não conseguimos nenhum momento nesses dez dias?

Roçou a ponta do nariz no nariz dele, mas logo fez o mesmo com as bochechas enquanto o abraço. Enquanto o sentia.

Era absurda a necessidade que Isadora tinha de Romeo.

Não demorou para que Romeo assumisse aquela postura mais dominadora, uma postura que Isadora gostava e por isso o incitava a continuar daquele modo. Ela não se sentia apenas dominada, ela também se sentia protegida por ele.

Mas nunca dele.

Porque não havia como se proteger do que ela sentia e desejava de Romeo.

O sorriso votlou a brincar em seus lábios. Um sorriso ligeiramente travesso e que ganhou uma conotação um pouco mais sensual agora que ela não era mais tão inocente quando parecia.

- Foi pra você. – Ela sussurrou e começou a dar um passo na direção dele, como se pedisse, gentilmente, que ele recuasse.

Para onde?

Isadora estava vendo, Romeo só precisava confiar nela.

E ela o guiava tranquilamente até o sofá. Ele pode sentir o assento nos ligamentos do joelho e logo sentou-se. Era confortável o suficiente para que os dois conseguissem se divertir. Quando ele sentou, ele não foi sozinho, porque puxou Isadora junto.

Ela sentou-se de frente para ele, joelhos dobrados.

- Precisava ser algo para superar aquela ultima roupa.

- Isso é impossível, Isadora...

Ele disse o nome dela com aquela pronuncia arrastada.

Os dois riram e voltaram a se beijar.

Não demorou para que as mãos começassem a fazer seu trabalho. Apalpando, deslizando, acariciando, retirando peças.

Talvez Pietro não tivesse noção do avanço do relacionamento deles ou simplesmente estivesse bêbado demais para se importar com isso.

O fato é que o sofá do escritório serviu como templo para os corpos deles. Romeo dominou a situação, como sempre fazia, mas ambos trabalharam que os dois alcançassem o paraíso. Juntos. Sempre juntos. A dor ainda a incomodava um pouco, mas ela precisava admitir que gostava da sensação. Gostava do que acontecia e não se arrependia de nada.

As roupas estavam espalhadas ao redor do sofá e Romeo deitou-se sobre o peito de Isa.

Respirações descompassadas, sorrisos satisfeitos, bochechas coradas.

Aquela era, de fato, a imagem da perfeição para os dois.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Qua Dez 16, 2015 5:52 pm

Embora nunca tivesse tido problemas em guardar segredos, o relacionamento com Isadora era desafiante para Romeo.

Aquela era uma parte da história que nem mesmo Benito Agostini poderia tomar conhecimento. O pai certamente conhecia Romeo bem o bastante para notar nos olhos dele que seu bambino não era tão imune aos encantos da jovem Romazzini.

E com certeza Benito saberia porque sofria do mesmo mal. Talvez fosse um defeito do sangue Agostini ceder diante de uma bela Romazzini.

O fato é que Romeo estava disposto a manter aquela loucura apenas entre ele e Isadora. Ninguém mais precisava saber que ele escalava sacadas e se trancava com ela em escritórios de boates.

Ninguém precisava saber que os dois estavam tão inebriados um pelo outro que Campanaro se esquecia por completo de sua missão quando puxava a menina para seus braços.

Aquela situação era como um trem sem freio. Uma futura colisão era certa e violenta, mas Romeo não conseguia saltar para fora daquele vagão em movimento. Agora que experimentara os encantos de Isadora, não havia mais como fugir.

A noite na boate foi memorável.

Alheios à bagunça do bar e da pista de dança, Romeo e Isadora tiveram a sua “festinha” particular no escritório de Pietro.

O segurança manteve um comportamento cuidadoso em respeito à inexperiência de Isadora, mas foi notável que Romeo se sentiu mais à vontade para explorar tudo o que a garota tinha a oferecer. Os dois se arriscaram em posições mais ousadas e, apesar dos dez dias de tortura, não tiveram pressa para alcançarem o paraíso juntos.

O resto da madrugada foi gasto com carícias e com uma conversa deliciosamente divertida. Os corpos dos dois tinham uma sintonia única, mas era inegável que suas almas também se entendiam muito bem.

Como Pietro estava mais bêbado que qualquer um de seus clientes ao fim da festa, coube a Romeo a tarefa de levar Isadora de volta para casa.

Naquela noite, o segurança estava de folga. Portanto, não foi para o carro dos Romazzini que Romeo conduziu a moça. Aliás, não foi diante de um carro que Isadora parou.

O semblante de Campanaro se tornou divertido diante do olhar surpreso que Isadora lançou para a motocicleta que pertencia a ele. Era um veículo moderno, visivelmente caro. Mas obviamente bem mais simples que os carros sofisticados na garagem dos Romazzini.

- A julgar pela sua cara de pânico, você vai querer isso...

O capacete foi estendido na direção da moça e Romeo esperou que a morena pegasse o objeto para se acomodar na motocicleta. Em seguida, o rapaz deslizou a mão no espaço que sobrara atrás dele no assento.

- Vamos, Isadora. Eu te garanto que você estará mais segura comigo do que no carro do Pietro.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Qui Dez 17, 2015 9:02 am

Isadora entregou-se a Romeo sem nenhum tipo de arrependimento. Após toda a intensidade e paixão do momento, o segurança acomodou a cabeça sobre o peito de Isadora e começou a receber um gostoso e preguiçoso cafuné em sua cabeça. A jovem mal conseguia conter o sorriso em seus lábios.

O momento de intimidade era muito mais do que relação sexual. Sim, eles aproveitavam cada segundo desse momento sublime, mas também curtiam as caricias, as risadas. Trocavam olhares e conversavam animadamente.

Curiosamente, o tópico do momento foi a boate de Pietro.

De todas as coisas do mundo, eles falaram justamente sobre o projeto do irmão.

Isadora explicou que amava Pietro, que tinha uma ligação muito mais forte com ele do que com Enzo. Obviamente amava Enzo também, mas Pietro sempre foi mais próximo, companheiro e amigo enquanto o mais velho era o protetor, uma espécie de segundo pai. Por isso, ela se preocupava com o irmão e tinha receio que esse projeto não fosse para a frente.

Queria pensar numa forma de ajudar o irmão, ainda mais agora que estava em “divida” com ele.

Sabia que Pietro nunca reclamaria isso, o pagamento de uma “divida” como aquela. Mas ela se sentia na obrigação de protege-lo tanto quanto ele havia feito ao longo da vida. Além disso, ele tinha proporcionado, indiretamente, o termino dos dez dias de saudade.

Nesse momento, os dois riram e começaram a fazer cocegas um no outro. Logo eles estavam se imobilizando de leve e Romeo ficou um pouco mais por cima, roubando um beijo provocante de Isadora.

A jovem o encarou, da posição que estava, os braços presos pelos fortes braços dele.

Era possível alguém desejar tanto uma pessoa em tão pouco tempo? A jovem Romazzini nem ao menos hesitou ao mergulhar naquele escuro oceano. Sim, porque a resistência inicial dela não foi nada comparado a outras vezes em que ela bateu o pé, de forma determinada, para não fazer alguma coisa. Logo ela, que tinha tanto medo do mar, daquele tipo de mar, em especial.

Ela havia mergulhado, sem se importar e agora estava completamente imersa naquele mundo particular.

Como se realmente tivesse encontrado sua Atlantis em Romeo.

Que tipo de sentimento era aquele que conseguia sobrepujar sua racionalidade?

Isadora suspirou após o beijo e eles se amaram uma vez mais, um pouco mais rápido. Não por falta de tempo, mas por conta da necessidade que eles tinham.

Era madrugada alta quando Isadora e Romeo deixaram o escritório de Pietro, em condições normais – na verdade, melhor do que estava antes, visto que era uma bagunça e eles deram um jeitinho básico.

Os dois caminharam de mãos dadas, dedos entrelaçados. Eles estavam cansado de um dia inteiro de trabalho e estudo, mas a musica começava a incomodar um pouco mais do que deveria.

Enquanto caminhavam, eles puderam ver que Pietro não conseguiu ficar longe de Nina por muito tempo e agora estava aos beijos com a moça. Isadora não sabia o que pensar em relação aquilo. Seu irmão tinha ficado com outras garotas, naquela noite, antes de ficar com Nina. Fora que estava visivelmente alterado.

Se isso bastava para Nina, não era Isa quem diria nada.

O jovem casal secreto seguiu até o lado de fora da boate. Era verdade que ela não esperava por uma moto esperando por eles, mas a expressão dela foi bastante divertida. Os olhos estavam meio arregalados e a boca fazendo um suave “o”. Ela riu e pegou o capacete.

- Nunca andei numa moto dessas. Mas já andei em lambretas...É a mesma coisa?

Romeo deu uma risada divertida.

Era a mesma coisa que perguntar se era como andar de bicicleta.

A recomendação dele foi bastante simples: segure-se firme.

Isadora prontamente obedeceu e apertou o abraço quando achou que não era o suficiente. A moto logo ganhou as ruas vazias de Palermo, em direção à nobre área residencial, onde ficava a mansão Romazzini.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Qui Dez 17, 2015 10:13 am

Romeo não economizou nas manobras e nem na velocidade enquanto guiava Isadora pelas ruas de Palermo. Era como se ele quisesse que a garota se agarrasse com ainda mais firmeza em seu corpo. A sorte dos dois era que Campanaro não havia bebido nada alcoólico naquela noite e tinha uma habilidade invejável na direção. Por isso, eles chegaram vivos e inteiros à mansão dos Romazzini.

Um suspiro de pesar escapou dos lábios de Romeo quando ele cruzou aquela linha imaginária dentro da qual seu relacionamento com Isadora era terminantemente proibido. A vontade do segurança era de despedir da garota com um beijo intenso e deslizar as mãos pelo corpo que agora lhe pertencia. Mas era grande o risco de um dos empregados já estar acordado àquela hora.

De fato, Salvatore surgiu no pátio tão logo escutou o ronco do motor da motocicleta. O chefe da segurança de Lorenzo estava com um semblante sério quando se aproximou do veículo. Apesar da insatisfação, Salvatore ofereceu a mão para ajudar Isadora a descer. A voz do homem soou numa entonação de reprovação, sendo dirigida exclusivamente a Romeo.

- Esta não me parece a melhor maneira de zelar pela segurança da menina Isadora.

Campanaro respirou fundo e engoliu a resposta atravessada que gostaria de dar ao colega.

- Pietro não estava em condições de trazê-la. Acredite, esta opção era melhor do que deixá-la aos cuidados dele.

Os olhos de Salvatore se estreitaram. Ele não duvidava das habilidades de Romeo, mas ao contrário do restante da famiglia, ainda não confiava cegamente no recém chegado.

- Eu estava à disposição para retornar à boate e buscar a signorina na hora que ela quisesse. Aliás, eu estava acordado até agora esperando pela sua ligação. – Salvatore dirigiu seu olhar insatisfeito para Isadora.

- Não brigue com ela, Salvatore. A ideia foi minha, eu achei que não teria problema.

- Você não é pago para achar coisa alguma, Campanaro. Da próxima vez, me consulte antes de tomar uma decisão.

Os dois homens se encararam de forma nada amigável, mas Romeo sabia que era uma tolice comprar aquela guerra. Salvatore era o primeiro homem de confiança na lista de Lorenzo. Um atrito com ele certamente resultaria numa demissão e todo o plano dos Agostini fracassaria.

Mesmo sendo difícil, Romeo engoliu o próprio orgulho. Era ainda pior sofrer aquela humilhação tendo Isadora como expectadora, mas não era mesmo um bom momento para enfrentar Salvatore.

- Claro. Isso não irá se repetir, Salvatore.

- Não mesmo. – o chefe dos seguranças lançou um último olhar gelado para Romeo antes de se virar para Isadora – Entre.

Normalmente, Salvatore tratava Isadora com respeito e cuidado, como se fosse um tio ou um primo da família. Naquele fim de madrugada, contudo, ele fez questão de usar toda a autoridade que seu posto lhe conferia. A expressão do homem deixava bem claro que não era uma boa ideia Isadora queixar-se a Lorenzo. Se o “papà” soubesse sobre aquele passeio de motocicleta, talvez Isa até perdesse o segurança particular.

A personalidade de Isadora não era fácil, mas o olhar firme que Romeo lançou à menina mostrava que a melhor saída era fazer logo o que Salvatore ordenava. A última coisa que os dois precisavam era daquele enorme cão de guarda dificultando os encontros secretos dos dois.

Depois que Isadora sumiu de vista, Romeo ainda precisou escutar um longo discurso sobre suas funções e suas obrigações naquela casa. Com muito esforço, o rapaz conseguiu não girar os olhos ou erguer o dedo do meio para Salvatore. Seu trunfo era pensar que o chefe dos seguranças nem imaginava que o pior pecado daquela noite não fora o passeio de motocicleta.

