Capítulo 8 - Acertando as pontas

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Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Ter Fev 02, 2016 6:46 pm

Quando se olhou no espelho, Antonella viu uma mulher madura e absurdamente bonita. Os cabelos loiros sedosos estavam muito bem escovados e desciam ondulados pelas costas dela. A maquiagem não estava pesada demais, mas o delineador realçava os olhos azulados dela e o batom – num tom mais escuro de vermelho – desenhava com perfeição o contorno bem feito de seus lábios.

Antonella estava belíssima, mas ficou chocada com o próprio reflexo. O preto sempre lhe caíra muito bem, mas a mulher havia se esquecido de como ficava bonita com outras cores. Depois de mais de uma década, Antonella finalmente se livrara do luto naquela noite especial.

O vestido longo era cor de vinho e modulava com perfeição as curvas de Antonella. O decote era comportado, mas, para compensar, o modelo deixava uma generosa porcentagem de pele nua nas costas da mulher. Como de costume, a loira se equilibrava em sapatos de salto caros e completava o visual com uma elegante bolsinha de mão. Os acessórios se limitavam a um bar de brincos de diamantes que formavam um conjunto com uma pulseira. Antonella não precisava de mais nada, ela já tinha um brilho próprio naquela noite.

Embora o espelho mostrasse o reflexo de uma mulher, o coração de Antonella saltitava como se ela fosse uma menina. Ninguém poderia julgá-la por isso, afinal, naquela noite, ela realizaria um sonho que ficara perdido em sua juventude.

Obviamente o evento daquela noite seria muito particular. Benito se tornara um viúvo há menos de três meses e, dada as circunstâncias da morte de Telma, não era de bom tom que o mafioso oferecesse uma grande festa para comemorar seu noivado com Antonella. Nem mesmo os filhos de Benito tinham confirmado presença. A princípio, seria apenas um jantar especial que contaria com a presença exclusiva dos familiares mais próximos do casal.

Ainda assim, Antonella estava ansiosa. Ela amava Benito há mais de três décadas, mas nunca imaginou que um dia aquilo aconteceria. Nem mesmo em seus sonhos mais loucos de menina Ella imaginou que um dia trocaria alianças com Benito, diante dos olhos de Lorenzo.

Com alguns minutos de atraso, Antonella desceu as escadas da mansão Romazzini. O jantar daquela noite aconteceria em uma zona “neutra”, portanto Lorenzo e o restante da família já estavam prontos para seguirem até o pequeno – mas luxuoso – restaurante que fora fechado exclusivamente para recebê-los naquela noite.

A ansiedade de Antonella se triplicou de tamanho quando ela sentiu todos os olhos sendo cravados nela. Lorenzo não fez nenhum tipo de comentário indiscreto, mas o brilho em seu olhar indicava que o homem estava feliz por finalmente ver a irmã livre do luto. Depois de tantos anos de sofrimento, Ella merecia ser feliz.

- Vamos? – Antonella tentou disfarçar o desconforto com um sorriso – Já estamos atrasados.

- Já é esperado que as noivas se atrasem um pouco, não se preocupe.

A resposta bem humorada de Lorenzo fez com que o sorriso de Antonella se tornasse mais sincero. Ela entrelaçou o braço ao braço do irmão e se voltou para os sobrinhos. A presença de Isadora já era esperada, mas a loira estava agradavelmente surpresa em ver que Enzo e Giulia também pretendiam prestigiar aquele momento tão especial para ela.

- Eu não tenho palavras para agradecer a todos vocês por este apoio. Eu imagino o quanto seja difícil aceitar tudo isso.

- Nós te amamos. – Giulia respondeu por todos – Não é difícil aceitar a felicidade das pessoas que amamos, tia Ella.

Enzo ainda estava meio engasgado com aquela história, mas concordou com as palavras da noiva movendo a cabeça afirmativamente. Era muito difícil imaginar a tia ao lado de Benito Agostini, mas a felicidade de Antonella fazia todo o sacrifício valer a pena.

- Vamos? – Lorenzo não perderia a chance de implicar – Seu futuro marido não é mais um rapazinho. Se prolongarmos demais este atraso, talvez o coração dele não aguente.

Os olhos de Antonella se estreitaram por um momento e ela acertou o braço do irmão com a mão livre, mas logo os dois recuperaram o bom humor e seguiram para a garagem.

Conforme previamente combinado, Enzo e Giulia seguiram caminho num dos carros, acompanhados por um dos seguranças. No outro carro, guiado por Salvatore, Lorenzo ocupou o banco do passageiro enquanto Isadora e Antonella ficaram no banco de trás. O restaurante não ficava longe, mas os Romazzini preferiam não abrir mão da segurança enquanto não resolvessem todas as pendências na Sicilia.

A mão de Antonella estava fria quando ela puxou a sobrinha para um abraço. Era divertido ver uma mulher sempre tão independente e decidida quanto Ella demonstrar tamanha ansiedade.

- Você acha que eu exagerei, Isa? – as palavras foram sussurradas apenas para Isadora – Eu deveria ter escolhido um vestido cinza, ou talvez um azul escuro. O Benny pode ficar assustado com este contraste!
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Qua Fev 03, 2016 4:09 pm

Uma pequena comitiva esperava pela grande estrela da noite. Lorenzo, Enzo, Giulia, Isadora, Salvatore, Felicia e Raoul estavam ansiosos para ver a surpresa que Antonella estava preparando para aquela noite. Quando a bela mulher surgiu diante dos olhos deles, as palavras foram dispensadas. Antonella estava simplesmente deslumbrante e fez com que a sensível Felicia sentisse os olhos marejarem. Ela chegou a fungar e secar as lágrimas com um lencinho de Raoul.

Apesar de não ser um jantar suntuoso, eles acharam por bem convidarem Salvatore, Felicia e Raoul para aquele momento. O mesmo aconteceria pela parte dos Agostini, como Benito achasse melhor.

Raoul e Felicia foram no mesmo carro que Giulia e Enzo.

No carro de Antonella, Isadora estava retocando o batom nos lábios quando percebeu a aflição da tia. A jovem guardou em sua bolsa e não demorou para que recebesse aquele abraço apertado. Isadora arregalou um pouco os olhos, mas logo deu um sorriso carinhoso enquanto ajeitava o cabelo da tia, como ela geralmente fazia.

- Claro que não, tia... - Meneou negativamente. - Você está absolutamente perfeita! E a única coisa que pode assustar o tio Benny é: "Como a Ella nunca usou esse vestido antes?!". Não tem o que se preocupar, tia! Ele vai adorar!

- Sim, é capaz dele nem se lembrar das alianças... - Lorenzo comentou do banco da frente.

O comentário implicante arrancou risadas das duas.

- Não sabia que você fazia a linha irmão-ciumento, papà...

- Hunf.

- Você não viu nada, Isa... - Antonella comentou de modo divertido. - Pietro tem a quem puxar.

Comentou o nome de Pietro sem pensar nas maiores consequências e dores que a menção do rapaz poderia trazer a Lorenzo. No entanto, para a surpresa de Isadora, o pai levou aquilo com uma tranquilidade atípica.

Aliás, o pai andava muito mais leve nos últimos meses, como se nada mais o atormentasse, mesmo que eles estivessem constantemente com armas apontadas para si.

- Você está maravilhosa, Ella. E se o Benito se assustar, saberemos que ele tem problemas...

Mais risadas dentro do carro.

Todos os medos de Ella desapareceram por conta daquele clima extremamente agradavel que foi formado dentro do veiculo.

O carro de Enzo ia na frente e eles cruzaram Palermo até o elegante restaurante que tinha uma saída exclusiva para o mar. A vista era maravilhosa e o clima romântico, perfeito para um jantar de noivado. O lugar fora fechado apenas para os poucos convidados das duas famílias - não passavam de vinte pessoas, mas eram as mais importantes da Sicilia.

Como o anfitrião do jantar, Benito já estava lá dentro.

Tinha a companhia de Romeo, Pietro, Nina e mais alguns poucos convidados, escolhidos à dedo.

Mesmo que o publico fosse bastante concentrado, eles tinham contratado uma banda para deixar a noite ainda mais mágica.

Infelizmente, Cecílio e Beatrice ainda não tinham aparecido. E Benito começava a se preocupar com o atraso de Antonella.

- Deve ter acontecido alguma coisa. Mande uma mensagem para eles, Romeo...
Disse bastante preocupado.

- Acalme-se tio Benny. - Pietro comentou.

Tio Benny foi um apelido dado por Isadora e Pietro e parecia compor com perfeição aquela nova imagem do experiente mafioso. Pietro estava de braços dados com Nina e um copo com chá gelado na mão.

- A tia Ella sempre, sempre atrasava. Você vai ver como vai valer a pena...

E não demorou para que as previsões de Pietro se concretizassem. Danila foi informado pelo ponto que os carros tinham chegado. Como já vinha se tornando praxe ao longo daqueles últimos anos, Lorenzo e Ella entraram pela porta dupla de braços dados.