Como já era esperado, Pietro não estava em condições de participar da mesa de café da manhã quando a refeição foi servida algumas horas após a chegada de Isadora. Lorenzo lançou um olhar insatisfeito para a cadeira vazia do filho, mas preferiu não fazer comentários. Antonella já havia contado por alto os excessos da festa de inauguração e o mafioso preferia não pensar no quanto teria que se esforçar para não esganar Pietro quando o filho surgisse a sua frente.

Isadora parecia cansada e certamente precisaria dormir um pouco no meio da tarde, mas Lorenzo ficou satisfeito em vê-la à mesa. Antonella ainda estava com dor de cabeça por causa da música alta, por isso preferiu ficar mais calada naquela manhã. Enzo, como de costume, sentou-se ao lado do pai e os dois conversavam sobre negócios enquanto comiam.

Quase ao fim da refeição, Lorenzo pediu que os seguranças fossem chamados para distribuir as tarefas daquele dia. Rauol se encarregou de chamar os rapazes e, em menos de dois minutos, Salvatore chegava à sala de jantar acompanhado por dois dos rapazes que costumavam fazer a segurança da casa.

Quando Lorenzo lançou um olhar à porta, Salvatore se viu obrigado a explicar a ausência de Campanaro.

- Romeo já está vindo, signor. Ele está no portão, resolvendo uma questão particular. Mas eu já o avisei sobre o seu chamado.

- Questão particular...? – uma das sobrancelhas de Lorenzo se ergueu em curiosidade – Algum problema?

- Não sei ao certo. – Salvatore deu de ombros – Uma moça veio procurar por ele agora há pouco. Disse ser a namorada do Romeo e mencionou que era um assunto urgente.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Qui Dez 17, 2015 11:14 am

Não demorou para que Isadora entendesse que andar numa moto como aquela e numa lambreta eram coisas completamente diferentes. Ela teve mesmo que se agarrar a Romeo, não apenas por ser gostoso e um desejo constante, mas porque estava com medo de cair!

Por várias vezes, ela se encolheu um pouco mais, fechando os olhos e resmungando que Romeo era um louco.

- VOCÊ É LOUCO! INCONSEQUENTE! ERAMAISSEGUROVIRCOMPIEETROO!!

E uma curva fechada aparecia e a fazia se calar. Mas ao mesmo tempo em que estava assustada, ela também estava feliz. A adrenalina estava alta e ela não queria trocar aquela sensação por nada nesse mundo.

O sorriso sumiu no instante em que cruzaram aquela linha da realidade. Romeo podia sentir que a postura de Isadora estava um pouco mais séria, mais distante e profissional. Para os outros, eles podiam ser amigos, mas não amigos íntimos. Até porque, eles se conheciam há menos de um mês.

A família nem ao menos podia imaginar o tipo de relação que eles tinham construído.

Isadora desceu da moto e enquanto retirava o capacete, pode sentir algumas pedrinhas do chão quicando com os passos pesados de Salvatore.

É, ele estava muito bravo.

Isadora considerou se meter na discussão deles, mas não conseguiu achar o tom correto. Se fosse agressiva, além de ofender Salvatore, também levantaria suspeitas. Trocou rápidos olhares com Romeo, discretos para que não fossem percebidos e olhou para Salvatore de novo.

Os dois tinham encerrado a discussão na frente dela e ela tocou no braço de Salvatore.

- Salva...

- Entre.

Isadora nem ao menos conseguiu concluir o nome dele. Os lábios ficaram entre abertos e então ela os fechou e abaixou o olhar. Já que não podia brigar com ele, ela agiria como uma vitima.

- Eu só não achei que precisasse incomodá-lo, Salvatore. Sinto muito por isso...

Engoliu em seco.

Romeo quase podia se sentir orgulhoso pela forma com que Isadora passara a agir. Todos sabiam que os Romazzini podiam ser verdadeiros artistas.

- Boa noite.

Disse aos dois antes de cumprir a ordem de Salvatore, de forma humilde e envergonhada. Seguiu diretamente para seu quarto e esperou uma mensagem de Romeo dizendo que estava tudo bem.

O celular dela despertou no horário de sempre, mesmo que ela não estivesse com a disposição de costume.

Coçou os olhos e foi tomar um outro banho. Tomou um banho demorado quando chegou da festa, mas agora tomou uma ducha para acordar e aguentar o dia por algumas horas, pelo menos. Arrumou-se e também tomou um analgésico para a dor de cabeça que estava sentindo. Não tinha bebido muito, mas estava com a batida ecoando em seu cérebro.

A família reuniu-se na mesma e ela contou o básico sobre a festa.

- E você chegou muito tarde, querida?

- Sim, um pouco para os meus padrões, porém, cedo para os de Pietro.

A tia deu uma risada.

- Romeo a trouxe?

- Sim... – Disse um pouco constrangida. – De moto.

Lorenzo arregalou os olhos e Antonella ficou um pouco mais tensa.

- Era o dia de folga dele e ele fez uma gentileza. Ele podia ter ficado na festa, mas assumiu a capa de segurança particular e me trouxe. O Pietro não estava em condições...

Isadora optou por um tom de voz neutro para defender Romeo. Era só que eles pensassem que aquela atitude teria sido tomada por qualquer pessoa que presasse por seu trabalho.

- Mas Salvatore estava em prontidão. – Lorenzo disse num tom severo.

- Eu não quis incomodá-lo, papà. Fora que não pensei muito também. Admito que a culpa foi minha, eu deveria ter ligado para ele, mas também acabei empolgada por andar de moto. Lembrei das histórias do titio. Sinto muito. Salvatore já brigou com a gente ontem.

Abaixou o olhar, mexendo em sua panqueca. As bochechas dela começaram a corar de novo, porque ela tomou ciência que estava mentindo inacreditavelmente bem.

Se isso era bom ou não, só o tempo diria.

Lorenzo tamborilou os dedos na mesa.

- Que isso nãos e repita, Isadora...E estou falando sério.

- Não se repetirá, papà...Eu sinto muito.

Antonella fez uma expressão para que Lorenzo pegasse leve. Ele revirou os olhos e chamou Raoul para que os seguranças fossem chamados. Antonella apenas acariciou a cabeça de Isadora e foi a primeira a reparar na ausência de Romeo.

Ela arqueou uma das sobrancelhas enquanto Lorenzo estava pronto para exigir uma explicação.

Que prontamente veio.

Isadora ergueu a cabeça na mesma hora e ficou com uma expressão chocada quando ouviu que ele estava resolvendo situações urgentes com uma NAMORADA. O coração dela falhou algumas batidas e ela sentiu os olhos marejando.

Antonella estava tão surpresa quanto a sobrinha e vociferou o que Isadora queria dizer.

- Namorada? Romeo tem uma namorada??

Lorenzo estranhou aquele tom.

- Ele é jovem, bem apessoado, por que não teria uma namorada, Ella?

- Por que ele nunca mencionou isso? Não faltou oportunidade! Será que não confia na gente?

- Voce confiaria, Ella?

Lorenzo perguntou num tom delicado.

- Mas, realmente, é uma questão de confiança meio balançada. Deixemos que ele se entenda com a jovem primeiro e depois vamos ver porque ele não contou antes.

Lorenzo voltou o olhar para Isadora. O cabelo dela estava cobrindo suavemente seu rosto e ela estava com a mão no estomago.

- Bambina? Isa? O que houve?

- Estou com ânsia...

Disse baixinho.

- Eu sinto muito... – Levou a mão até os lábios. – Com licença, papà...

Arrastou a cadeira rapidamente e correu com a mão na boca e a outra na barriga.

A comida dela estava pouco mexida. Mas não era espantoso imaginar que ela tivesse passado mal por conta da bebida de ontem. E, de fato, Isadora enfiou-se no primeiro banheiro que viu e vomitou.

Vomitou enquanto chorava e ficava com um grito de ódio apertando sua garganta.

Como pode ser tão burra?

Burra! Burra! Burra!!

Maldito seja!!
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Qui Dez 17, 2015 11:47 am

- Como soube que eu estava aqui?

A voz de Romeo soou carregada e a expressão dele chegava a ser intimidadora de tão pesada. Apesar disso, a jovem parada do outro lado do portão não se deixou abater.

Era uma moça bonita, cabelos castanhos volumosos presos num rabo de cavalo, pele muito clara e olhos verdes. Usava uma calça jeans escura, uma blusa de alcinhas rosa e sandálias de salto alto. As mãos delicadas seguraram as grades do portão enquanto ela respondia em entonação baixa.

- Vincenzo me contou.

Uma onda de ódio fez Romeo estremecer. Vincenzo parecia mesmo muito disposto a estragar tudo. Primeiro com o ataque no aeroporto, agora mandando aquela “bomba” para a casa dos Romazzini.

- Você vai dar meia volta, vai sumir da minha frente e nunca mais vai aparecer aqui, Giovanna! Você não tem noção de como isso pode me complicar? Não estou brincando aqui!

- Eu sei. – Giovanna afastou as mãos da grade e cruzou os braços, adquirindo um semblante irritado – Eu não precisaria vir aqui se você atendesse as minhas ligações ou respondesse as minhas mensagens, Romeo!

- Eu teria feito isso se quisesse falar com você. O que não é o caso.

A resposta pouco gentil do segurança fez com que Giovanna vacilasse por alguns segundos. Nenhuma mulher gostaria de levar um fora tão direto, e ela não era uma exceção àquela regra.

- Eu não acredito que vamos terminar assim depois de tudo o que passamos juntos, Romeo. Você está sendo muito injusto comigo!

- Giovanna. Nós não passamos NADA juntos.

- Nada? – os olhos da morena faiscaram e ela ergueu três dedos da mão – Nós transamos TRÊS vezes!

Campanaro precisou de todas as suas forças para não começar a gritar com a garota. Giovanna não era sequer uma ex-namorada. Era apenas uma garota, amiga de Vincenzo, com quem ele ficara durante um final de semana há alguns meses. Desde então, ela vinha insistindo em novos encontros, dos quais Romeo fugia sistematicamente. Giovanna era bonita, mas aquela perseguição já adquiria um ar doentio.

- Giovanna, é sério. Você é linda, não precisa disso. Estou certo de que vai encontrar outra pessoa que atenda às suas expectativas. Basta agir como uma pessoa... normal.

- Eu quero você, Memeo. Eu amo você. Não imagina como eu fiquei preocupada quando soube que você estava aqui!

- Se está mesmo tão preocupada, deveria sair daqui antes que comprometa a minha identidade.

- Eu vou. Mas só depois que você agendar um encontro comigo.

Mais uma vez, Romeo teve que controlar a vontade de berrar. Ele chegou a sacudir a cabeça em negativa, mas Giovanna o surpreendeu ao completar o discurso com uma ameaça.

- Memeo, eu prefiro te perder para sempre a te ver com outra mulher. Sem você, eu fico louca o bastante para procurar por Lorenzo Romazzini e contar tudo o que eu sei.

Os olhos azuis escuros se estreitaram até se tornarem apenas um risco no rosto de Romeo. Ele se aproximou mais da grade para que Giovanna escutasse seu sussurro.

- Está me chantageando?

- Não, Memeo. Só estou te avisando que posso fazer uma grande bobagem se você não me atender na próxima vez que eu te ligar. Por amor.

Sem esperar por uma resposta, Giovanna se aproximou do portão e depositou um beijinho no rosto do segurança através da grade. Romeo certamente a esganaria se não estivessem separados por aquele portão e, conhecendo tal risco, a moça recuou com um sorriso doentio nos lábios e entrou no táxi que a esperava na esquina da rua dos Romazzini.

Definitivamente, aquele jogo estava se tornando cada vez mais perigoso para Campanaro.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Qui Dez 17, 2015 10:41 pm

Isadora trancou-se no banheiro por uns bons dez minutos enquanto colocava o café da manhã e a bebida da noite anterior para fora. Aquela noticia explosiva logo no inicio da manhã, tinha acabado com o restante de seu dia. Pelo menos as lágrimas poderiam ser justificadas pela contração involuntária que fazia para vomitar.

Recuou até encostar as costas na parede do banheiro e escondeu o rosto com as duas mãos.

Sabia que tinha pouco tempo e que em breve alguém bateria à porta.

Tão logo pensou nisso, o “toc toc” começou.

- Isa?

Era a voz de sua tia Antonella, sempre solicita e preocupada.

- Isa...?

Chamou num tom mais urgente. Isadora engoliu o choro e falou num tom de voz mais seguro.

- Eu estou bem, tia! Só passando um pouco mal.

- Você precisa de ajuda, querida?

- Não. Eu já vou sair.

E precisava, de verdade.

Nem que fosse para se trancar em seu quarto.

Antonella pediu para que uma das empregadas pegasse o sal de frutas e fizesse um cardápio para diminuir os efeitos da ressaca em Isadora.

Cinco minutos depois da batida de Antonella, Isadora saiu do banheiro. Estava com o rosto lavado, mas os olhos e os lábios meio inchados, por conta do choro. Ela caminhou com a cabeça erguida até a sala de jantar.

Romeo ainda não tinha retornado e Lorenzo passava as instruções dos outros seguranças. Ele se interrompeu quando a filha chegou.