Lorenzo usava um elegante smoking preto e as abotoaduras em safira - a pedra simbolo dos Romazzini. Mesmo assim, ele era um mero acessório para a beleza que trazia ao seu lado.

Antonella parou por um instante, respirando fundo e esperando pela reação de Benito. O patriarca dos Agostini estava completamente encantado por aquela imagem - e não apenas ele, mesmo que seu olhar estivesse cravado em Benny. O sorriso veio até os lábios de Antonella depois que os olhos dele brilharam por conta da imagem dela. Lorenzo também sorriu e quando estava proximo, Benito acabou completando o caminho até os dois.

Logo atrás da noiva, vinham Enzo e Giulia - ele também vestia um smoking enquanto a esposa usava um belissimo vestido perolado, que a deixava ainda mais elegante e alongada. O cabelo estava preso num coque. Isadora vinha ao lado da cunhada, usando um vestido azul gelo num estilo grego. O cabelo estava preso numa trança de raiz, meio moderna e estilizada, mas formava uma imagem bastante bela. Até mesmo Felicia tinha ganhado um vestido de festa e também optara por algo discreto: um vestido ouro velho e num corte que compusesse sua idade e seu corpo mais rechonchudo.

Mesmo que todos estivessem belissimos, nenhuma se compararia à beleza de Antonella.

Ela era a estrela daquela noite, afinal.

- Você está... - Benito deu um suspiro. - Você é...Perfeita, amore mio. Mas esta noite, você é uma verdadeira estrela caminhando entre os meros mortais...Estupenda, maravilhosa...

Benito sussurrou apenas para Antonella. Ela deu um sorriso ainda mais bonito e os dois trocaram um longo, mas comportado beijo diante dos convidados.

Lorenzo tinha se afastado um pouco, desviando o olhar para aquela cena desconfortável para um irmão mais velho.

Pietro não conseguiu ignorar a cara do pai e deu uma risada de leve. A risada atraiu o olhar de Lorenzo que o encarou, pela primeira vez em muito tempo, como um pai. Ele permitiu dar um sorriso no canto dos lábios. Já Pietro desfez o sorriso e desviou o olhar, vendo os irmãos.

Depois de trocaram o beijo, Benny e Ella foram cumprimentar os lados opostos. Benny deu um forte aperto de mão em Lorenzo, junto com um abraço enquanto Ella abraçou carinhosamente seu bambino, seguindo para Pietro, Nina e os outros convidados.

Uma vez que todos foram cumprimentados pelo casal, eles que se falassem como quisessem enquanto eram conduzidos até a grande mesa central que tinha sido arrumada e nomeada exclusivamente para eles.

Tudo estava tão harmonioso que mais parecia um sonho para Antonella.

Se bem que nem em seus sonhos mais doces, o momento fora tão perfeito assim
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Qui Fev 04, 2016 2:21 pm

Como o número de convidados para aquele jantar não era grande, foi organizada apenas uma comprida mesa que acomodaria a todos, como se fizessem parte de uma grande família. E, no fim das contas, era isso que eles estavam prestes a se tornar com a união de Benito e Antonella.

Antes que o jantar fosse servido, contudo, os convidados se mantiveram separados em pequenos grupinhos de conversa. Os noivos tentavam dar atenção a todos, de forma que não tinham muito tempo um para o outro. Mas isso era um problema que Benito pretendia resolver ao fim da comemoração, quando finalmente conseguisse ficar sozinho com Ella.

Para a surpresa de todos, Cecilio e Beatrice chegaram ao restaurante pouco antes do jantar ser servido. É óbvio que o rapaz ainda estava chateado com a morte da mãe e com a forma como tudo ocorrera, mas a sua presença naquele jantar mostrava que Cecilio amava Benito o bastante para desejar a felicidade do pai. E, apesar de tudo, ele não culpava Antonella por nada. Mariella obviamente não teve a mesma delicadeza e Vincenzo, ainda internado, não poderia comparecer de qualquer maneira.

Aliás, a situação de Vincenzo não era nada boa. O rapaz já estava fora de perigo e não corria mais sérios riscos, mas estava longe de voltar para casa intacto. Um dos tiros havia atingido caprichosamente a coluna do rapaz. Os médicos ainda davam algumas esperanças e citavam verdadeiros milagres obtidos através da força de vontade e de muita fisioterapia. Mas Vincenzo parecia bastante pessimista e, no momento, encontrava-se totalmente tetraplégico.

Como era uma noite especial, Benito se esforçou para não se deixar contagiar pelos problemas. Trocar alianças com Antonella era um sonho de décadas que ele imaginou que jamais realizaria. Depois de tantos anos de sofrimento, o mafioso se julgava merecedor daquela felicidade.

Quando o jantar foi servido, todos ocuparam seus lugares na grande mesa localizada no meio do salão. Foi um banquete farto, do tipo que agradava todos os gostos. O clima também estava excelente. Era como se todos estivessem contagiados pela alegria do casal.

Mais uma vez, ficou bastante claro que não havia razões para que a inimizade entre Romazzini e Agostini se perpetuasse. Durante o jantar, era evidente que Lorenzo e Benito se davam muito bem. Agora que não precisavam mais ser inimigos, os dois descobriam que tinham muitas coisas em comum e que gostavam da companhia um do outro. O mesmo acontecia com Enzo e Cecilio, bem como com suas respectivas esposas. Os quatro se sentaram bem próximos e conversaram durante todo o jantar, como bons amigos.

Foi depois da sobremesa que ocorreu a esperada troca de alianças de noivado. Benito retirou do bolso um belíssimo par de alianças feitas com ouro branco. A masculina era mais grossa e lisa, ao passo que a feminina era decorada com uma delicada carreira de pedrinhas esverdeadas. Os olhos de Antonella brilharam, refletindo um pouco a cor das esmeraldas enquanto Benito empurrava a joia por seu dedo fino.

Os dois guardaram os votos para o casamento, mas fizeram questão de selar aquele momento especial com um beijo, que foi aplaudido de forma entusiasmada pelos convidados.

A felicidade de Benito era indescritível, mas o mafioso sofreu a primeira queda de humor daquela noite quando a banda iniciou uma música mais lenta e romântica. Agostini bem que tentou disfarçar, mas Pietro logo iniciou um coro de “Dança, dança!” que foi seguido pelos demais convidados.

A risada de Antonella mostrava que, depois de tantos anos, ela conhecia muito bem o futuro marido e sabia que dançar era um dos piores pesadelos de Benito. Ainda com um sorriso enorme no rosto, ela se inclinou e deu um selinho nele.

- Vamos.

- Não faça isso comigo, Ella!

- Não seja dramático, este papel é meu! É só mexer os pés de um lado para o outro, Benny.

- Até parece que é tão simples!

Apesar dos protestos, Benito se levantou e ofereceu a mão para Antonella. Os dois seguiram juntos até a pequena pista de dança diante da banda e se abraçaram.

Em defesa de Benito, deve ser dito que o mafioso realmente tentou dançar. Tal como orientado por Antonella, o homem moveu os pés de um lado para o outro, esforçando-se para acompanhar o ritmo da música. Mas o resultado foi catastrófico. Antonella parecia estar dançando com um poste, tamanha a falta de desenvoltura do noivo. Como se não bastasse isso, a loira levou várias pisadas nos pés.

Na mesa, Pietro e Lorenzo se uniram numa gargalhada, completamente esquecidos de seus problemas particulares. O chefe da família Romazzini já estava lacrimejando de tanto rir quando Benito pisou no pé de Antonella pela oitava vez e fez a loira finalmente desistir daquela tortura. Foi com uma careta que Antonella se virou para a mesa e esganiçou, meio desesperada.

- Alguém me salve! Por favor!!!

Antonella e Benito soltaram juntos um suspiro de alívio quando Romeo se levantou da cadeira e seguiu na direção do casal. Agora a banda tocava um ritmo gostoso de um jazz instrumental. Antonella lançou um sorriso emocionado ao filho antes de entregar sua mão a ele.

- Espero que não tenha herdado a habilidade do seu pai para dançar.

- Isso não. – Romeo abriu um sorrisinho convencido – Eu selecionei os melhores genes, mãe.

De fato, logo nos primeiros passos, o rapaz mostrou que era excepcionalmente melhor que Benito naquela tarefa. Romeo obedecia ao ritmo suave da música e conduzia Antonella com imensa facilidade, guiando todos os movimentos da parceira.

Assim que notou que Antonella estava mais à vontade e aliviada por não ter mais os pés esmagados, Romeo se atreveu a girar o corpo dela elegantemente pelo salão antes de trazer a mãe novamente para seus braços.

- Seu pai precisa treinar para o casamento.

- Desista. Ele nunca vai aprender.

Depois de uma risada da mãe, Romeo manteve o ritmo da dança e novamente segurou a mão de Antonella enquanto a loira girava em torno do próprio eixo, fazendo seus cabelos e o tecido leve do seu vestido acompanharem com perfeição aquele movimento.

Ao fim daquele giro, Antonella abraçou o filho e continuou a dança com os braços cruzados por trás do pescoço dele.

- Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida.

- Esta é a ideia. – Romeo sorriu docemente para a mãe.

- Eu esperei décadas por isso.

- Eu sei, mãe.

Antonella ficou mais séria antes de sussurrar.

- Você não precisa passar pela mesma tortura, Romeo. Você pode ser feliz agora.

- Mãe... – o tom do rapaz era de repreensão – Não comece com isso.

- Apenas pense nisso, querido. Apenas pense em como a sua felicidade está ao alcance dos seus dedos. Não a deixe escapar.

Romeo deixou que o assunto morresse ali, mas foi traído pelo próprio corpo. Quando os dois novamente giraram pelo salão, os olhos do rapaz inconscientemente buscaram por Isadora, sentada à mesa.

Talvez Antonella tivesse uma parcela de razão, mas ainda assim Romeo não achava que era tão simples. Seu orgulho estava bastante ferido e, independente disso, Isadora já deixara claro que ele fazia parte de uma página virada da sua vida.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Qui Fev 04, 2016 6:10 pm

Depois que Antonella e Benito abriram a pista de dança com aquela performance bastante dolorida - na falta de uma palavra para adjetivar aquela cena - outros pares começaram a ser formados.

Num ato extremamente gentil e delicado, Enzo puxou sua esposa para uma dança mais contida. Cecilio fez o mesmo com Beatrice. Assim como Benito, Cecilio não era um exímio dançarino, mas pelo menos não machucava os delicados pés de sua esposa. Já o herdeiro dos Romazzini demonstrava jeito para a coisa, conduzindo Giulia com bastante graça e elegância pelo salão.

Pietro e Lorenzo continuaram sentados à mesa, conversando tranquilamente e ainda dando algumas risadas por conta do espetáculo que Benito havia providenciado a todos. E eles não pararam quando o Agostini se aproximou, pelo contrário, eles continuaram caindo na pilha.

Era tão estranho e, ao mesmo tempo, tão natural.

Isadora trazia um sorriso timido em seus lábios, observando aquela cena. Nina logo se aproximou dela de novo, trazendo um dos bombons da mesa de doces para a amiga.

- Achei que fosse gostar...

Comentou antes de se sentar ao lado dela, no lugar antes ocupado por Giulia. Isadora deu uma risadinha e aceitou o mimo da amiga.

- É tão...bom, não é? - Perguntou à Nina. - Tudo isso que está acontecendo.

- Sim...É inacreditavel...

As duas deram um pequeno suspiro, mas Nina não se conteve.

- E como você está lidando?

- Com...?

- Com o fato do Romeo ser uma presença constante em sua vida, em sua família. Você já o superou?

Nina preferiu ir direto ao ponto ao invés de fazer rodeios. Não tinha problemas as duas conversarem sobre aquilo ali. Afinal, estavam todos distraídos demais para se preocuparem com o que as duas jovens conversavam. Isadora olhou para a amiga com a expressão um pouco mais séria e fechada.

- Acho que você está andando demais com o Pietro...

- Mas é verdade...

- Bom, eu não tenho parado pra pensar nisso. Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, Nina, a última coisa que eu quero pensar é em como vou lidar com o Romeo.

Comentou seriamente, mas sua resposta não convenceu Nina. A amiga continuava a encará-la com aquele olhar de quem sabe que o outro está mentindo. Mesmo assim, ela deu um sorriso no canto dos lábios e voltou a atenção para a pista de dança.

- Eu não saberia lidar com um primo desses...

Obviamente se referia à beleza de Romeo. E, de fato, ele formava uma imagem belissima ao lado de sua mãe. Isadora também se obrigou a olhar para os dois.

O aperto em seu peito foi forte, quase insuportável. Mas Isadora estava tão feliz pela tia que não pôde evitar um sorriso no canto dos lábios. Sorriso este que Romeo encontrou no instante em que a encarou. Podia ser mal interpretado por conta do momento, mas Isadora não o tirou, pelo menos não à principio. Mas doía tanto encará-lo que seu sorriso morreu a ponto dela desviar o olhar.

- Bom. Vou tomar um ar fresco...por que não vai dançar com Pietro?

- Daqui a pouco, talvez...

Isadora concordou e levantou-se. Saiu de modo bastante discreto, aproveitando que o pai estava distraído, meio de costas para ela. Levou a mão até o braço esquerdo, como se estivesse se abraçando e seguiu até a área externa do restaurante.

A varanda tinha a vista para a praia. Era curioso como Isadora passou a encontrar um pouco mais de paz naquele caos de suas memorias. Fechou os olhos e respirou fundo, sentindo o cheiro da maresia.

Antonella viu que a sobrinha tinha acabado de sair e voltou o olhar para o filho.

- Talvez seja prudente dançar um pouco com o meu ciumento irmão...

Sorriu para o filho.

- Obrigada pela dança, meu amor... - Beijou a bochecha de seu lindo e eterno bebê, sorrindo de modo orgulhoso para ele.

Logo ela caminhou até Lorenzo, apoiando a mão no ombro dele e o mantendo o mais alheio possível à varanda do lugar.

- Que tal você parar de rir do meu futuro marido e dançar um pouco comigo?

- Você quer que eu o humilhe publicamente, Ella-aauch!

Antonella deu um tapa no ombro dele.

- Fale menos, dance mais! Atrevido!!

Pietro deu outra risada por conta da cena e observou o pai e a tia seguindo juntos até onde outros casais já estavam dançando.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Sex Fev 05, 2016 3:40 pm

Embora o jantar de noivado tivesse sido uma comemoração perfeita do amor que unia Benito e Antonella, os convidados mais jovens não pareciam totalmente saciados quando o evento chegou ao fim. Os mais velhos, por outro lado, encararam Pietro com assombro quando o rapaz sugeriu que todos emendassem a noite na boate.

Lorenzo sentia uma vontade quase sufocante de conhecer o novo estabelecimento, mas ainda era cedo demais para seu orgulho admitir que Pietro finalmente tomara jeito, e graças à influência de seu ex-pior-inimigo. E o mafioso também preferia conhecer a boate em uma noite em que não estivesse tão cansado. Já passava de meia noite e Lorenzo realmente não entendia como os jovens ainda tinham fôlego para partirem para um programa tão agitado.

Ao contrário de Lorenzo, os jovens não acharam a ideia nada absurda. Nina obviamente foi a primeira a concordar, já que queria ficar mais algum tempo na companhia de Pietro. Agora que os dois tinham finalmente oficializado um namoro, Nina sentia-se nas nuvens e aproveitava ao máximo cada segundo ao lado do rapaz. E o mesmo poderia ser dito sobre o sentimento de Pietro. Ele demorara a admitir o quanto gostava de Nina, mas agora estava feliz, mesmo sendo um homem “domado”.

Cecilio e Beatrice também toparam alongar a noite. Influenciados pelo outro casal, Enzo e Giulia concordaram com a proposta depois de uma breve conversa. Ainda havia um pequeno abismo entre Enzo e Pietro, mas o primogênito dava o primeiro passo para que aquela distância fosse exterminada. Não havia sentido em continuar brigado com Pietro num contexto em que Romazzinis e Agostinis eram amigos.

Isadora também foi intimada a acompanhar o grupo, visto que ainda não havia conhecido a boate do irmão “em atividade”. Era uma oportunidade perfeita para que ela cumprisse a promessa de conhecer o novo bebê de Pietro. Bastou que Isadora e Nina mandassem uma mensagem para Hugo e o rapaz logo topou encontrá-las lá. Hugo definitivamente não dispensava uma noite de diversão.

Os jovens estavam combinando como ficaria a divisão dos carros até a boate enquanto os convidados mais velhos já se despediam, colocando um fim na noite que só estava prestes a começar na boate de Pietro. Romeo despediu-se dos pais, que pretendiam passar aquela noite especial no apartamento de Antonella, depois voltou para junto de Pietro.

- Eu também já vou, Pietro.

- Para a boate, né? – Pietro completou, estreitando os olhos.

- Para casa. Eu trabalhei o dia todo, estou cansado.

- Fala sério, Romeo! Pare de falar como um velho, isso não lhe cai bem. Todo mundo vai, não seja tão sem graça!

- Eu já conheço a boate. E realmente não tô no clima hoje. A gente combina outro dia.

- Ah, Romeo, por favor! – Nina se meteu ao notar que Pietro estava prestes a desistir – Não precisa virar a noite se está tão cansado, mas pelo menos tome um drinque com a gente. É uma noite especial, até o Enzo concordou em ir.

Romeo tinha uma dificuldade quase patológica em dizer não para uma mulher, mesmo que fosse alguém como Nina, em quem ele não tivesse nenhum tipo de interesses secundários. Mesmo sem a animação necessária, Campanaro acabou concordando em dar uma passada na boate. A ideia era mesmo só tomar um drinque, talvez tirar uma foto e depois voltar para casa.