- Querida! Você está bem?

- Sim...Só acho que a comida não caiu muito bem e ainda teve a festa ontem. Minha cabeça vai explodir, papà... – Fechou os olhos, massageando a têmpora. – Não quero Romeo preso a mim, papà.

Lorenzo tombou um pouco a cabeça.

- Deixe que Salvatore dê outra atribuição a ele.

- Você não vai sair hoje?

- Não estou em condições... – Virou-se para Ella e falou num tom mais privado. – Tia, posso deitar na sua cama hoje?

Antonella se surpreendeu com aquele pedido, mas deu um sorriso e acariciou o rosto delicado da sobrinha.

- Claro, querida. Pode ficar o quanto quiser...

- Obrigada.

Deu um beijo na bochecha dela e já podia ouvir a aproximação de Romeo. Sem olhar para a porta que ele entrou, Isadora saiu por outra entrada. Romeo apenas veria as costas dela, de relance, sumindo pelo corredor.

Isadora pedira para ficar no quarto da tia porque simplesmente não suportava o próprio quarto.

Não depois da traição de Romeo.

Lorenzo voltou o olhar para Romeo.

- Está tudo bem entre você e a sua namorada, Romeo?

Perguntou de modo despretensioso, mas havia uma armadilha ali. Por que você não falara da jovem antes, Romeo? Tinha tanto medo assim dos seus patrões?

Antonella estava se sentando novamente, mas não deixava de encará-la.

Já Salvatore, bom, ele não perderia nenhum segundo da expressão do novo segurança.

O rapaz já podia imaginar porque Isadora nem se deu ao trabalho de olhá-lo.

Vicenzo, numa única tacada, fizera um excelente trabalho.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Sex Dez 18, 2015 7:00 am

Romeo se sentiu a vítima num tribunal da inquisição quando entrou na sala de jantar dos Romazzini.

Seus olhos seguiram as costas de Isadora até que ela sumisse de vista, mas por sorte sua expressão não revelou o desespero que ele sentia ao saber que Salvatore havia contado à famiglia sobre a sua “namorada”. Mais do que nunca, o segurança se arrependeu por não ter feito o sangue de Giovanna manchar a calçada dos Romazzini.

Já era esperado que Salvatore, Enzo e Lorenzo questionassem aquela novidade. Afinal, havia a “lei” que dizia que nada poderia ser escondido da famiglia. E uma namorada que aparece no portão dos Romazzini nas primeiras horas da manhã, definitivamente, parecia ser um caso bem sério.

O que Campanaro não esperava era pelo olhar firme e meio ofendido de Antonella. Sem dúvida, a loira estava enciumada. Mas não era o mesmo ciúme explosivo que tirara Isadora de cena. Era um ciúme mais maduro. Como se ela fosse uma mãe muito ofendida por ser a última a saber que havia outra mulher na vida do seu filho.

- Ex-namorada. Ou talvez nem isso. – os olhos azuis escuros giraram enquanto Campanaro se explicava melhor. – Ficamos juntos por dois dias. Terminamos há seis meses, embora ela não aceite isso.

A voz de Romeo soou tão firme quanto a expressão que ele exibia ao olhar cada um dos presentes. Por fim, os olhos azuis se fixaram no mafioso enquanto o segurança continuava o seu discurso.

- Eu lamento muito pela presença dela aqui. Vou cuidar para que isso não se repita, signor.

Era quase ultrajante se ver pressionado a expor a própria intimidade daquela forma, mas Romeo sabia que era assim que as coisas funcionavam na máfia. Qualquer funcionário dos Agostini seria interrogado da mesma maneira se uma jovem estranha batesse à porta da mansão.

- Qual o nome dela? – Lorenzo tomou um gole do café, sem mudar o tom de voz.

- Giovanna.

- Giovanna de que, Romeo?

- Não faço ideia, signor. – a resposta foi sincera e Romeo deu de ombros.

Ao invés de se zangar, Lorenzo soltou uma sonora gargalhada ao entender que seu segurança estava sendo perseguido por uma garota que realmente não significava nada na vida dele. Salvatore apertou os lábios para conter uma risada semelhante, mas trocou um olhar divertido com o patrão.

- Ela está te importunando, Romeo? – a entonação de Lorenzo soou mais divertida.

- Muito.

- Precisa de ajuda para resolver esta situação?

Romeo sabia muito bem que tipo de “ajuda” o chefe dos Romazzini estava oferecendo. O segurança não amava Giovanna, mas se sentiria culpado se ela se tornasse vítima da máfia. É claro que, depois da ameaça daquela manhã, a moça fizera por merecer um destino tão cruel. Mas Romeo ainda preferia não envolver tanto Lorenzo em seus problemas pessoais. Benito e Isadora eram segredos importantes demais para ficarem expostos diante dos Romazzini.

- Não, signor. Eu resolverei sozinho. – o tom meio sombrio de Romeo mostrava que ele também estava disposto a ir às últimas consequências para se livrar daquele problema – Realmente lamento por este inconveniente.

- Tudo bem. – Lorenzo trocou mais um olhar divertido com Salvatore – Todos nós já fomos jovens e já tivemos uma “ex-quase-namorada” louca. Mas resolva logo esta questão, Romeo.

- Sim, signor.

Como já tinha distribuído as tarefas para os demais seguranças, Lorenzo deu um último gole em seu café e se levantou.

- Hoje você vem comigo, Romeo.

Inconscientemente, o segurança olhou na direção na qual Isadora havia sumido de vista. Lorenzo notou aquele gesto e se viu obrigado a explicar.

- Isadora está indisposta. Não está acostumada a beber... – os olhos de Lorenzo se tornaram mais frios - ... nem a andar de motocicleta em alta velocidade pelas ruas de Palermo.

Definitivamente, Romeo se sentia o réu daquela sala. Desta vez, contudo, Antonella se ergueu e assumiu o papel de advogada de defesa.

- Já chega, Lorenzo. Este assunto já foi discutido e finalizado. Não acha que já perdeu tempo demais esta manhã?

- Coloque mais este item na sua lista de coisas que não irão se repetir, Romeo.

- Sim, signor.

Os seguranças foram dispensados com um gesto e Romeo sentiu o desespero crescer ao pensar que não teria a chance de se explicar com Isadora, já que passaria o resto do dia com Lorenzo por perto.

Nos poucos minutos que o mafioso gastou para terminar de se arrumar, tudo o que Romeo conseguiu fazer foi enviar uma mensagem de texto para o celular de Isadora.

“Não há ninguém além de você, Isadora. Eu deveria me ofender por você acreditar tão facilmente no contrário. Ao menos me dê uma chance de explicar tudo. Desça para falar comigo no fim da tarde, por favor. Terei que passar o dia com seu papà.”

O celular foi guardado no bolso do segurança no exato momento em que Lorenzo entrava no carro. Romeo teve que conter um suspiro de desânimo ao olhar pelo espelho central e ver o mafioso ao invés do rosto perfeito de Isadora.

A porta do quarto de Antonella foi aberta vagarosamente. A loira colocou apenas a cabeça para dentro e suspirou baixinho ao encontrar Isadora deitada no meio da sua cama, com os olhos fechados.

Acreditando que a sobrinha estava adormecida, Antonella retirou os sapatos para que o “toc-toc” dos saltos não importunasse o sono da menina. Como uma mãe, a tia ajeitou os cabelos de Isadora numa carícia e depositou um beijo na testa suada dela, ainda com o cuidado de não acordá-la.

A loira se afastou silenciosamente e pegou o próprio celular para fazer uma ligação. Antonella se afastou até o lado oposto do quarto e usava uma entonação baixinha. Mas o silêncio permitiria que suas palavras chegassem até os ouvidos da sobrinha, que obviamente não estava tão adormecida quanto Antonella imaginava.

- Oi. Bom dia, amore. Está podendo falar agora? – a voz de Antonella soou ainda mais doce depois de escutar a resposta do outro lado da linha – Nós nos vimos ontem! Mas eu também já estou com saudades...

Pela primeira vez, Isadora veria a tia se derreter daquela maneira. Antonella se referia ao falecido marido com carinho, mas nunca usara aquela entonação tão apaixonada.

- Eu vou almoçar em casa hoje. Minha sobrinha está indisposta e eu continuo com uma dorzinha de cabeça por causa daquela maldita música da boate. Podemos transformar o nosso almoço em um jantar?

A resposta do homem fez um sorriso brotar nos lábios de Antonella e suas bochechas adquiriram um tom mais rosado. Ela parecia uma adolescente apaixonada conversando com o seu primeiro amor. Bom, pelo menos a parte do “primeiro amor” se encaixava com perfeição naquele caso.

- Ótimo, querido. A que horas você passa no meu apartamento?

Antonella, antes de costas para a cama, virou o corpo apenas para conferir se Isadora estava bem. Mas a tia perdeu todas as cores ao encontrar os olhos azuis abertos. Em dois segundos, Antonella refez toda a conversa no celular em sua mente e ficou aliviada ao notar que não havia mencionado o nome de Benito nenhuma vez.

Já era tarde demais para mudar a entonação e fingir que era uma conversa mais formal. Por isso, Antonella manteve o tom carinhoso, mas se apressou em finalizar a chamada.

- Eu preciso desligar agora, querido. Nós nos vemos mais tarde então. – o rosto de Antonella corou ainda mais, mas ela respondeu à declaração de Benito – Ti amo também. Muito.

Um suspiro prolongado escapou dos lábios da tia enquanto ela desligava o celular. Antonella precisou de uma pausa de alguns segundos antes de erguer o rosto e encarar a sobrinha. Ela parecia uma adolescente pega em flagrante quando pediu.

- Não conte ao seu papà, por favor. Eu já estou velha demais para ver meu irmão se metendo na minha vida pessoal.

Antonella voltou para junto da cama e se deitou ao lado de Isadora. Ela sempre fora mais do que uma tia para a menina. Era quase uma mãe, mas também uma grande amiga. O que nenhuma das duas sabia era que Antonella também ocupava o lugar de sogra.

Naquela manhã, contudo, Antonella não precisava de uma filha, de uma sobrinha e muito menos de uma nora. Ela buscava pelo apoio de uma amiga quando confessou num sussurro.

- Eu estou perdidamente apaixonada, Isa. Achei que já tinha passado da idade, mas o amor não parece se importar com as minhas rugas. Eu achei que nunca mais seria feliz depois que...

Antonella se engasgou ao se dar conta de que recebera tantos golpes ao longo da vida que era difícil mencionar o exato momento em que saíra do caminho da felicidade. Todos pensavam que sua única tragédia fora a morte dos filhos no barco, mas Antonella já não era totalmente feliz nesta época. Não sem saber que rumo tomara o bambino que tivera com Agostini.

- Enfim. – a loira respirou fundo e recuperou a voz – Quando o seu coração escolhe uma pessoa, você não tem muita escolha. E o meu coração não fez a menor questão de colaborar comigo. Eu espero que o seu seja mais bondoso com você e faça uma escolha mais racional, bambina.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Sex Dez 18, 2015 12:03 pm

Isadora estava se sentindo péssima. Num misto de traição e decepção que acabava por revirar ainda mais seu estômago e a fazia se encolher um pouco mais. Estava deitada no meio da cama de sua tia, de bruços e com o rosto tombado na direção da porta. Os olhos estavam fechados porque as pálpebras pesavam depois do choro que ela teve no banheiro.

O celular não estava perto dela. Ela tinha esquecido de descer com ele para o café e também não fez a mínima questão de busca-lo.

O corpo tremeu por um espasmo por conta do soluço, mas ela respirou fundo e relaxou novamente. Esfregou o rosto de leve no travesseiro e o corpo estava extremamente relaxado quando Antonella chegou até o quarto.

Pode perceber a aproximação de sua tia, o beijo na testa, o carinho maternal. A expressão de Isadora chegou a se suavizar um pouco mais e ela precisou se controlar para não deixar um sorriso escapar.

Antonella logo deu as costas para Isadora e começou a ligar para alguém.

Era bastante comum que ela chamasse pessoas queridas de amore. Antonella era uma pessoa querida com todos os seus amigos. No entanto, a conversa era um pouco mais sobre amor verdadeiro e pouco menos sobre amizade. Isadora estava constrangida por ouvir aquela conversa e, sem conseguir se conter, abriu os olhos, deixando-os arregalados.

Não sabia bem o que pensar.

Sua tia ainda era jovem, extremamente bonita, cativante, uma pessoa fabulosa e extraordinária. Fora duramente castigada pela vida e tinha todo o direito de se relacionar novamente, reencontrar o amor próprio e sua metade em outra pessoa.

Por que?

As pessoas só querem ser felizes!

Ao mesmo tempo, era bastante estranho ouvir a tia melosa e apaixonada. Não era nada comum que isso acontecesse. Fora que as bochechas de Isadora estavam corando. Queria sumir daquele quarto para dar total privacidade à tia.

Quando Ella tomou ciência de sua sobrinha, Isa ficou ainda mais envergonhada.