No fim das contas, Enzo e Giulia seguiram caminho no carro do rapaz. Cecilio também foi no próprio carro, acompanhado apenas pela esposa. Isadora foi de carona com Pietro e Nina, no carro da moça. Aquela era a prova de que Pietro realmente tinha tomado juízo. Mesmo com os lucros da boate nos últimos meses, o rapaz não havia gastado dinheiro num carro. Pietro primeiro estava pagando as dívidas e procurando um apartamento só seu, já que ainda morava de favor com Romeo.

Romeo foi sozinho no próprio carro e foi o último a chegar à boate. Os demais já ocupavam uma mesinha rodeada por um sofá circular e já pediam suas bebidas quando Campanaro chegou.

Romeo já era naturalmente uma presença notável, mas naquela noite chamava ainda mais a atenção usando aquele smoking elegante, que realçava ainda mais o corpo do rapaz. Durante o jantar de noivado, Romeo mantivera os cabelos “domados” com gel e penteados para trás, mas agora os primeiros fios começavam a se rebelar e alguns dos conhecidos cachos do rapaz já se formavam.

Mais do que pelo físico, Romeo chamava a atenção por sua postura. Ele sempre fora bastante seguro de si e agora, com o recente poder adquirido pela sua participação mais ativa na máfia, Campanaro passara a possuir toda uma aura de soberania, como se fosse realmente o dono da última palavra naqueles domínios. E era impressionante como Romeo conseguia exalar aquela superioridade sem parecer hostil. Sem dúvida, ele era perfeito para substituir Benito.

Tão logo entrou na boate, que já estava bem cheia àquela hora da madrugada, Romeo foi cercado por alguns funcionários que imaginavam que o patrão estava ali para resolver algum problema. Com uma expressão simpática, Romeo explicou que era apenas um cliente da boate naquela noite e só então seguiu na direção da mesa onde Pietro concentrava seus convidados de honra.

- Chegoooou! – Pietro provocou o amigo – Podemos começar as rodadas de vira-tequila, já tenho um perdedor garantido.

- Você não parecia tão vencedor na última vez, quando gastou boa parte da manhã seguinte limpando o próprio vômito no banheiro.

- Não me lembre deste desastre! – Pietro fez uma careta – Ok, nada de competições de tequila.

A música obrigava os jovens a falarem um pouco mais alto, mas o volume não estava anormalmente alto e permitia uma conversa agradável. O ar condicionado também deixava o ambiente agradável, mas ainda assim Romeo optou por retirar o paletó do smoking, ficando apenas com o colete preto e a camisa impecavelmente branca.

- Só vou ficar uns vinte minutos. – Romeo falou mais baixo, apenas para Pietro – Eu realmente estou cansado e tenho uma reunião amanhã de manhã.

- Sim, vovô. – os olhos de Pietro giraram – Relaxe, você vai poder dormir o resto da noite. Eu vou pro apartamento da Nina hoje.

- Ótimo. Vocês dois não são muito silenciosos.

- Controle o seu recalque, primo. Não tenho culpa se a minha noite promete ser bem mais interessante que a sua. Beeeeeeeem mais!
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Sex Fev 05, 2016 7:19 pm

Os oitos jovens destoavam bastante do resto do ambiente. Além de serem anormalmente lindos e poderosos, ainda estavam vestidos daquela forma, extremamente elegantes e exuberantes para um jantar de gala. Obviamente que a mesa se destacou naquela área VIP.

Hugo foi o último a chegar e fez uma cara de espanto ao olhar para todos eles vestidos daquela forma.

- Nossa, Isadora, você foi tão gentil em me avisar para vir que nem pobre! Bicha ruim!

Eles deram uma risada do comentário do rapaz enquanto ele beijava o rosto da amiga e cumprimentava os outros com apertos de mãos e "tchauzinhos". Enzo, Giulia e Isadora, sentados nessa ordem, se espremeram um pouco mais e Hugo se sentou em frente a Romeo, que era seguido por Pietro, Nina, Beatrice e Cecilio, mais centrais. Quando o rapaz olhou para Romeo, ele chegou a ruborizar.

- Pelos deuses...Estou morrendo de calor.

Resmungou baixo, mas Nina tinha entendido a palhaçada dele. Isadora meneou negativamente, virando a cabeça para o outro lado, mas também estava com um pouco mais de calor desde que Romeo tinha tirado aquele smooking e ficado apenas com a blusa branca e o colete.

A verdade era que o rapaz estava cada dia mais atraente, ainda mais depois de ter assumido aquele cargo tão importante na familia Agostini. Ao contrário do que tinha dito à Nina, ela não estava sabendo bem como lidar com aquilo.

- Para sua informação, a gente bem que preferia usar roupas mais simples. É dificil dançar com um vestido longo assim.

- Pfff..Bitch, please. Não me diga que não vai dançar só por conta da saia grega.

- Estou meio cansada também.

- Nossa, que velha. Vamos, Isadora, não saí da minha casa nesse horário pra ficar sentado olhando pra vocês como se fossem da realeza e eu um mero plebeu. Vambora.

Hugo levantou-se e começou a arrastá-la pelo pulso. Logo começou a chamar todo mundo também. Ele só não insistiu com os casais casados porque não tinha tanta intimidade assim com eles. Mas com os outros, ele não saiu até que todos estivessem de pé e dispostos a dançarem uma musica ou duas ou todas no meio da pista de dança.

Para um bissexual, Hugo tinha bastante desenvoltura na pista de dança. Ele dançava muito, muito bem, não de forma elegante, mas parecendo mais um dançarino de uma diva POP e não era dificil imaginá-lo como tal. Isadora também dançava bem e os dois formavam uma dupla e tanta. Naquela noite era engraçado o contraste, mas ele foi capaz de tirar algumas risadas da amiga.

Pietro e Nina estavam dançando também, puxando Romeo e ainda o mantendo afastado de Isadora, em respeito aos dois.

Logo começou a tocar uma musica impossivel de ficar parado e os dois amigos tinham uma coreografia pronta. Nesse instante ficou claro para os gaviões de plantão que Hugo não era nenhum problema ou obstáculo sério para se aproximarem da bela jovem de longo vestido lilás. Porque Hugo simplesmente virou um Dálmata de tanta pinta que deu, principalmente ao dublar a musica.


Isadora deu uma farta gargalhada e ainda estava brincando com o amigo até que num determinado giro, ela viu algo que não gostou nem um pouco.

Já era sabido que Romeo chamava bastante atenção de todos que passavam, mas naquele instante, a pista meio que se abriu e eles estavam se encarando quando uma mulher interrompeu o contato dos dois e começou a se aproximar de Romeo.

Era belissima jovem de cabelos loiros e lisos, caindo até a cintura. Ela tinha uma postura de mulher e não apenas de garotinha e era bastante decidida a ponto de se aproximar de Romeo num silencioso convite para dançarem juntos.

Isadora parou os passos e Hugo esbarrou no ombro dela.

- Eita! O que foi?!

Hugo perguntou e os olhos de Isadora estavam meio marejados.

- Ahm...Só vi algo que não gostaria de ter visto.

A mulher tinha um alto nivel de sedução e soube atrair Romeo do meio para o fim da dança. Isadora estava praticamente bufando de raiva e interrompeu a propria diversão, saindo da pista de dança para que não visse mais aquilo. Foi até o bar no centro da boate e esperou pela sua vez.

- Você não deveria ficar assim, sabe? Porque...você foi a primeira a dizer que estava fora, que não queria mais nada com ele. Por que não admite logo que se arrepende?

- Porque é dificil pra mim! E seria muito mais fácil esquecer o Romeo se ele não fosse parte da minha familia. Mas ele é!

- Então, miga...Supera, mona. Ou você vai lá e arranca aquela vadia de perto dele ou você simplesmente olha discretamente..DISCRETAMENTE para trás, sorri para o gostoso que está atras de você e se joga...

Isadora pegou um guardanapo, secando a lágrima que quase rolou de seu rosto e começou a se virar discretamente na direção do par de olhos que a encarava. Hugo não tinha mentido quando disse que o rapaz era gostoso.

Ele era bem bonito mesmo e o sorriso perfeito dele fez Isadora dar um sorriso no canto dos lábios, meio sem saber o que fazer.

Depois de Romeo, ela tinha esquecido como se flertava. E aquele rapaz não era dali, porque seu rosto seria simplesmente impossivel de ser esquecido. Quando olhou na direção de Hugo, viu que estava sozinha de novo.

O amigo tinha saído depois de ver as bochechas de Isadora corando para aquele rapaz maravilhoso. Agora ele voltava pelo mesmo caminho que tinha levado até o bar. Isadora o procurou com o olhar e logo o caminho aberto por Hugo, revelou Romeo ouvindo algo que a mulher sussurrava ou gritava ao pé de seu ouvido.

Em contra partida, Romeo também olhou na direção do bar, encontrando Isadora segurando algo em sua mão enquanto um vistoso homem se aproximava dela. Isadora o encarava fixamente, até que desviou o olhar e forçou um sorriso para o rapaz que se apresentava, trocando um beijo no rosto dela.

Era o tipo de conquistador nato, porque ele podia identificar no homem algumas manhas que ele também tinha. Manhas que tinham atraído Isadora e agora eram usados por outro homem para atraí-la.

O rapaz se chamava Rafael pelo que Isadora tinha entendido.

E a mulher se chamava Isabella.

Isadora sorriu para Rafael, mas olhou para Romeo de novo. Os dois se encararam até que as pessoas entraram no meio e eles não conseguiram mais se ver. Mesmo assim, a jovem Romazzini continuou esticando o pescoço, meio que ignorando o bonito rapaz para ver o que diabos Romeo estava fazendo.

Rafael deu uma risada meio sem graça e Isadora o encarou com as bochechas coradas.

- Eu sinto muito, Rafael, você é lindo, mas...desculpa...

E ela nem ao menos disse o seu nome antes de se levantar.

Porque Isadora podia ser uma trouxa e encontrar Romeo aos beijos e agarros com a bela loira. Mas ela não podia trair o proprio coração e não havia nada que ela desejasse mais do que eliminar aquelas pessoas e olhar pra ele de novo.

Isadora se enfiou entre os festeiros, até que a musica mudou para Calvin Harris. As pessoas pararam por um tempo e Isadora olhou para os lados e esbarrou em alguém.

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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Sex Fev 05, 2016 8:35 pm

Era nos braços de belas mulheres como Isabella que Romeo tentava esquecer o seu passado com Isadora. Como era um rapaz extremamente atraente e possuía aquele inegável charme natural, não era difícil para Campanaro colecionar conquistas com mulheres daquele nível.

O único problema era que seu coração não se saciava tão facilmente como o restante de seu corpo. A cada conquista Romeo tinha a impressão de que ficava mais vazio e que a ausência de Isadora em sua vida se tornava ainda mais dolorosa.

Apesar desta incômoda sensação, Romeo não pretendia desistir. Se aquele era o seu destino, Campanaro estava disposto a encarar aquela vida vazia e a colecionar dezenas de mulheres para tentar ocupar o vazio deixado por apenas uma. O problema era que era difícil fazer isso sabendo que a dona do seu coração estava tão perto, há apenas alguns passos de distância.

Isadora tinha massacrado os sentimentos dele sem a menor piedade. O orgulho de Romeo estava ferido demais e o rapaz estava disposto a nunca mais se rebaixar por ela. Ficar com aquela belíssima loira diante dos olhos de Isadora seria uma vingança perfeita, mas Campanaro sentia-se incapaz disso. Pela primeira vez na vida, ele se sentia completamente travado diante de uma mulher bonita. Tudo porque Isadora estava por perto. Porque a simples presença dela fazia com que todas as outras mulheres daquela boate perdessem a graça por completo.

Se Romeo já se sentia inquieto, uma fera foi despertada dentro dele quando seus olhos – que buscavam insistentemente por Isadora – avistaram um predador se aproximando dela.

Campanaro reconhecia as táticas do outro rapaz porque ele próprio dominava várias delas. Aquela postura dominante, o sorriso desconcertante, o olhar intenso... Isadora havia se rendido ao charme de Romeo e era por isso que ele temia que a garota novamente se deixasse levar, mas agora por outro homem.

Por mais que já tivesse tentado se convencer de que o relacionamento acabara e que Isadora logo reconstruiria a vida com outra pessoa, Romeo não estava preparado para ver isso acontecer bem debaixo do seu nariz.

Quando a aglomeração de pessoas cortou o contato visual dele com o bar, Romeo sentiu um forte aperto no peito. Era como se ele estivesse perdendo Isadora novamente, como se vê-la com outro homem fosse a última pá de terra que soterraria a história dos dois.

Romeo só percebeu que a loira havia feito uma pergunta a ele quando a moça segurou seu rosto com as duas mãos e praticamente o obrigou a encará-la. Isabella era anormalmente bonita, tinha um rosto perfeito, um corpo cheio de curvas que não seria dispensado por nenhum homem. Mas, naquele momento, Romeo só queria que ela explodisse para que mais nada atrasasse seu caminho até Isadora.

- Eu perguntei se você não gostaria de ir para um lugar mais reservado... está muito tumultuado aqui, mal conseguimos conversar!

O olhar malicioso de Isabella mostrava que a última coisa que ela pretendia fazer em um lugar mais reservado era conversar. Aquele era um convite que Romeo não recusaria se estivesse sozinho. Mas naquela noite, sua prioridade era garantir que Isadora não caísse em outros braços.

- Desculpe, mas já tenho outros planos.

Sem maiores explicações, Romeo se desvencilhou dos braços de Isabella e começou a abrir caminho entre as pessoas que se acumulavam na pista de dança. Enquanto seu coração batia de forma acelerada e dolorida, seus passos o levavam até o balcão onde ele vira Isadora pela última vez, e a grande verdade era que Romeo não sabia o que ia fazer.

Isadora era livre e tinha todo o direito de ficar com o rapaz que quisesse. Seria patético se Romeo fizesse uma ceninha, bancando o ex-namorado frustrado que não superava o término do relacionamento. Mas ele também não podia simplesmente cruzar os braços e fingir que era indiferente à situação. Aquele instinto conseguia ser ainda mais forte que o seu orgulho.

Mesmo correndo o risco de ter o coração novamente estraçalhado, Romeo se manteve firme na decisão de procurar por Isadora. Graças à altura do rapaz, seus olhos azuis escuros alcançaram o balcão de bebidas ainda do meio da multidão. Nem Isadora e nem o rapaz que flertava com ela estavam mais naquele ponto. Podia ser um bom sinal, mas também podia significar uma tragédia. E se Isadora tivesse aceitado a proposta de ser levada para um ponto mais reservado da boate?

O coração de Romeo já batia dolorido com aquela possibilidade quando alguém esbarrou em seu braço. Antes mesmo de vê-la, Campanaro reconheceu o perfume dela. A mesma fragrância que nunca saíra de sua memória. Isadora não estava nos braços de outro homem. Ela estava bem ali e seus olhos aflitos pareciam procurar... por ele.

Um sorrisinho de satisfação brotou nos lábios de Romeo e ele não hesitou antes de agarrar o pulso de Isadora com firmeza, impedindo que ela seguisse caminho pela pista de dança. Quando a garota se virou para a pessoa audaciosa que se atrevia a segurá-la daquela maneira, deu de cara justamente com o rosto que procurava desesperadamente na multidão.

- Eu estou bem aqui, Isadora.

A voz de Romeo ficou abafada pela música alta, mas Isadora não teria dificuldade em ler aquelas palavras nos lábios dele, até porque seus olhos buscaram a boca de Romeo, como se estivessem hipnotizados. O rapaz ainda possuía aquele poder de tirar Isadora de órbita ao pronunciar o nome dela daquela maneira provocante.

Naquele instante, não havia mais espaço para mágoa, para orgulho ferido ou para as acusações do passado. Os dois não conseguiam mais esconder a paixão e as saudades que sentiam um do outro.

Sem se preocupar com quem pudesse estar por perto, Romeo assumiu o papel de predador quando deslizou os braços pela cintura da garota, puxando-a com firmeza para junto do seu corpo. Quando se chocou contra o peito dele, Isadora já tinha os lábios entreabertos, desejosos por um beijo.

Romeo se deliciou com a bela imagem dela e com os dentinhos expostos antes de se render à tentação.

Sem dúvida, os dois formavam uma imagem única naquela noite e se destacavam na pista de dança lotada, tanto pelos trajes elegantes quanto pelo beijo apaixonado que protagonizavam.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Sab Fev 06, 2016 1:26 pm

Ao esbarrar naquele corpo rígido, Isadora também experimentou a sensação de reconhecimento. O perfume de Romeo misturado ao dela fazia uma essência única e ambos puderam sentir esse cheiro no primeiro contato atrapalhado, no meio daquela confusão. Mesmo assim, a expressão de Isadora se fechou quando teve seu braço agarrado. E quando se virou para encarar aquela pessoa tão audaciosa, deparou-se com a criatura mais ousada do mundo.

A única que mesmo com toda sua ousadia, era capaz de trazer os mais belos sorrisos aos lábios e olhos da jovem Romazzini.

Isadora sentiu o coração bater nos ouvidos quando se deparou com Romeo. Ele ainda a segurava pelo pulso, mas se aproximou. Os olhos azuis cristalinos estavam hipnotizados por aqueles saudosos lábios.

E assim que ele falou, ela abriu um sorriso que ao mesmo tempo era encantado e encantador.

Nada mais precisava ser dito e assim como o rapaz, a jovem ignorou o lugar e os olhares. Colou o corpo ao de Romeo e teve seus lábios tomados pelos dele. Ou talvez ela tivesse beijado primeiro. Na verdade, não importava. Não agora.

Tudo o que eles precisavam era daquele momento.