Engoliu em seco e abaixou o olhar enquanto a tia terminava a conversa ao celular e fazia aquele pedido mais do que óbvio.

Isadora apenas meneou negativamente antes de encará-la.

- Não, tia...Eu jamais faria isso com a senhora.

Começou a se deitar ao perceber que Antonella também estava se acomodando na cama. As duas ficaram de frente uma para outra, como cumplices. Como mãe e filha. Como melhores amigas. As duas se encaixavam bem em vários papeis.

Os olhos carinhosos e atentos de Isadora estavam fixos no rosto de sua tia. Ela deu um sorriso meigo e ajeitou uma mecha loira que caía sobre seu rosto.

- Bom, eu tinha reparado que a senhora estava mais iluminada do que o normal. E que parecia insatisfeita com o guarda-roupa preto.

Deu um sorriso carinhoso.

- Só não sabia que era por conta...disso

Acomodou-se um pouco mais e foi ouvindo a experiência da tia quanto ao amor. O sorriso de Isadora vacilou, mas ela engoliu em seco e suspiro.

- Não acho que seja tarde demais para a senhora. Não acho que seja tarde demais nem para o papà, mesmo que ele tenha devotado sua alma à mamãe. Todos nós temos o direito de sermos felizes e procurarmos alguém que nos complete e torne a vida menos solitária.

Mordeu o lábio inferior, com os olhos marejando lentamente.

- Eu fico muito feliz pela senhora, de verdade. E prometo que não vou contar a ninguém...

Isa soluçou de leve.

- Oh, querida! Você não precisa chorar dessa forma...

As duas se abraçaram e Isa escondeu o rosto no pescoço da tia. Antonella foi ficando emocionada também, acreditando que toda a onda de emoção da sobrinha fosse por sua “pequena vitória” emocional. Mal ela sabia que Isadora também estava pegando o embalo para chorar a própria sorte.

Porque ela já tinha entregado seu coração a uma pessoa e Romeo simplesmente destruiu o mesmo, com as próprias mãos.

Não era hora de pensar tanto nisso.

Isadora fungou e voltou o olhar para a tia.

- A senhora precisa de cobertura para o seu jantar?

Antonella ficou surpresa com aquela sugestão. Sentia-se uma adolescente de novo, quando precisava que suas amigas e até mesmo Chiara, mentissem para que ela pudesse se encontrar ou viajar com Benitto.

Era divertido ter essa sensação de novo. O amor era, de fato, rejuvenescedor.

- Ahm, não. Hoje não. Mas é bom saber que você estará à disposição, caso eu precise.

- Sempre, titia. Eu te amo muito.

- Eu também, querida. Muito.

Antonella deu um beijo em cada olho de Isadora e logo as duas se abraçaram gostosinho de novo.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Sex Dez 18, 2015 12:38 pm

Por razões óbvias, Antonella não revelou à sobrinha a identidade de seu “namorado”. Já era muito pedir que Isadora guardasse aquele segredo. Ela complicaria ainda mais a sobrinha se confessasse o tamanho de sua traição contra os Romazzini. E Antonella também se sentiria constrangida em dizer que o homem por quem se derretia ao telefone era casado. Era melhor que Isadora continuasse pensando que o namoro da tia era uma relação saudável entre dois adultos desimpedidos.

No fim das contas, Antonella conseguiu distrair um pouco a sobrinha com aquela grande novidade. A loira não entrou em muitos detalhes comprometedores, mas mencionou que o “namorado” era um velho amor de sua adolescência, que os dois tinham perdido totalmente o contato e se reencontraram há poucos meses. Não deixava de ser verdade. E parecia a base de uma história de amor digna de um filme.

O almoço foi levado no quarto para as duas com a desculpa de que tia e sobrinha continuavam indispostas. Mas a verdade é que elas queriam continuar fofocando sobre o namoro de Antonella.

A loira estava tão empolgada por poder contar a grande novidade para a sobrinha que se permitiu mostrar uma foto para Isadora. Antonella escolheu uma imagem incrivelmente fofa e que não revelava o rosto de Benito. Na foto do celular da loira, Antonella estava de frente para a câmera com um sorriso lindo. O tal namorado a abraçava por trás e tinha o rosto parcialmente afundado nos cabelos claros da mulher. Isadora só estivera diante de Benito Agostini uma vez. Era muito pouco para que reconhecesse somente parte do rosto do mafioso.

A garota conseguiria notar apenas que era um homem maduro, com os cabelos grisalhos e uma barba muito bem aparada. Usava um paletó refinado e tinha algumas marquinhas de expressão na testa. Definitivamente, Antonella não estava vivendo uma aventura com um rapazinho. Era um amor realmente antigo.

- Pode dizer... – os olhos de Antonella giraram enquanto Isadora observava a foto – A sua tia se tornou uma tola. Eu não acredito que estou suspirando por aí como uma adolescente.

A loira pegou o celular de volta e admirou a foto por mais um segundo antes de sair da pasta das imagens.

- Não me entenda mal, Isa. – Antonella adquiriu um ar mais sério – Eu amei o seu tio e fui totalmente fiel a ele. Não me arrependo de ter me casado, ele me fez muito feliz.

Um suspiro mais pesado escapou dos lábios da loira antes que ela completasse.

- Não é impossível amar mais de uma pessoa ao longo da vida. Mas o seu coração só se entrega totalmente a uma pessoa. O coração do seu pai pertence a sua mãe, mesmo que ela tenha se tornado só uma lembrança. E o meu coração sempre foi dele... – Antonella indicou o celular, se referindo ao homem da foto - ...mesmo na época em que eu era feliz com o seu tio.

Aquele momento fofo entre as duas mulheres foi interrompido quando a porta foi bruscamente aberta. Já era fim de tarde quando Pietro entrou no quarto da tia e recebeu um duro olhar de Antonella.

- Você não bate mais antes de entrar no quarto de uma dama, Pietro? Isso é demais, até para você!

- Enzo acabou de me ligar.

A entonação séria e o discurso direto de Pietro fizeram Antonella congelar. Se Pietro não estava disposto a fazer nenhuma piadinha, era porque algo muito grave havia acontecido.

- O que houve? – Antonella se colocou de pé, trêmula – Pietro, o que aconteceu???

O rapaz lançou um olhar preocupado a Isadora, mas não havia como deixar a irmã fora daquela tragédia. E nem havia uma maneira sutil de dar aquela notícia.

- Parece que o carro do papà foi cercado enquanto ele voltava para casa. Enzo está bem, mas o papà tomou um tiro de raspão no ombro.

- Dio mio! – Antonella engasgou e já começou a se mexer – Onde ele está? Na enfermaria??? Já chamaram o médico da família?

- Estão no hospital.

- HOSPITAL? – Antonella perdeu as cores – VOCÊ NÃO DISSE QUE FOI UM TIRO DE RASPÃO?

- No papà sim. – Pietro lançou mais um olhar preocupado para a irmã – Mas um dos seguranças morreu. E o outro está em estado grave.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Sex Dez 18, 2015 1:35 pm

As duas realmente precisavam de um momento como aquele. Isadora ainda não se sentia confortável para falar sobre seu envolvimento com Romeo, mas ficava muito feliz em saber que a tia tinha encontrado um novo rumo para seu coração.

Não tinha porque duvidar da tia. Em momento algum, ela pensou que a tia tivesse traído o falecido marido, pelo contrário. Todos sabiam que Antonella sempre fora uma esposa zelosa e após a morte dele e dos filhos, ela não abandonou o luto. Provavelmente teve relacionamentos casuais, mas nunca tinha entregado o coração ou um precioso tempo de sua vida a ninguém.

Durante o almoço, Antonella ainda continuou falando sobre tudo o que sentia sobre o namorado secreto, mas também comentou como a família era complicada e os pais, avós de Isa, eram rigorosos.

A mãe, principalmente.

Deu para sentir certo rancor durante o discurso, mas Isadora tentava puxar as boas lembranças da tia, os bons momentos. Não era preciso falar de sofrimento, agora que ela estava tão feliz.

Até que Antonella deu um passo à frente. Decidiu mostrar uma foto deles dois.

Isadora pegou o celular da tia, vendo a linda imagem dos dois.

Não reconheceu Benitto, mas aqueles dois rostos tinham algo familiar que ela não sabia dizer bem o que era.

- Ele é bonitão, tia! Bem vistoso...

Olhou de modo cumplice e sorriu para ela. Continuou analisando os detalhes enquanto ela comentava sobre ser uma boba. Abaixou o aparelho e a encarou com uma das sobrancelhas arqueadas.

- Não acho isso. Acho que você está muito feliz. E isso é maravilhoso, tia.

A tia continuou falando sobre o amor. Isadora deixou que ela simplesmente falasse. Era visível que Antonella precisava dizer aquilo, desabafar sobre a situação. E mesmo que não achasse que a tia precisava se justificar para ninguém Isadora a ouviu.

Ouviu e sorriu, acariciando a mão dela.

Aquele carinho de quem diz que está tudo bem, que ela tem todos os motivos para ser feliz.

Isadora chegou a abrir os lábios para responder ao desabafo quanto o irmão entrou daquele jeito no carro. Não teve tempo nem de se zangar com a atitude dele, porque assim que ele falou de tiroteio, o coração dela começou a apertar.

Ficou pálida de uma vez só e assim que ele falou sobre uma morte e um gravemente ferido, Isadora saltou da cama.

- Meu Deus...Quem estava com ele?

Isadora já estava correndo pelos corredores quando a tia gritou.

- NÃO!!!

--

Salvatore tinha montado um esquema de segurança no hospital e estava levando pessoalmente a família até o hospital onde estavam Lorenzo, Romeo e o corpo do outro segurança.

Antonella não parava de chorar, mandando uma rápida mensagem. Estava digitando uma mensagem para Benitto, sem se preocupar com os olhares. Pietro estava na frente com Salvatore, com um semblante bem mais sério que o de costume. Queria ter certeza se o velho estava bem, fora que quando coisas do tipo aconteciam, ele pensava que brigava demais com o pai.

E se um dia a bala simplesmente acertasse o alvo? Pietro nunca teria a chance de dizer o quanto o amava ou de dar todo o orgulho que Lorenzo merecia.

Antonella avisou a Benitto que precisavam cancelar o jantar. Lorenzo tinha sido vitima de um ataque e Romeo estava ferido. Estava indo para o hospital e em breve mandaria noticias. Pelos erros de digitação da mensagem, dava para ter ideia do nervosismo dela.

A loira largou o aparelho e escondeu e o rosto com as duas mãos.

Isadora estava em estado de choque, com o olhar fixo na última mensagem que Romeo mandara para ela.

As lágrimas escorriam pelo rosto dela, sem que ela sentisse.

Ela não conseguia sentir nada. Não enquanto não tivesse respostas exatas sobre o que estava acontecendo.

Quando eles chegaram ao hospital, obviamente foram conduzidos até o local onde Lorenzo estava. Enzo os guiou até lá – tinha sofrido apenas uma concussão leve pelo impacto do carro, mas estava bem.

Lorenzo recebeu os calorosos abraços dos filhos mais velhos e da irmã.

Antonella recuou um pouco, deixando que Isadora e Pietro o abraçassem um pouco mais.

Não conseguiu se conter por muito tempo e perguntou.

- Onde está o Romeo?
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Sab Dez 19, 2015 4:36 pm

A UTI ficava localizada no primeiro andar do hospital. Como os leitos eram ocupados por pacientes em estado grave, o setor era mortalmente silencioso. Os únicos ruídos ouvidos pelos corredores eram dos passos de médicos e enfermeiros que transitavam entre os quartos e também dos aparelhos que mantinham os paciente vivos.

Normalmente as visitas eram limitadas e só aconteciam em horários determinados pela diretoria do hospital. Mas é claro que Lorenzo Romazzini não se contentou em obedecer àquela regra. Usando de toda a sua influência, o mafioso logo deu um jeito de entrar naquele setor restrito, acompanhado por um verdadeiro batalhão.

Enzo e Salvatore foram os únicos que não fizeram questão de tumultuar o ambiente. Pietro queria ver o amigo, Isadora fez questão de visitar o segurança e Antonella não admitiu ser deixada para trás. Uma enfermeira acompanhou o quarteto pelos corredores frios da UTI até chegarem ao quarto onde Romeo fora colocado.

Era uma cena chocante para alguém que não estivesse habituado com situações graves como aquela. Romeo estava tão diferente que, por um momento, Pietro teve que se aproximar mais da cama para ter certeza de que aquele era mesmo o rapaz que estivera em sua boate na noite anterior.

Deitado na cama, Campanaro estava pálido e abatido. Os cachos de seus cabelos haviam desaparecido por baixo de uma faixa branca enrolada na cabeça do rapaz. Seu peito subia e descia com uma respiração ritmada, mas aquele compasso era ditado por uma máquina acoplada a um tubo enfiado através da garganta do rapaz, cujo visor mostrava uma bizarra sequência de curvas e números que os Romazzini não entendiam.