Era curioso ver aquelas duas figuras esbeltas e elegantes, trocando um beijo de tirar o fôlego, no meio da pista de dança de uma das boates mais badaladas e ricas da Sicilia. No entanto, quem via, realmente gostava.

O beijo deles era cativante, meio devorado também, mas suculento, apaixonado e...saudoso.

Os longos dedos de Isadora se perderam nos cachos dele enquanto o abraçava e ficava na ponta do pé do sapato de salto alto para poder se agarrar ainda mais a ele. Como se ele fosse sua única salvação. O que de fato era.

Felizmente eles estavam bem misturados à pista de dança e os irmãos mais velhos não tinham aquela visão privilegiada. Diferente de Pietro, Nina e Hugo.

Hugo, aliás, passou pelos dois de boca aberta e bateu palmas enquanto se aproximava de Pietro e Nina.

- O-kay...Eles vão se engolir ali.

- Nossa, você é tão vulgar. É um beijo apaixonado, Hugo.

- Eu dou beijos apaixonados, Nina. Aquilo ali é fome! Desculpa, Pietro.

Pietro revirou os olhos com o diálogo daqueles dois.

- Vocês podiam parar de palhaçada e pensar na desculpa que daremos.

- A de sempre, né? Ela vai pra minha casa... - Hugo revirou os olhos, como se estivesse farto daquela desculpa. - Se bem que ela é tão manjada que nem sei como ainda acreditam.

Nina deu uma risada e eles se cutucaram quando Isadora e Romeo finalmente afastaram os lábios para se encararem.

Romeo acariciou a maçã do rosto de Isa e depositou um delicado beijo em sua testa. Isadora fechou os olhos e o abraçou pelo pescoço, fechando os olhos como se pudesse aproveitar o abraço com mais intensidade desse modo. Romeo também fechou os olhos e os dois se mantiveram abraçados no meio da pista de dança até o fim daquela musica.

- Por que mentir...? - Pietro suspirou. - Bom, eles que decidam o que vão fazer.

- Fugir, ao que parece...

Hugo comentou e quando Pietro olhou para a pista de dança de novo, viu que Romeo já estava puxando Isadora pelo pulso e ela até chegava a levantar um pouco o vestido para conseguir correr direito. Eles carregavam sorrisos travessos e Pietro massageou a têmpora.

- Eu o chamaria de filho de uma putana se a mãe dele não fosse minha tia.

- Diga que eu já fui. Vou me esconder no seu bar e pegar uma bebida de graça.

- Nem pensar.

- Só uma garrafa, Pietro.

- Uma dose.

- Nossa, seu pão duro...

- Isso se chama administração!

Hugo revirou os olhos e se escondeu na multidão também. Pietro e Nina retornaram até a mesa e disseram a Enzo e Giulia que Hugo passou mal e Isadora foi levá-lo em casa. Provavelmente ficaria lá com o amigo, já que ficaria tarde para que voltasse sozinha.

Enzo não gostou muito daquela história, mas engoliu bem. Pietro ainda conseguiu enrolar o irmão por alguns minutos, tempo o suficiente para que Cecilio também perguntasse de Romeo. Pietro contou que Romeo foi visto com uma loira e já deve ter ido embora também.

Aquela conversa que não levaria a lugar nenhum apenas servia para que o casal fugitivo conseguisse sair mesmo da boate. E Pietro, assim como Hugo, esperava que eles realmente saissem dali ou todos teriam que se explicar. Vinte minutos depois, Enzo e Giulia decidiram ir embora. Apesar de terem se divertido bastante ali e gostado do que viram, eles estavam numa vibe diferente e sentiam que sua época de badalação tinha ficado para trás.

Cecilio e Beatrice também foram embora.

No instante que os carros deles bateram, a porta do apartamento de Romeo também foi batida, com o impacto do corpo de Isadora.

Romeo tinha dirigido feito um louco até o próprio apartamento e os dois estavam zonzos pelas curvas e barbeiragens que ele havia feito. Isadora arregalou os olhos quando a porta bateu com tanta força, mas os dois logo começaram a rir até que o rapaz eliminou toda e qualquer distancia que havia entre eles.

Eles se encararam intensamente até que a risada sumiu e os lábios se aproximaram de novo. Romeo segurou o rosto dela com as duas mãos e Isadora fechou delicadamente os olhos, preferindo sentir tudo o que eles poderiam ter naquele momento.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Sab Fev 06, 2016 8:09 pm

Era um milagre que Romeo tivesse conduzido a moto até seu apartamento sem causar nenhum acidente pelo caminho. O rapaz não havia bebido mais que um gole de um drinque da boate, mas era a simples presença de Isadora que o deixava inebriado. Sentir os braços dela rodeando seu tronco era uma distração e, ao mesmo tempo, era uma tentação que fazia com que Romeo tivesse ainda mais pressa para chegar ao seu destino.

A moto parou na garagem do mesmo prédio que Isadora já conhecia. Mesmo que agora fosse um filho reconhecido de Benito Agostini e que tivesse herdado a liderança da famiglia, Romeo continuava morando naquele apartamento mais simples. Campanaro sempre gostara da liberdade e da privacidade que tinha ali e não suportava a ideia de morar em uma mansão onde todos os seus passos seriam vigiados por funcionários e câmeras de segurança.

Quando os dois entraram no elevador, foi visível que tentaram se conter por causa da câmera que captava as imagens de quem entrava e saía do prédio. Inicialmente, Romeo e Isadora pareciam apenas um casalzinho comum quando entraram no elevador de mãos dadas. O rapaz apertou o botão do nono andar e as portas se fecharam vagarosamente.

Foi então que o calor se tornou sufocante. Romeo estava se sentindo quase febril tamanho era o esforço de se segurar. A maneira como Isadora comprimia os lábios e segurava o riso mostrava que a garota compartilhava do mesmo sentimento torturante.

- Romeo!

Os olhos da garota se arregalaram quando Campanaro a cercou daquele seu jeito dominador. As bochechas de Isadora adquiriram um agradável tom rosado, mas ela não tentou lutar contra os braços que a puxaram com firmeza.

- A câmera! – foi a única coisa que Isadora conseguiu murmurar enquanto recebia uma trilha de beijos quentes pelo pescoço.

- Que se dane. Vamos tornar a noite do porteiro mais divertida...

De fato, o porteiro assistiria a uma cena única se estivesse vigiando a câmera de segurança do elevador. Não aconteceu nada além de um beijo, mas fora um beijo intenso, sufocante e completamente apaixonado. Sem dúvida, era só a entrada do espetáculo que estava presentes a acontecer no nono andar.

Os dois praticamente tropeçaram para fora do elevador quando as portas se abriram no nono andar. Romeo vasculhou os bolsos em busca da chave quando pararam em frente ao apartamento 902 e, em poucos segundos, Isadora se viu novamente no interior do imóvel.

Poucas coisas tinham mudado desde a última visita dela ao local. Os móveis eram os mesmos e somente uma mente feminina muito detalhista perceberia que Romeo mudara uma coisinha ou outra na decoração.

Um dos detalhes que talvez não passasse despercebido eram os porta-retratos. Agora havia uma bonita foto de Romeo e Benito exposta num dos móveis da sala. Ao lado do telefone, onde anteriormente o rapaz colocara um retrato de Isadora, agora havia apenas um porta canetas de metal.

O apartamento também deixava claro que Romeo continuava bastante desorganizado. Havia um par de sapatos jogado no tapete da sala, uma pilha de papeis sobre a mesinha de centro e na pia da cozinha – que era separada da sala somente por um balcão – havia louça acumulada há dois dias. Romeo já estava acostumado com a bagunça e Pietro era tão desorganizado quanto o amigo. Os dois eram colegas de quarto perfeitos!

Antes que Isadora pudesse reparar mais detalhes do apartamento, contudo, Romeo a prensou contra a porta fechada. O impacto a pegou desprevenida e causou um barulho inesperado, que arrancou risadas dos dois.

O clima de descontração se tornou novamente apaixonado quando as risadas foram cessadas com mais um beijo de tirar o fôlego. Enquanto os lábios e as línguas dos dois trabalhavam avidamente, Romeo levou as mãos até os cabelos de Isadora, libertando-os daquela trança grega. Quando os fios escuros ficaram livres e espalharam pelo ambiente o perfume que ele já conhecia tão bem, os dedos de Romeo deslizaram pelos cachos macios.

Ao mesmo tempo em que o beijo se tornava cada vez mais lascivo, as mãos de Romeo balanceavam a situação buscando por toques cuidadosos e carinhosos. A forma como Campanaro tratava Isadora deixava claro que ele a desejava com loucura, mas que também havia uma generosa dose de amor e zelo em cada um dos seus gestos.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Dom Fev 07, 2016 5:52 pm

Os dois sabiam que não se tratava apenas de desejo. O que unia os dois era algo que ultrapassava os limites da carne, realmente transcendental. Aqueles meses de distanciamento foi uma verdadeira tortura para os dois lados, mas nem mesmo o ego e o orgulho deles foram capazes de abafar o sentimento que os unia.

Isadora sentia-se febril por conta daquele beijo, da mesma forma como Romeo tinha ficado minutos atrás. Os dedos dela passaram carinhosamente pelos cachos dele enquanto os lábios realizavam trocas perfeitas, numa dança apaixonada e harmonica.

O fôlego precisou ser restaurado e eles diminuíram o ritmo até que o beijo se transformou num gostoso roçar de lábios. Isadora passou a lingua de leve pelos proprios lábios e ousou abrir os olhos para encará-lo por um instante. Uma mão continuava em sua nuca enquanto a outra se agarrava ao colete do rapaz. Romeo também a encarava de modo intenso e deu um beijo na ponta do nariz arrebitado dela, trazendo um novo sorriso para os lábios da jovem.

Chegou a abrir os lábios para falar, mas Romeo levou o indicador até os lábios dela, roçando a pele de leve nos dentinhos salientes.

- Shhh...

O Don Agostini fechou os olhos, meneando negativamente.

Não era momento para que eles falassem nada. Nada de bom tinha saído da última vez que eles tinham tentado se comunicar daquela forma. Se eles queriam pedir perdão e perdoar, era melhor que o fizessem da melhor maneira possível: deixando que seus corpos falassem por si só.

Isadora meneou positivamente e logo eles uniram os lábios uma vez mais.

Romeo se curvou um pouco, passando a mão pela saia do vestido dela, subindo de novo, deixando as pernas nuas. Tudo para que realizassem uma manobra bastante conhecida pelos dois. Num piscar de olhos, ele já tinha as pernas de Isadora ao redor de seu quadril. O corpo dela foi prensado contra a porta de novo e ele desceu um beijo mais provocante pelo pescoço dela, gastando um bom tempo naquela região.

Ela podia sentir que desfaleceria por conta dos toques e beijos que trocavam.

Obviamente que isso não aconteceria, não enquanto não estivessem completamente saciados um do outro.

Romeo seguiu até seu quarto, deixando que Isadora fechasse a porta depois que eles entraram. Eles começaram a tirar lentamente suas roupas, despindo-se de orgulho, ego, cargo, nomes...Seriam apenas dois jovens saudosos e apaixonados. Apenas tudo o que precisavam naquela noite. Naquele momento sublime.

O Don sentou-se na cama, puxando Isadora para seu colo. Ela sentou-se de frente para ele, encarando-o fixamente. As mãos de Romeo deslizavam e apertavam, reconhecendo aquele corpo que tanto amava. E Isadora sorria.

Eles aproximaram os lábios de novo, roçando a ponta do nariz um do outro e o beijo mais apaixonado e lascivo de todos surgiu, iniciando aquele momento de intimidade, aquela dança que eles conheciam tão bem.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Ter Fev 09, 2016 7:49 am

Romeo tinha prometido para si mesmo que Isadora Romazzini ficaria somente no seu passado. Depois de correr tanto atrás dela e ser sistematicamente desprezado, o rapaz estava decidido a restaurar o próprio orgulho. Sua maior determinação era esquecer Isadora e abafar o amor que sentia por ela.

Mas bastaram alguns olhares e um beijo para que Romeo jogasse para o alto todos aqueles planos racionais e mergulhasse de cabeça naquela paixão.

Era notável que Isadora tinha mudado. Antes ela era uma garota inocente, que parecia não ter noção do quanto era bonita e atraente aos olhos masculinos. Agora, a caçula dos Romazzini abusava da própria sensualidade. Seus olhares intensos, os toques, os beijos e os sorrisos provocantes deixavam Romeo completamente fora de si. Ele havia criado um monstro, mas não se arrependia nem um pouco de sua obra.

Definitivamente, não era uma boa hora para conversar. Uma única palavra escolhida equivocadamente seria o bastante para estragar a magia daquele momento. Além disso, não parecia haver razão para conversar. Os corpos falavam por eles com uma perfeição que nenhum vocabulário jamais atingiria.

Foi num gesto inconsciente que Romeo ergueu a saia do vestido da garota. Aquele momento não seria perfeito se eles não pudessem repetir a manobra que tanto gostavam. Um sorriso bobo foi estampado nos lábios do rapaz quando ele sentiu as pernas de Isadora enlaçando com firmeza o seu quadril. Romeo não saberia explicar com palavras como havia sentido falta daquele contato.

Sem muita delicadeza, Isadora foi novamente prensada contra a parede. Romeo colou o corpo ao dela, mantendo-a presa ali. Para recompensar a garota, os lábios dele abriram uma trilha de beijos provocantes pelo pescoço dela, deliciando-se com a pele macia e com o perfume que Romeo já conhecia tão bem.

Antes que a ansiedade estragasse tudo, Romeo recuperou um pouco da sanidade a tempo de levar Isadora até seu quarto. Ainda nos braços dele, foi a garota que fechou a porta, empurrando-a com a pontinha do pé.

Embora ambos estivessem famintos, eles não tiveram pressa enquanto arrancavam as roupas um do outro. Cada centímetro de pele exposta no corpo de Isadora ganhava um beijo ou um toque. Romeo fazia questão daquela sensação de que Isadora pertencia a ele por completo, que cada pedacinho do corpo dela já havia sido tocado.

Embora o vestido escolhido por Isadora para aquela noite lhe caísse muito bem, nada superava a beleza de seu corpo despido. E o olhar encantado que Romeo lançou à garota falava aquilo por ele.

Quando se sentou na cama e puxou Isadora para mais um beijo, Romeo não imaginava que eles começariam assim, naquela posição. Foi no meio daquele beijo lascivo que partiu de Isadora a iniciativa de começar logo aquela dança que os dois já conheciam tão bem.

A surpresa e a prazerosa sensação proporcionada por aquele encaixe exato fez com que Romeo soltasse um suspiro deliciado, sem interromper o beijo. Suas mãos apertaram a cintura de Isadora com mais firmeza antes que seus dedos descessem para os quadris da moça, ajudando-a na execução daqueles movimentos perfeitos.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Ter Fev 09, 2016 11:33 am

O quarto de Romeo já tinha sido palco de cenas como aquela. Não foram poucas vezes que Isadora fugiu para o apartamento do rapaz e passou uma tarde de amor com ele. No entanto, aquele lugar nunca testemunhou um momento tão sublime quanto aquele.

A saudade alimentada pelos meses de separação foi um combustível a mais para que eles se amassem até a exaustão. Foi necessário muito esforço de ambos os lados para que o corpos ficassem completamente saciados da falta que sentiram do outro. Assim como Isadora surpreendeu em alguns momentos, Romeo surpreendeu pelo vigor elevado daquela noite. Eles não se cansavam e posições que encontravam eram realmente lindas.

Certamente dariam belos quadros e esculturas nas mãos de habilidosos e audaciosos artistas.

Inicialmente, Romeo abrira mão daquele seu lado mais dominador, que gostava de prender os pulsos de Isadora. Ele se submeteu à dominação de Isadora e não se arrependeu do processo. Ela tinha sido uma boa aluna e sabia exatamente o que fazer para provocá-lo, atiçá-lo e tirar o melhor do momento.

No entanto, durante a dança deles, Romeo voltou a assumir sua posição de controle e levou Isadora à loucura.

Era muito bom ter a casa só para eles para que pudessem expressar todo o ardor do momento. Nunca que eles poderiam agir daquele modo na mansão dos Romazzini ou até mesmo com a presença de Pietro no apartamento.

Os dois puderam se amar sem limites, sem pudores.

A madrugada já era alta quando eles começaram a relaxar.

A pele ligeiramente bronzeada dos dois brilhava mais por conta do suor e do esforço. Os cachos de Isadora formavam uma excitante e bagunçada moldura em seu rosto. Os de Romeo não eram diferentes e ela não poupou esforços ao puxá-lo e agarrá-lo durante o ato.

A jovem estava de bruços, com a cabeça virada na direção dele. Romeo deitou-se de lado, com o tronco exposto e o braço servindo de apoio para sua cabeça. Deu um sorriso cinico para ela e colocou uma mecha de cabelo atrás de sua orelha.

Isadora suspirou, sorrindo delicadamente e logo se arrastou um pouco mais na cama, seguindo até ele.

Mesmo cansados, eles ainda aproveitavam aqueles minutos antes do sono dominá-los para demonstrarem carinho.

E foi isso que Isadora fez ao se apoiar no peitoral dele e beijá-lo de modo carinhoso. Romeo a recebeu em seus braços e correspondeu ao beijo, como não podia ser diferente.

- Eu senti tanto a sua falta...

Ela sussurrou, passando a ponta do nariz no dele.

- Fui tão tola...Espero que isso nunca mais se repita...

- Eu também espero por isso...

Ele disse dando um sorriso suave enquanto passava os dedos delicadamente pela cintura dela.

- Eu te amo, Romeo...

Isadora falou ainda o encarando com as bochechas coradas. Deu um sorriso e foi correspondida por um belo sorriso do jovem Don Agostini.

- Eu também te amo, Isadora...