Do lado oposto, havia um suporte com uma coleção de medicamentos e soros que entravam por acessos diretos nas veias do segurança. Atrás da cabeceira da cama, um monitor mostrava mais uma sequência de dados e curvas. Do aparelho, vinha um irritante e repetitivo bip.

- Isso é normal? – Pietro apontou o monitor, se referindo ao alarme.

A enfermeira analisou a tela, conferiu o suporte com medicamentos e pareceu aliviada quando o médico responsável pelo caso entrou no quarto.

- Pressão média em quarenta e cinco. E caindo.

- Amina? – o médico colocou as luvas, parecendo incomodado com toda aquela plateia no ambiente restrito.

- Já está recebendo. – a enfermeira conferiu a medicação – Infundindo a setenta mililitros por hora.

Os Romazzini não entendiam nada naquele diálogo, mas o suspiro pesado do médico não era muito animador.

- Aumente para cem. Quero mais três bolsas de plasma e dois concentrados. Diga à circulante para deixar o carrinho aqui na porta.

- Que carrinho? – Lorenzo finalmente se meteu, irritado – Alguém pode me explicar o que está havendo? Na minha língua!!!

Normalmente, as notícias só eram fornecidas no momento da visita. Mas a fama de Romazzini era forte o bastante para que o médico não quisesse se indispor com o mafioso.

- Um tiro de raspão na cabeça, um tiro no tórax à direita, dois tiros no abdome. Um dos projéteis abdominais perfurou uma veia calibrosa. Ele teve um sangramento maciço, foi submetido a uma grande cirurgia para sutura do vaso, teve uma lesão grave do fígado, perdeu o baço. O pulmão direito está alagado de sangue, o coração está sobrecarregado, a pressão está caindo apesar das altas doses de medicação.

O médico indicou a porta, bastante sério.

- E se vocês continuarem aqui, vão atrapalhar a equipe caso o coração dele pare nos próximos minutos e sejam necessárias manobras emergenciais de reanimação. Se querem mesmo ajudar, podem começar a procurar por doadores de sangue. O Sr. Campanaro tem um tipo sanguíneo raro, os estoques do hospital estão chegando ao fim.

- Qual tipo? – a voz de Pietro falhou.

- O negativo.

As sobrancelhas de Lorenzo se ergueram e ele encarou a irmã, surpreso com aquela coincidência. Antonella era a única pessoa que o mafioso conhecia que possuía o incomum tipo sanguíneo de Romeo.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Sab Dez 19, 2015 5:32 pm

O estado de saúde de Lorenzo era um verdadeiro alivio para a família. Mas a verdade era que o Chefe da Mafia não era o protagonista daquela noite. Um dos jovens seguranças estava morto e agora Romeo estava em estado gravíssimo na UTI do hospital. Nunca antes toda a família tinha se preocupado tanto com a vida de um único segurança que não fosse Salvatore. No entanto, o Chefe da Segurança não se sentiu incomodado com isso, pelo contrário. Até mesmo ele precisava admitir que Romeo era um rapaz carismático, um excelente profissional e que salvaria a vida de seus patrões. Duas vezes.

A UTI já tinha um aspecto bastante mórbido, por assim dizer.

Era difícil até mesmo identificar os corpos dos pacientes, pois quase todos eles ganhavam o mesmo tom pálido e aquele ar de últimos suspiros. Era um ambiente propicio para quem tinha nervos de aço ou muita fé. Os milagres existiam, mas era bem complicado que a pessoa saísse dali sem sequelas. Ou mesmo, que saísse dali.

Isadora ainda estava em seu estado de choque e negação. Tinha abraçado o pai quase de modo mecânico, deixando que as lágrimas escorressem. No inicio, não levantou muitas suspeitas porque ela geralmente entrava em outro estado quando a família era vitima de violência. Mas a verdade era que naquele instante, ela estava muito consciente de tudo.

Além de carregar muita culpa e remorso.

Afinal, se não fosse por seus ciúmes, ela teria feito Romeo ficar bem perto dela. E agora ela só tinha uma última mensagem de texto, onde ele se explicava e a imagem do amor de sua vida lutando contra a morte.

O queixo de Isadora tremeu um pouco mais quando ela parou diante do corpo do rapaz. Não conseguiu desviar os olhos do semblante de Romeo, ignorando as maquinas e o que elas indicavam. Ouvia o irritante bip e sentia o seu próprio sangue engrossando. Soluçou e passou a mão pelo rosto.

Ao olhar para o lado, viu que não era a única a sofrer por amor.

Antonella estava devastada.

Todos sabiam que ela era uma mulher extremamente forte, mas naquele momento, ela tinha encolhido vários centímetros. Estava com medo que o rapaz morresse. Muito medo. O rosto dela estava extremamente vermelho e quase não dava para ver os olhos de tão diminutos que estavam.

O médico e a enfermeira conversavam de modo profissional e Lorenzo meteu-se na conversa. Antonella estava se aproximando do rapaz, levando a mão até a dele de um lado.

- Por favor, meu querido...Não se vá.

Ela sussurrou ao rapaz e passou a mão pelo rosto, como se fosse capaz de conter as lágrimas. Obviamente, ela não era.

- Por favor. Você tem tanto o que conhecer, o que saber, o que viver...

O tom de voz era bastante baixinho, mas Pietro e Isadora podiam ouvi-la. Pelo menos escutaram até que o medico falou em termos mais claros o que estava acontecendo ali.

O corpo de Isadora começou a tremer ao ouvir a quantidade de tiros que ele havia tomado, o sangue que ele perdera, a possibilidade de que seu coração parasse. Levou a mão até a boca e as lágrimas continuaram escorrendo.

Pietro virou-se para a irmã e a abraçou.

- Acalme-se, Dora. Controle-se, por favor...

Falava ao pé do ouvido dela e distribuía um beijo em sua tempora.

- A culpa é toda minha, Pietro. Toda minha...

- Não diga isso...

Isadora agarrou-se ainda mais ao abraço do irmão e soluçou. Antonella segurava a mão de Romeo como se fosse capaz de passar sua energia para ele. Até que ouviu o tipo sanguíneo era necessário.

Os olhos da mulher passaram de Lorenzo diretamente para o médico.

- É o meu tipo sanguíneo. Dê o tanto que for necessário para salvá-lo!!

Era o apelo de uma mãe. Lorenzo sentiu o cabelo da nuca se arrepiar, mas logo respirou fundo e voltou o olhar para Pietro.

- Entre em contato com seus amigos, Pietro. Eu entrarei com os meus. De quantas bolsas, em media, o senhor acha que vai precisar, doutor?

E não importava a quantidade de bolsas que eram necessárias. Era para que considerassem feito.

Nem que ele tivesse que mandar esvaziarem o corpo de uma pessoa.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Sab Dez 19, 2015 9:44 pm

- Todos os doadores que vocês trouxerem serão bem-vindos. É mesmo um sangue muito raro e necessário. Muitas vidas podem ser salvas com este gesto.

Apesar das palavras bonitas do médico, era evidente que no momento os Romazzini não se importavam muito com qualquer outra vida que não fosse a de Romeo. Cada um tinha os seus motivos, mas todos estavam dispostos a tudo para que o segurança sobrevivesse àquela tragédia.

- Eu vou providenciar.

A firmeza nas palavras de Lorenzo deixava claro que, se dependesse dele, aquele hospital não teria problemas com o banco de sangue por muito tempo.

- Eu vou doar agora. – Antonella precisou de uma pausa para controlar os soluços – Basta me dizer para onde eu devo ir.

Enquanto o médico orientava Antonella sobre como chegar ao ponto de doação de sangue, o bipe do monitor de Romeo se transformou em um alarme contínuo. Os olhos arregalados do médico antecederam a cena mais dramática já presenciada pelos Romazzini.

Tudo aconteceu muito rápido, mas Antonella teve a impressão de que as cenas se sucediam numa torturante câmera lenta. Ela ainda segurava com firmeza a mão do filho quando o médico berrou alguma coisa na direção da porta antes de unir as duas mãos e apoiar os punhos no meio do tórax de Romeo.

O peito do segurança afundava alguns centímetros a cada movimento do médico. Em poucos segundos, uma enfermeira ajustava a medicação do paciente e um segundo médico surgiu para ajudar nas manobras que tinham o objetivo de trazer o coração de Romeo de volta. Naqueles breves segundos, era como se Campanaro estivesse morto.

- Fibrilação! – um dos médicos berrou ao olhar o monitor – Afastem-se. No um, dois, três...

Pietro precisou literalmente puxar a tia para trás sem muita delicadeza para que Antonella não fosse atingida pelo choque. As duas pás posicionadas no peito de Romeo aplicaram uma corrente elétrica no corpo do segurança, fazendo seu tórax se erguer alguns milímetros da cama.

- De novo!

O choque precisou ser repetido quando o monitor continuou apitando, num claro sinal de que nem aquele estímulo fizera o coração de Romeo voltar a bater. Durante cinco minutos inteiros, a equipe médica se revezou entre choques e massagens cardíacas. Antonella já tinha perdido as contas de quantas agulhas tinham sido enfiadas nas veias de Romeo quando, depois do quinto choque, o monitor parou de apitar. Do aparelho veio apenas o som de batidas ritmadas do coração.

- Por favor, vocês precisam sair!

A enfermeira finalmente teve tempo de olhar ao redor e percebeu que os Romazzini permaneciam no quarto. O olhar completamente desamparado de Antonella encheu a moça de piedade. Ela, que estava acostumada com aquela realidade, não teve dúvidas de que aquele era o desespero de uma mãe.

- O coração do seu filho voltou a bater, senhora. Mas a situação é realmente delicada, nós precisamos repetir os exames, alterar as medicações. Vocês poderão voltar no horário de visitas.

Antonella não corrigiu aquele “engano” da enfermeira, mas Lorenzo estava chocado demais para se importar com o comportamento da irmã. Mesmo o mafioso que já havia visto muitas cenas terríveis não estava pronto para o impacto daquele momento. Era como se Romeo tivesse morrido diante deles e retornado antes de cruzar definitivamente a luz do fim do túnel.

Pela primeira vez na história dos Romazzini, Pietro era a pessoa mais racional da família naquele momento. Foi ele que amparou a tia e a irmã para fora da UTI e lançou um olhar sério para que o pai os seguisse. Definitivamente, eles não ajudariam em nada e tumultuariam ainda mais o ambiente se permanecessem naquela unidade.

- Precisamos avisar a família do Romeo. – a voz de Pietro soou séria. – A situação é muito grave, eles precisam ser informados imediatamente, papà.

- Ele mencionou uma mãe e uma tia que moram no interior. – Lorenzo se sentia tão esgotado que escorregou para a primeira cadeira vaga que encontrou no corredor – Pedirei a Salvatore que tente localizá-las.

Antonella estava tão fora de si que não participava daquele diálogo. Seus olhos continuavam presos na porta da UTI fechada enquanto um gosto amargo se espalhava em sua boca. As lágrimas escorriam livremente pelo rosto da loira, sem que ela precisasse se esforçar para chorar.

Era muito injusto que ela perdesse o filho daquela forma tão violenta logo agora que o encontrara. Era como se o destino não quisesse que Antonella fosse mãe e fizesse questão de tirar todos os filhos dela de forma trágica.

E era ainda mais triste que a loira não pudesse fazer a única coisa que a faria se sentir minimamente bem naquele momento. Tudo o que Antonella queria era ser amparada pelos braços de Benito e chorar junto com ele enquanto rezavam por um milagre que trouxesse de volta o bambino fruto daquele amor proibido.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Dom Dez 20, 2015 9:29 am

A cena presenciada no UTI foi uma das cenas mais dramáticas já vista por Antonella e Isadora. Lorenzo puxou a filha para que ela não ficasse olhando por muito tempo, mas enquanto era abraçada pelo pai, os olhos azuis continuavam bem arregalados e voltados para aquela cena.

Romeo. O seu Romeo.

Por um instante, ela sentiu o choque também e uma intensa dor no coração. Assim como Antonella, ela não conseguia dizer, tampouco pensar. As cenas passavam rápido demais em sua mente e ela não podia deixar de pensar que aquilo tinha sido culpa dela. Por culpa dela e de seus julgamentos, Romeo estava morrendo!

O corpo dela sofreu outro espasmo e Lorenzo passou a mão na cabeça dela, depositando um beijo. Foi quando a enfermeira mandou que eles saíssem e logo Pietro tomou a frente para tirá-los dali.

Salvatore e Enzo estavam se aproximando com passos firmes do corredor da UTI quando viram aquela cena.

Isadora desmoronou ao lado de seu pai e manteve o corpo curvado, os cotovelos apoiados nas coxas e escondendo o rosto com as duas mãos. Antonella continuava olhando na direção da porta fechada. Era um olhar completamente perdido e sofrido pelo que estava acontecendo.

Fechou os olhos, deixando que mais lágrimas escorressem até que abraçou o objetivo de doar o sangue. Porque o coração dele voltaria a bater e ele precisava de bolsas de seu raro sangue.

- Lorenzo e Pietro, procurem os doadores.

Disse num tom firme e seguiu o caminho que o médico havia instruído.

Pietro trocou um rápido olhar com o pai, mas também se levantou e começou a mexer no celular para fazer o texto e mandar uma mensagem. Ele ia envolver a sua boate para isso. Aqueles que tivessem o sangue O – e estivessem dispostos a doar para o segurança, receberiam VIPs com baldes de bebida.

As pessoas nem sempre agiam de modo altruísta, afinal.

Lorenzo fez sinal para que Enzo apoiasse a irmã enquanto ele ia discutir com Salvatore.

- Foram os Agostini?

- Não. Quer dizer, a técnica era bastante diferente. E o Agostini tem um pouco de ética dentro de si. Não, dessa vez eu não acho que tenham sido eles.

- Quem pode ter sido, então?

- Era algo que eu gostaria de saber. Até porque, parece-me estranho que alguém com um poder bélico tão poderoso tenha entrado na minha cidade e eu não tenha tomado conhecimento.

Salvatore coçou a barba.

- Acredita que nossos informantes possam ser traidores?

- Ou são agente duplos ou ele também tem muitos recursos. Eu quero que investiguem isso o quanto antes, Salvatore.

- Sim, Lorenzo. Já estamos providenciando. O hospital também está cercado com os nossos seguranças. Nenhum mal vai alcançar sua família ou Romeo. Dois seguranças ficarão em prontidão.

- Muito bem. Providencie a investigação.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Dom Dez 20, 2015 10:12 am

Os Romazzini viveram aquela tortura por três dias. Parecia pouco tempo, mas foi o bastante para que Antonella perdesse vários quilos e começasse a adquirir uma aparência mais abatida. A loira teria doado todo o seu sangue para salvar o filho, mas teve que se contentar em fornecer apenas duas bolsas. A sorte foi que, graças à influência de Lorenzo e à “promoção” da boate de Pietro, os estoques do hospital ficaram cheios.

Do outro lado da cidade, Benito estava tão abatido e desesperado quanto a amante. E o pai ainda sofria com o agravante de não poder ficar próximo a Romeo naquele momento. Contrariando todos os riscos, Agostini foi ao hospital uma única vez, num momento em que sabia que nenhum Romazzini estaria por perto.

Graças a sua influência, Benito entrou por um acesso lateral e conseguiu chegar ao quarto do filho. Em meio a lágrimas, o mafioso suplicou que Romeo lutasse e que se salvasse. Agostini sentia que perderia tudo se o filho bastardo se fosse. Romeo era seu maior orgulho, sua maior felicidade.

Nos três dias de internação, Romeo não teve mais nenhuma complicação grave. Era um milagre que o segurança tivesse sobrevivido na fase aguda daquele trauma, mas agora o discurso dos médicos passara a ser mais otimista. Campanaro era jovem, saudável e forte. Era bem possível que ficasse bem depois daquele susto.

Quando Isadora e Antonella chegaram para visitar o segurança no fim daquela tarde, as duas foram recebidas por um sorriso mais amplo da enfermeira. A moça explicou enquanto as guiava pelos corredores gelados da UTI.

- Tiramos a sedação esta manhã. Ele está acordando.

O coração de Antonella falhou uma batida e ela chorava de emoção quando entrou no quarto. Todas as costumeiras máquinas que mantinham Romeo vivo estavam ali, mas era notável que o paciente usava menos medicações naquele dia.

Os olhos do segurança estavam fechados, mas ele se remexeu suavemente na cama quando os passos das três mulheres se aproximaram dele.

- Romeo? – a enfermeira chamou delicadamente – Você tem visitas.

Antonella soltou um soluço quando as pálpebras do rapaz tremeram antes de se erguerem. Romeo piscou algumas vezes até que seus olhos se acostumassem com a claridade e só então as imagens de Antonella e Isadora entraram em foco na sua visão. O primeiro reflexo do segurança foi erguer a mão direita na direção da garota, mas o movimento foi interrompido por uma faixa firmemente amarrada no punho dele. A enfermeira explicou pacientemente.

- A primeira coisa que ele fez ao acordar esta manhã foi tentar arrancar o tubo. É normal que os pacientes acordem confusos e agitados depois de um período de sedação.

O olhar de poucos amigos que Romeo lançou à enfermeira deixava claro que ele estava bastante consciente naquele momento. A mulher riu de leve e fez um gesto positivo com a cabeça.

- Eu sei que você já está melhor. Vou chamar o médico para que ele te livre disso.

Enquanto a enfermeira saía do quarto, Antonella se aproximou do filho. Suas lágrimas agora refletiam a alegria por ver Romeo reagindo pela primeira vez nos últimos dias. A loira segurou a mão do segurança e, com a mão livre, acariciou o rosto pálido dele.

- Está me entendendo, Romeo?

A resposta do rapaz veio através de um suave movimento positivo com a cabeça. O sorriso de Antonella se alargou ainda mais.

- Está sentindo dor? – Antonella esperou a resposta que veio num balançar de cabeça do rapaz – Você se lembra do que aconteceu?

Campanaro fez que sim com a cabeça. Ele estava totalmente consciente quando chegou ao hospital. Só depois de mais alguns minutos que a perda de sangue fez com que a cabeça do segurança mergulhasse naquele estado de inconsciência.

- Foi um grande susto. Mas você vai ficar bem, querido.

Antonella estava tão emocionada e sua atenção estava tão fixa no rapaz que ela não percebeu quando Isadora se colocou do outro lado da cama e entrelaçou seus dedos à mão livre de Romeo. Os olhos azuis escuros buscaram imediatamente por ela enquanto os dedos compridos apertavam a mãozinha da menina.

Antes que a tia pudesse notar o inegável clima entre os dois jovens, o médico de Romeo entrou no quarto e a distraiu. Com um controle remoto, o homem ergueu a cabeceira da cama de Romeo até que o paciente estivesse confortavelmente sentado, recostado contra o colchão.

- Vamos tirar o tubo. – o médico explicou pacientemente – Mas você precisa colaborar, Romeo. Vai seguir as minhas instruções e, assim que estiver livre do tubo, vai se concentrar unicamente em respirar. Não gaste a sua energia tentando falar, está bem?

O paciente concordou com um movimento de cabeça e ficou profundamente aliviado quando a enfermeira soltou seus braços daquelas amarras. O médico desfez a fixação do tubo na nuca de Romeo e usou uma seringa para esvaziar o pequeno balão de ar que fornecia pressão ao sistema. Uma toalhinha foi posta na mão de Romeo enquanto o médico explicava.

- Assim que eu tirar, você precisa tossir forte, certo? No três, Romeo. Um, dois, três!

A enfermeira desligou o respirador enquanto o médico puxava o tubo da garganta de Campanaro. Nem foi preciso repetir a instrução, já que o processo provocou os reflexos de tosse do paciente. Romeo levou a toalhinha à boca enquanto tossia para se livrar daquela sufocante sensação de engasgo. O rosto dele foi ficando mais vermelho e o monitor mostrou uma discreta queda da taxa de oxigênio.

- Agora respire. Respire, Romeo!

O rapaz tossiu mais algumas vezes antes de conseguir puxar o ar para os pulmões. As primeiras inspirações ruidosas deixaram o médico preocupado, mas logo Romeo adquiriu um padrão mais tranquilo. A enfermeira ajustou no rosto dele uma máscara de oxigênio que cobria seu nariz e sua boca enquanto Romeo se recostava nos travesseiros, exausto por respirar sozinho depois de três dias sem precisar fazer aquele esforço.

- Não fale. – o médico repetiu quando viu Campanaro abrir os lábios – A sua parte no acordo é respirar. Se gastar toda a sua energia falando, teremos que repassar o tubo.

- Nem ouse falar, Romeo Campanaro! – Antonella lançou um olhar zangado ao filho, como uma mãe diante de uma travessura perigosa – Isa e eu não vamos a lugar algum, então você pode ficar bem quietinho aí!
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Dom Dez 20, 2015 9:38 pm

Foram três dias na escuridão. Isadora era uma jovem católica, mas nunca tinha sido tão religiosa quanto naquele período. Tinha perdido, parcialmente, a fé quando sua mãe morrera naquele terrível acidente de barco. A fé, contudo, se fazia presente quando seu pai e seus irmãos voltavam sem nenhum tipo de ferimento, ela precisava agradecer aos céus. E agora, mais do que nunca, ela orava para que um milagre fosse feito na vida de Romeo.

Isadora não dormiu nesses três dias, mantendo os joelhos dobrados na capela da mansão. Sua família toda era muito religiosa, desde seus avós e antes deles, na verdade. Parecia que estava fazendo uma vigília com tia Antonella, mas estava lá pelos próprios motivos.

No fundo, uma parte de si perguntava o porquê da tia ser tão apegada a Romeo, mas como ela também estava passando a impressão e não podia dar respostas, ela nada perguntava. Até porque, não tinham tempo para isso.

Precisavam se focar na única coisa que podiam fazer naquele momento: rezar por um milagre.

Antonella não estava falando com ninguém direito e comia feito um passarinho. Os únicos momentos que ela interrompia mesmo as suas orações era quando grudava ao telefone com Benito.

Primeiro eles choraram juntos. Depois eles tiveram uma briga intensa, porque Antonella fez que ele jurasse que o ataque não tinha sido plano dele. Benito mostrou-se ofendido, profundamente ofendido. Afinal, ele vinha moderando consideravelmente os ataques aos Romazzini justamente porque seu filho estava na linha de tiro. A guerra estava mais diplomática e burocrática do que, de fato, sangrenta.

Antonella sabia que ele estava falando a verdade e por isso pediu desculpas. Logo eles voltaram a se apoiar ao invés de brigarem.

Já Isadora, estava há três dias em silencio. Desde que tinha visto o coração dele parar de bater e os esforços médicos para salvá-lo, ela não conseguia falar mais nada. A ultima coisa que vinha na mente era a porta fechando enquanto o pai a puxava para longe e os médicos se agrupavam ao redor do leito do segurança.

Todos estavam respeitando o momento dela. Pietro disse que Isadora estava se culpando – foi a melhor desculpa que ele arranjou e também foi algo que o pai tinha escutado. Agora ela vivia com os olhos inchados pelo choro e profundas olheiras. Também estava mais magra e a maioria das coisas ela fazia de modo mecânico. Estava praticamente vivendo à base de líquidos, pois não conseguia e nem queria comer.

As visitas ao UTI não foram mais tão dramáticas, mas eles se revezavam. Por motivos de logísticas, Lorenzo não foi mais. Ele era um alvo muito forte e Enzo também.

Sempre eram Pietro e Antonella ou Antonella e Isadora.

E com o máximo de seguranças possíveis.

As noticias eram sempre as mesmas. Quadro estável, mas a imagem era triste. Não saída da mente de ninguém que ele havia tomado inúmeros tiros pelo corpo.

Quando Isadora ia, ela se mantinha ao lado dele, com a mão sobre a dele. As lágrimas escorriam silenciosamente e quando se despedida, depositava um beijo carinhoso na testa dele. Antonella deixou uma medalhinha de Nossa Senhora das Graças.

Aparentemente, seria mais uma visita que eles teriam noticias superficiais do quadro estável dele. As duas estavam em silencio e muito abatidas quando receberam o sorriso da enfermeira.

Ao contrário do que era esperado, as noticias foram maravilhosas. Isadora arregalou os olhos, levando as mãos até os lábios, agradecendo aos céus por isso enquanto a tia seguia pelos corredores o mais rápido possível.

Inicialmente, Isadora estava tão trêmula que nem conseguia se mexer direito. Ficou um pouco mais recuada, mas se aproximou quando ele começou a abrir os olhos. A própria tia a incitou a isso. O queixo de Isadora tremeu e ela engoliu em seco antes que as lágrimas escorressem de forma abundante pelo rosto. Ela soluçou, mas se controlou e sorriu.

Deu mais um passo e entrelaçou os dedos aos dele, apertando com força. Meneou positivamente, como se dissesse que estava tudo bem. Eles tinham um ao outro. Eles ainda estavam juntos.

Tentou se conter e se afastou quando o médico chegou para tirar os tubos.

Pareceu um processo doloroso ou pelo menos incomodo. Elas apenas puderam observar, mas logo Antonella o repreendeu como uma verdadeira...mãe.

Isadora arqueou uma das sobrancelhas, olhando a tia, mas logo desconsiderou essa ideia. Era absurda demais para ser cogitada, quiçá real.

Romeo precisava descansar e as visitas da UTI sempre era bastante rápidas.

Antonella despediu-se de modo carinhoso de Romeo e foi falar com os médicos enquanto Isadora se despedia.

Isa se aproximou um pouco do rosto dele e sussurrou ao pé do ouvido.

- Eu te amo, Romeo Campanaro.

A voz saiu rouca pelo choro e pelos dias que não foi usada. Ela o rosto, sorrindo para ele e depositou o beijo na testa, já que não tiraria a mascara dele.

- Nunca mais me apronte uma dessas, está ouvindo? Eu não tenho nervos de aço! Nunca mais...

Acariciou o rosto dele e colou a testa a dele.

Os dois fecharam os olhos de um modo tão romântico, tão especial que era impossível negar.

Eles estavam apaixonados.

E quando Antonella olhou na direção do leito do filho e se deparou com aquela cena tão comovente e singela, o coração dela foi esmagado.

Não havia como negar, porque era a mesma expressão que ela fazia com Benito.

- Dio mio...

Sussurrou e Isadora se afastou de Romeo. Os dois se encaram por um instante, mas o rapaz olhou para o lado e viu a expressão que a tia de Isadora estava fazendo. Choque e...choque. Isadora olhou na mesma direção que ele e tudo o que ela não precisava era corar.

Seu rosto ficou mais vermelho que um tomate.

Antonella fechou os olhos lentamente e respirou fundo. Antes que Isadora tivesse a chance de se manifestar ou parecer que ela iria se aproximar, a loira deu as costas e saiu dali, dando mais um tempo para que eles se despedissem.

Isadora olhou meio nervosa para Romeo, mas logo estava coberta de segurança.

- Vai ficar tudo bem. Eu te amo, Romeo.

Repetiu e, finalmente, despediu-se.

Para a surpresa de Isadora, Antonella não disse nada, nem manifestou nenhuma reação. Talvez elas, silenciosamente, tivessem feito uma troca de profundos segredos.

Isa só não imaginava que ela não sabia da missa, a metade. E que a tia estava pensando em bons argumentos para impedir o inevitável. O que Antonella não sabia era que não sabia quase nada, também.
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Seg Dez 21, 2015 7:33 am

A dor na garganta e a recomendação direta do médico impediram Romeo de falar. Mas o segurança moveu os lábios formando as palavras “ti amo” em resposta à declaração de Isadora. Romeo nunca havia dito aquilo para nenhuma garota, mas a confissão saiu facilmente para Isa. Os dois se conheciam há pouco tempo, mas já tinham uma ligação tão forte que não era exagero chamar aquilo de amor.

Antonella agora sabia de tudo. O olhar chocado que a loira lançou aos dois jovens não permitiu que Romeo tivesse dúvidas disso. O clima de romance era óbvio demais para que uma mulher inteligente como Antonella se deixasse enganar. O que o segurança não conseguia imaginar era como a tia de Isadora reagiria diante da verdade.

No hospital, Antonella não fez nenhum escândalo. Ao contrário, ela se afastou como uma dama e permitiu que a sobrinha se despedisse de Romeo com mais privacidade. Mas Romeo sabia que não poderia esperar dela o mesmo apoio que recebera de Pietro. Antonella era mais racional e certamente pensaria em todas as consequências negativas daquele envolvimento. O maior problema era que Romeo estava no grupo de pessoas que não sabiam da missa a metade com aquela história.

Depois de mais vinte e quatro horas em observação na UTI, o segurança dos Romazzini recebeu autorização para ir para um quarto comum. Lorenzo estava arcando com todas as despesas da internação, então Romeo ocupou um quarto individual e bastante confortável.

O maior desejo do rapaz era ligar para Benito e explicar que estava bem, mas ele não se arriscaria a usar o telefone do quarto sabendo que aquela conta pararia nas mãos de Lorenzo e que o mafioso certamente pesquisaria os números de telefone para os quais seu segurança ligara.

Mas foi o próprio Benito que resolveu aquele impasse da forma mais segura possível. Romeo esperava ver os Romazzini quando foi anunciado o horário de visitas da manhã, mas foi outro rosto que surgiu quando a porta foi aberta.

- Mamma!

O sorriso de Romeo se ampliou quando seus olhos reconheceram a mulher de meia idade. Alba Campanaro era uma antiga empregada de uma das casas de campo dos Agostini, que deixara o serviço no instante em que Romeo chegou aos braços de Benito. A função dela passou a ser cuidar da criança e era o mais próximo que o rapaz tinha de uma mãe.

- Não foi fácil encontrá-la. – a voz de Salvatore surgiu por trás da mulher antes que o chefe dos seguranças também entrasse no quarto – Eu nem sabia da existência daquela cidade minúscula!

Romeo riu antes de se inclinar para receber um abraço carinhoso da “mãe”. Alba era uma mulher baixinha, com vários quilos acima de seu peso ideal e feições simplórias, vestia roupas típicas do interior e parecia assustada com toda a modernidade que a rodeava. Mas era inegável que o afeto dela por Romeo era sincero. Ela não tivera filhos e foi muito fácil se apegar ao bastardo dos Agostini.

- Como você está, querido?

- Estou bem, mamma. Foi só um susto. Estou feliz que esteja aqui, mas o Salvatore não precisava ter te assustado.

- Eu tinha que vir. – apesar da simplicidade, Alba era muito boa naquele jogo – “Todos” estavam muito preocupados, querido.

- Pode dizer a “todos” que eu estou ótimo, que logo terei alta. – Romeo sabia muito bem que estavam falando de Benito – Diga também que estou com saudades e que irei visitá-los tão logo seja possível.

Alba assentiu com um movimento de cabeça e uniu sua mão a do “filho”. Salvatore pediu licença e preferiu esperar no corredor para que os dois conversassem com mais privacidade.

O chefe dos seguranças estava há menos de cinco minutos no corredor quando avistou Antonella. A loira se aproximava com passos rápidos e meio ofegante. Ela sorriu para Salvatore enquanto explicava.

- Eu me atrasei no trânsito. Cheguei e fui direto para a UTI, só então me disseram que ele está aqui.

- Ele não está sozinho, signora.

- Isadora?

O sorriso de Antonella morreu e uma ruguinha de preocupação surgiu entre seus olhos. A loira optara por visitar Romeo de manhã exatamente porque a sobrinha tinha aula na faculdade. E Antonella precisava ter uma conversa séria e privada com o segurança.

- Não, não. Isadora está com o Julio, ele a levou para a faculdade. Eu finalmente encontrei a Sra. Campanaro e a trouxe para visitar o filho.

- Como é que é???

Antonella reagiu como se Salvatore tivesse dirigido a ela a pior das ofensas. Como assim, a “mãe” de Romeo estava lá dentro com o rapaz? Antonella estava do lado de fora da porta! Antes que Salvatore pudesse entender o que estava havendo, a loira marchou até a porta e a abriu sem bater. Romeo e Alba se sobressaltaram, mas o olhar fuzilante de Antonella não abriu margens para nenhum tipo de reclamação.

Por mais que soubesse que não tinha aquele direito, Antonella se sentiu traída e enciumada. Alba não tinha aberto a boca, mas a loira já sentia uma antipatia profunda pela mulher que ocupava o lugar que deveria ser dela no coração de Romeo. E a punhalada no coração de Antonella se tornou ainda mais dolorosa quando o rapaz sorriu e indicou Alba.

- Salvatore encontrou minha mamma, signora.

A mulher forçou um sorriso tímido e estendeu a mão na direção de Antonella.

- Alba Campanaro. É um prazer conhecê-la.

A loira queria que Alba explodisse diante de seus olhos, mas respirou fundo algumas vezes e retribuiu ao cumprimento. Mas foi o máximo de gentileza que Antonella conseguiu fazer.

- Eu preciso conversar com o Romeo. A sós.

Alba olhou de Antonella para o rapaz, preocupada com o tom sério da loira. O sorriso de Romeo também desapareceu e ele teve a certeza de que o tema daquela conversa seria “Isadora”.

- Tudo bem, mamma. Vá tomar um café, sim? Ligue para “todos” e diga que eu estou bem. Nós nos falamos mais tarde.

Antonella sentia a punhalada atravessar seu coração sempre que Romeo chamava aquela mulher de “mamma”. Alba depositou um beijo na testa do rapaz, pediu licença e saiu humildemente do quarto. Com os braços cruzados, Antonella encarou o segurança tão logo os dois ficaram sozinhos. O desejo dele era pedir satisfações sobre a “mamma”, mas Antonella se obrigou a seguir o roteiro que a levara ao hospital naquela manhã.

- Romeo, “aquilo” precisa parar.

Não foi preciso entrar em detalhes. A entonação e o semblante sério de Antonella deixavam claro que ela se referia ao clima de romance entre o segurança e Isadora. Antes que o rapaz pudesse abrir a boca, a tia da menina completou.

- Ela é jovem demais, totalmente inexperiente neste tipo de assunto. De nada vai adiantar falar com ela, por isso eu estou falando com você. Cabe a você ser a mente racional que vai colocar um ponto final nesta história antes que esta loucura ultrapasse limites.

A mente de Romeo logo projetou as lembranças quentes vividas no quarto da menina e no escritório de Pietro. A simples memória já fez com que o corpo do segurança esquentasse, querendo mais. Antonella não fazia ideia de quantos limites aqueles dois jovens já tinham ultrapassado nos últimos dias.

- Eu realmente preferiria que a signora não interferisse neste assunto.

Apesar da resposta ácida, Romeo usou um tom respeitoso. Os olhos de Antonella se estreitaram e ela se aproximou alguns passos da cama.

- Você perdeu a noção do perigo? Todos esses tiros não foram o bastante para te assustar, Romeo? Mas saiba que o que aconteceu com você não é NADA perto do que o Lorenzo faria se desconfiasse que você e Isa estão indo um pouco além de um relacionamento profissional. – Antonella pareceu magoada ao completar – Estou decepcionada. Não pensei que você teria coragem de uma maldade assim. Isadora já sofreu demais, ela não merece ser iludida desta maneira.

- Iludida? – foi a vez de Romeo soar ofendido – A signora já parou para pensar que eu também tenho sentimentos? Não estou brincando com Isadora. Eu gosto dela.

A sinceridade na declaração de Romeo deixou Antonella tão chocada que a loira perdeu por completo o controle das próprias ações. Era como se a maldição estivesse se repetindo, como se o amor quisesse unir mais uma vez o sangue dos Agostini ao sangue dos Romazzini. Daquela vez, com um agravante desesperador.

- Não repita isso nunca mais! – Antonella estava com os olhos arregalados quando agarrou os ombros do segurança e o sacudiu – Vocês dois não podem continuar com isso, Romeo! É errado!

- Errado por que? – Campanaro estava assustado com a reação extrema da mulher, mas não recuou – Não vou me afastar dela por causa de uma convenção social.

- ISADORA É SUA PRIMA, ROMEO!

Uma das sobrancelhas do rapaz se arqueou diante daquela declaração absurda. Antonella devia estar mesmo muito desesperada para inventar uma história tão extraordinária como aquela. A cabeça dele se sacudiu em negativa antes que sua resposta soasse.

- Eu conheci a Isadora há poucos meses, não temos nenhum parente em comum. Como podemos ser primos, signora?

- Vocês tem um parente em comum, Romeo. – os olhos de Antonella se encheram de lágrimas – Eu.

A descrença inicial de Romeo se refletiu num sorrisinho debochado. O rapaz estava cada vez mais convencido de que Antonella estava tão desesperada para separar os jovens que começava a criar histórias absurdas. O que ele não esperava era que as palavras seguintes da loira pudessem atingi-lo em cheio.

- Eu não podia assumir e criar um filho de Benito Agostini.

O sorriso de Romeo morreu com a menção do nome do pai. Benito nunca falara sobre a mãe biológica do menino, e Romeo também nunca quis saber nada sobre a mulher que o abandonara. Ele sempre imaginou que era uma vadia qualquer que o vendera ao pai para garantir uma vida tranquila. Nem em mil anos, Romeo imaginaria que estava intimamente envolvido na rivalidade entre os Agostini e os Romazzini.

Parecia uma história absurda e mentirosa, mas as peças começaram a se encaixar na cabeça de Romeo. Antonella sabia que ele era filho bastardo de Benito. Por que ainda não o denunciara a Lorenzo, então? Pelo mesmo motivo pelo qual o tratava de maneira tão carinhosa. Pela mesma razão que chorara durante três dias ao lado do leito da UTI.

Aquela revelação explicava tudo e preenchia todas as lacunas. Por mais bizarra que fosse aquela história, fazia todo o sentido pensar que Antonella estava dizendo a verdade. Ela era a mãe que Romeo desprezara durante toda a vida. E isso realmente fazia com que Romeo e Isadora fossem primos. De primeiro grau.

- Romeo...? – Antonella chamou baixinho, preocupada com o silêncio e o choque refletido no rosto do rapaz.

A voz da loira despertou Campanaro para a realidade. Sua primeira reação foi segurar os punhos de Antonella e afastar as mãos dela, rompendo aquele contato. Não havia nada além de desprezo no olhar que Romeo pousou na mãe biológica. Sua voz soou baixa, mas cortante.

- Saia daqui. Você não tem o direito de estar aqui. – o rapaz foi ainda mais direto – Nunca mais ouse tocar em mim. Eu não te quero fazendo parte da minha vida, eu nunca quis! Você perdeu este direito há vinte e cinco anos.

O indicador de Romeo apontou a porta do quarto. Mais do que nunca, ele se tornou parecido com Benito ao usar aquele tom frio e autoritário.

- Eu mandei sair daqui. Agora!
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Isadora Romazzini em Seg Dez 21, 2015 9:13 am

- Romeo...

Apesar de ter recuado quando ele afastou as mãos dela de forma brusca, Antonella não queria abandonar o quarto com aquela sensação.

- Eu mandei você SAIR!

- Você não faz ideia do que eu tive que abrir mão por você!

- E você não faz ideia de quem eu sou! E tampouco faço questão que saiba! Agora SAIA!

Antonella recuou mais um passo, levando a mão até o pescoço, apertando para engolir o choro. O olhar de Romeo era carregado de desprezo e isso a machucava mais do que qualquer coisa no mundo. Finalmente ela se deu por vencida e saiu do quarto.

Tão logo saiu do quarto, a loira deu de cara com Alba. As duas se encararam fixamente, tendo ciência da verdade e do que eles tinham acabado de conversar – afinal, os dois ergueram um pouco mais o tom da voz no final e foi simplesmente impossível não escutar. Alba, apesar de humilde, manteve-se firme. Antonella a olhou com certo grau de rancor, mas continuou andando para se afastar dali.

Não queria dever nada àquela mulher, nem agradecer por ter cuidado de seu filho.

SEU FILHO.

Ela não teve opção.

Aquilo não era justo!

DEUS! NÃO ERA JUSTO!!!

Ela esbarrou na muralha de mais de 2 metros e ficou zonza pelo impacto. Salvatore a segurou pelos braços e a encarou meio preocupado.

- Antonella? Você está bem?

A expressão dela dizia uma coisa, mas os lábios dela pronunciaram outra.

- Estou. Só recebi uma ligação, tenho coisas a resolver.

- Certo, mandarei que o segurança te leve para casa.

- Para meu apartamento e estarão dispensados. Preciso ficar sozinha.

- Não acho que seja muito aconselhável, dada às circunstancias...

- Sozinha, Salvatore. Eu assumo os riscos.

E, assim como Romeo, Antonella também sabia finalizar uma conversa de modo definitivo. Deu as costas e seguiu até a saída do hospital. Aceitou ser conduzida por dois seguranças, mas tão logo chegou até a fachada de seu prédio, ela não quis mais ninguém em seu encalço.

Quando chegou até a cobertura, ela ligou para Benito.

- Ele sabe.

Foi tudo o que disse antes das lágrimas finalmente rolarem por seu rosto.

- Eu contei.

--

Isadora não quis esperar até a tarde para visitar Romeo. Saiu da faculdade depois do segundo tempo e mandou que Julio seguisse até o hospital. Não tinha mais tempo a perder e o almoço podia esperar mais algumas horas, já tinha esperado dias mesmo.

Bateu na porta do quarto com os nós dos dedos e entrou. Romeo estava sozinho, com a bandeja do almoço intocada. O leito estava meio inclinado e ele não parecia abatido, ele parecia...furioso.

- Comida de hospital é muito ruim, não é?

Disse praticamente no mesmo instante que ele a encarou. A expressão se suavizou um pouco mais e a jovem entrou no quarto. Fez questão de ouvir o clique na porta antes de se aproximar suavemente dele.

Romeo empurrou o carrinho para longe dele, abrindo espaço para que Isadora chegasse mais perto.

Tão logo os dois estiveram ao alcance um do outro, eles se abraçaram e Isadora sentou-se de lado na cama.

Romeo repousou a testa no ombro de Isadora e ela começou a fazer o típico carinho nos cachos dele. Os olhos estavam fechados, mas eles conseguiam sentir a expressão um do outro, bem como a linguagem corporal. Isadora desceu a mão até o rosto dele e roubou um longo selinho dele. Os lábios formaram uma suave linha de sorriso e logo se beijaram de novo.

Eles se controlaram e finalmente se encararam.

- O que houve?

- Nada...

- Romeo... – Ela disse num tom doce, mas que continha repreensão.

- Não é nada que eu queira falar ou seja preocupante pra você.

- Hm. É sobre ontem? Minha tia?

- Não...

- Ela não me falou nada...na verdade...eu acho que trocamos um segredo.

Romeo continuou a encará-la. Isadora ficou sem saber se deveria prosseguir ou não. Mordeu o lábio inferior.

- Bom, é uma boa troca. Ela também está apaixonada, Romeo. Algum amor do passado que ela reencontrou recentemente. É verdade que ela parece bem mais feliz do que antes.

E Romeo não poderia deixar de lembrar do dia em que eles tiveram aquele jantar bastante constrangedor para todos os lados. Como Benito e Antonella conseguiam ser tão dissimulados? Os três estiveram no mesmo ambiente e...ele não percebeu nada.

- Romeo...?
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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

Mensagem por Romeo Campanaro em Seg Dez 21, 2015 10:26 am

Por mais difícil que pudesse ser, Romeo não deixou que seu ódio transparecesse durante a visita de Isadora. Aquele era um assunto que precisava ser esclarecido com certa urgência, mas Campanaro não perderia tempo pensando nos problemas quando tinha Isadora Romazzini ao alcance de suas mãos.

Ele a convenceu de que estava irritado com algum problema pessoal de pouca importância e conseguiu distrair a garota com beijos e carícias.

O risco era grande com Salvatore no corredor, mas os dois jovens não conseguiam se conter depois daquela separação tão dramática. Romeo preferia não pensar nos laços de sangue que o ligavam a Isadora enquanto invadia a boca dela com sua língua e deslizava as mãos nas curvas perfeitas da menina, cheio de saudade.

O segurança se sentia bem o bastante para matar todos os níveis de saudade, mesmo estando naquela cama de hospital. Coube a Isadora colocar limites no rapaz antes que os dois chegassem às últimas consequências ali, com Salvatore há dois passos da porta do quarto.

Os dois não chegaram a consumar o ato, mas o amasso foi quente e ousado como de costume. A mão de Romeo acariciava Isadora por baixo da blusa da menina quando Isa recuperou a sanidade, puxou os dedos dele para fora e ajeitou novamente o decote, completamente corada.

- Romeo! Aqui não! Você é louco!

- Salvatore não vai ouvir se formos discretos... – as palavras tentadoras foram sussurradas com entonação rouca ao ouvido da menina.

- Estamos num hospital! Você tomou quatro tiros!!!

- Mas não estou morto. – os lábios do segurança deslizaram demoradamente pelo pescoço da garota – Ao contrário, eu me sinto ainda mais vivo do que antes.

- Não! – Isadora estava arrepiada e excitada, mas se obrigou a ser racional. – Vou te recompensar quando você estiver em casa. Aqui, de jeito nenhum!

- Você vai se arrepender disso, Isadora. – Romeo abriu aquele sorrisinho provocante.

- Eu sei. – a menina girou os olhos, corada – Mas mantenho o meu “não”. Maluco.

Sem muita escolha, Romeo se contentou em receber carícias menos ousadas. Mas é claro que ele não se esqueceria da promessa de ser recompensado tão logo tivesse alta do hospital.

A presença de Isadora tornava a vida de Romeo mais fácil e mais feliz. Contudo, assim que o horário de visitas chegou ao fim e o segurança se viu sozinho no quarto, os fantasmas do passado voltaram a assombrá-lo. Ele estava muito irritado com Antonella, mas logo percebeu que havia um culpado ainda maior naquela história. Benito era amante da irmã de Lorenzo. O chefe dos Agostini sabia muito bem onde o filho estava se metendo e não dissera uma só palavra sobre sua mãe biológica, nem mesmo quando os três ficaram frente a frente naquele fatídico jantar.

Romeo queria que Antonella desaparecesse e nunca mais entrasse em seu caminho. Mas do pai, o rapaz queria ouvir explicações. Romeo sempre fora profundamente devotado a Agostini e se sentia apunhalado pelas costas com aquele segredo.

A mistura do sangue Romazzini com o sangue Agostini havia resultado num produto explosivo. Romeo não conseguiria ficar deitado numa cama de hospital, esperando para resolver um problema daquela magnitude quando tivesse alta. E o segurança era astuto e audacioso o bastante para resolver aquela questão a sua maneira.

Já era quase meia noite quando o telefone tocou na casa dos Romazzini. Rauol atendeu e passou a chamada a Salvatore. Do outro lado da linha, Julio estava completamente desesperado. Ele sabia que o chefe da segurança cortaria o seu pescoço. Aquilo certamente não teria acontecido se não fosse o turno de folga de Salvatore.

- O Romeo sumiu.

- COMO É? – Salvatore berrou ao telefone, acordando toda a casa.

- Eu entrei no quarto para ver se ele precisava de alguma coisa e a cama estava vazia! Os seguranças posicionados nas portas do hospital não viram nada suspeito, mas Campanaro não está em lugar algum do hospital! Eu já solicitei os vídeos das câmeras de segurança!

- VOCÊ FICOU NA PORTA TODO O TEMPO, COMO EU ORDENEI?

- Eu... – Julio gaguejou – Eu só saí por dois minutos, para ir ao banheiro!

- MERDA! – Salvatore desligou o telefone e conferiu a arma carregada. Ele explicou quando Lorenzo surgiu na escadaria, usando pijamas – Campanaro desapareceu. Estou indo ao hospital e mando notícias assim que possível.

(...)

Os homens de Salvatore poderiam revirar todo o prédio de ponta cabeça, mas não encontrariam nem mesmo uma pequena pista sobre Romeo. O rapaz já estava muito longe dali e nenhum dos vídeos da segurança fornecia uma imagem que explicasse aquele sumiço. Ninguém tinha aberto a porta do quarto durante todo o período noturno. Fosse quem fosse, havia usado a janela do quarto e a escada de incêndio externa do prédio.

Romeo ainda não sabia como explicaria aquele sumiço, mas era um assunto a ser resolvido depois. No momento, toda a sua mente estava concentrada em apenas um assunto. E ele assumira todos os riscos quando entrara na mansão dos Agostini naquela noite.

Trancados no escritório, pai e filho se encararam. Benito começou um discurso sobre o tamanho da irresponsabilidade de Romeo com aquela fuga, mas o rapaz ignorou a preocupação do mafioso com sua saúde e com o seu disfarce. Agostini se calou quando o filho o interrompeu com um berro.

- QUEM O SENHOR PENSA QUE É PARA FALAR SOBRE RISCOS E RESPONSABILIDADES?

- Romeo.

- O SENHOR ME MANDOU ÀS CEGAS PARA AQUELA CASA!

- Não. – Benito suspirou, se recostando à poltrona – Eu não queria que você fosse. Eu insisti para que deixássemos de lado essa ideia. Foi VOCÊ quem insistiu, Romeo.

- INSISTI PORQUE EU NÃO SABIA! EU NÃO FAZIA IDEIA! – Romeo continuou de pé em frente ao pai, ignorando a dorzinha incômoda dos pontos cirúrgicos em sua barriga – O SENHOR ME MANDOU PARA JUNTO “DELA” SEM ME CONTAR A VERDADE!

- A Ella era o menor dos problemas. Ela jamais faria mal a você.

- ELLA? – Romeo repetiu com uma entonação que misturava deboche e nojo – Poupe-me deste romance nojento! Eu nunca quis saber detalhes sobre as suas amantes vadias e não será diferente com a “Ella”.

- EU NÃO ADMITO QUE FALE ASSIM DELA! – Benito se exaltou pela primeira vez.

- EU FALO COMO QUISER, O SENHOR NÃO ESTÁ EM CONDIÇÕES DE ME EXIGIR NADA! EU FUI TRAÍDO! EU ARRISQUEI O MEU PESCOÇO POR VOCÊ E PELA FAMIGLIA E FUI APUNHALADO PELAS COSTAS!

- Você NUNCA quis saber nada sobre a sua mãe! Era sempre VOCÊ que fugia do assunto quando eu tentava te contar alguma coisa!

Benito se sobressaltou quando o filho atingiu a luminária sobre a mesa com um soco, fazendo o objeto voar até a parede e se espatifar em mil pedaços.

- EU NÃO ADMITO QUE ZOMBE DA MINHA INTELIGÊNCIA! NÃO OUSE USAR ESTA DESCULPA IMBECIL! O SENHOR TINHA QUE TER ME CONTADO! EU TINHA O DIREITO DE SABER, TINHA O DIREITO DE FAZER ESTA ESCOLHA DE MANEIRA RACIONAL! EU TINHA O DIREITO DE SABER PARA FICAR LONGE DESSA MULHER!

Agostini sacudiu a cabeça lentamente antes de falar com uma entonação mais contida e pesarosa.

- Você não sabe o quanto ela sofreu por você.

- Não sei e não quero saber! Eu não estou aqui para perder o meu tempo falando sobre ela! – Romeo diminuiu o volume, mas manteve a voz cortante – Tudo o que eu preciso saber é que ela teve coragem de enfrentar tudo para viver um romance proibido e não teve a mesma coragem para lutar por mim! Eu nunca esperei nada desta mulher, mas esperava do senhor. O senhor era o meu herói, o meu exemplo! Eu nunca pensei que seria traído de forma tão cruel por causa de uma vadia qualquer!
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Romeo Campanaro

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Re: Capítulo 4 - Verdades Ocultas

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