O sorriso de Isadora aumentou porque ela adorava a forma como ele pronunciava seu nome. E Romeo adorava o modo como ela sorria.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Qua Fev 10, 2016 7:54 am

Aquela noite de amor mostrou aos dois jovens que, apesar de toda a crise enfrentada nas últimas semanas, o amor que os unia havia sobrevivido. E aquilo provava que não era só uma atração passageira ou a empolgação por uma relação proibida. Mesmo depois que tentaram viver separados, Isadora e Romeo caíram novamente nos braços um do outro.

O único detalhe diferente naquela noite foi o fato de Isadora não precisar voltar correndo para casa. Pela primeira vez, os dois puderam passar uma noite inteira juntos, sem medo de serem pegos em flagrante e sem nenhuma preocupação com o relógio.

Como de costume, os olhos de Romeo se abriram nas primeiras horas da manhã. Por mais cansado que estivesse, o rapaz já estava acostumado a acordar cedo e não conseguia alongar o sono por muitas horas, mesmo se quisesse.

Naquela manhã, Romeo se permitiu ficar na cama por alguns minutos a mais, apenas admirando a beleza do sono inocente de Isadora. A caçula dos Romazzini era um poço de orgulho, mas ali, entregue aos sonhos, parecia ser apenas uma princesa indefesa. A princesa de Romeo.

Com cuidado para não acordá-la, Romeo deslizou para fora do colchão. Era uma visão única ter Campanaro caminhando pelo quarto usando nada além de uma boxer preta. Ele tinha o corpo perfeito e muito bem cuidado. Ironicamente, até mesmo as cicatrizes contribuíam para deixá-lo com uma aparência mais máscula e atraente.

Depois de uma noite como aquela, já era de se esperar que Romeo estivesse se sentindo muito bem disposto. Seu corpo estava saciado, mas pedia por mais adrenalina. Para não interromper o sono angelical de Isadora, Campanaro resolveu aquele impasse vestindo uma calça de moletom, uma camiseta confortável e saindo para correr.

Qualquer um estaria mais preguiçoso depois de uma noite agitada como aquela, mas Romeo demonstrou uma energia invejável. Sua corrida durou quase uma hora e o rapaz se sentia ótimo quando retornou ao apartamento.

A risada foi inevitável quando Romeo entrou novamente no quarto e encontrou Isadora ainda profundamente adormecida. Todo o sono que faltava nele parecia transbordar na garota.

- Agora já chega.

Isadora despertou assustada e soltou um gritinho quando foi arrancada da cama. Ela ainda tentou se debater, mas se derreteu como manteiga quando Romeo deslizou os lábios pelo pescoço dela enquanto a carregava até o banheiro.

- Você está suado. – a voz da garota murmurou.

- Desculpe.

- Quem disse que foi uma reclamação?

Isadora lançou um daqueles sorrisos maliciosos ao rapaz, fazendo um arrepio percorrer a coluna de Romeo. Os problemas dos dois foram resolvidos da mesma maneira, sob o chuveiro. A água levou embora o suor de Romeo e o sono de Isadora, e é claro que eles aproveitaram aquele banho para repetirem as melhores cenas da última noite.

Por sorte, quando a porta do apartamento se abriu e Pietro entrou, o casal já estava numa cena apresentável. Ou quase. O rapaz lançou um olhar de reprovação à irmã quando a encontrou na cozinha, com os cabelos molhados e usando como “vestido” uma das camisetas de Romeo.

- Meus olhos sangram. Eu preferiria ter morrido sem ver isso, sabia?

- Você não viu nada, Pietro. – Romeo, usando apenas uma bermuda, comentou enquanto terminava de preparar o café na pia da cozinha – Seus olhos sangrariam de verdade se você tivesse chegado há uns quinze minutos.

- Dio santo, me poupem dos detalhes! Que saudades de quanto a Isadora era uma criança que só queria brincar!

- Ela ainda “brinca” muito bem.

- EU VOU DAR UM TIRO NA SUA CARA, CAMPANARO!

Romeo soltou uma risada antes de decidir parar com aquela implicância. O cheiro de café já se espalhava pela cozinha quando Romeo colocou três canecas sobre o balcão. Pietro ainda estava emburrado e enciumado quando aceitou aquele convite mudo e se sentou num dos bancos altos diante do balcão que servia como mesa da cozinha.

- E então? – Pietro precisou ser mais direto quando a irmã e o primo o encararam com idênticos olhares de confusão – Depois de tudo isso, acho que não faz mais sentido vocês continuarem fingindo que não se gostam.

O rapaz tomou um gole de café e abriu um sorrisinho debochado ao se virar para a Isadora.

- Quando você pretende contar para o seu pai, gordinha? Eu gostaria de saber quais palavras você pretende usar para contar a ele que a sua doce caçulinha está dormindo com o novo chefe dos Agostini, que por sinal é sobrinho dele, e coincidentemente é também o ex-segurança que traiu a famiglia. – Pietro alargou o sorrisinho maldoso – Se eu fosse você, Campanaro, começaria a fugir desde já.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Qua Fev 10, 2016 1:57 pm

Era a típica cena de comercial. O casal jovem e feliz trocava um longo e carinhoso beijo no meio da cozinha enquanto preparavam o café da manhã. O cheiro era gostoso - tanto o deles que exalavam o sabonete de Romeo - quanto do café. O cabelo de Isadora estava preso num coque mal feito e molhado, mas que caía tão bem quanto a blusa de Romeo que ficou um pouco mais curta quando eles se abraçaram.

Foi essa cena apresentável, mas desconfortável que Pietro pegou quando chegou em casa.

Isadora afastou os lábios dos de Romeo, olhando para trás e se deparando com o ciumento irmão. O sorriso veio aos lábios dela junto com uma gostosa risada enquanto eles trocavam aquelas farpas.

- Ainda bem que você chegou. Estava quase perdendo o ponto das panquecas...

Comentou e provou um pouco de massa crua do liquidificar enquanto a outra estava na panquequeira. Panela que Romeo nem sabia que existia. Os dois continuaram trocando farpas, mas Romeo fez um convite silencioso ao depositar o café no balcão para o primo-cunhado.

Isadora completou ao entregar a primeira leva de panquecas para o irmão. Ela sabia que ele adorava esse café da manhã.

Parou quando ele lançou aquela pergunta e começou a ponderar.

- Você podia ao menos demonstrar que sente pena de mim.

Pietro quase engasgou com esse comentário da irmã.

- Pena?? Você não me parece uma pobre coitada. E eu já tive que dar uma enrolada ontem para acobertar a fuga dos dois.

- E o que você disse?

Isadora se afastou do balcão de novo para poder fazer mais panquecas.

- Hugo passou mal e você foi com ele. Felizmente, o Enzo e a Giulia foram embora antes do Hugo subir no queijo para dançar.

Romeo engasgou com o café ao ouvir aquilo. Isadora começou a rir alto.

- Quer dizer, ele inventou o queijo e subiu, tá? Não tem poledance na minha boate....infelizmente.

- Você podia colocar e deixar o Hugo como principal atração.

- É uma ideia...

Os três continuaram rindo e o clima do café da manhã foi bastante gostoso. Gostoso como há muito tempo não era. Na verdade, era a primeira vez que Romeo e Isadora tomavam um café juntos e de uma maneira tão formal.

Não havia empregados, cerimonias, tampouco a necessidade de todo mundo estar impecável.

Era uma experiencia nova e prazerosa para Isadora. Ela ponderava sobre isso enquanto lavava a louça. Pietro se recolheu para o quarto e Romeo tinha ido arrumar a cama. Ela estava terminando de lavar enxaguar tudo quando Campanaro voltou e a abraçou pela cintura. O contato do quadril dele com o dela, a arrepiou de novo e ela virou-se para dar um beijo torto nele.

Romeo roçou a barba pelo pescoço dela e beijou seu ombro.

- O que vamos fazer, Romeo?

Perguntou enquanto secava o ultimo prato e virava-se para ele.

- Sobre...?

- Meu pai...Eu não quero mais esconder isso...Não temos porque esconder...

- A gente podia pedir reforços...Meus pais, Pietro...

- Acho que ele só ficaria mais chateado por ser o último a saber.

- Mas nós contariamos uma novidade a ele. No caso, a todos eles...

- É mesmo? E qual seria?

Isadora envolveu o pescoço dele com os dois braços.

- Que você aceitou vir morar comigo...

Romeo murmurou. Isadora arregalou os olhos, esboçando um sorriso no canto dos lábios.

- Quando foi isso que aconteceu? - Ela começou uma brincadeira.

- Hm...Quando eu te perguntei, você disse sim.

- É mesmo? Dá pra perguntar de novo?

- Só se você me garantir que a resposta ainda será sim...

Isadora segurou o rosto dele com as duas mãos.

- Sempre...

Romeo parou de se mexer e a encarou de perto, com bastante carinho.

- Isadora Romazzini...Você aceita vir morar comigo?

Ela mordeu o lábio inferior.

- Aceito...

Romeo mordeu o lábio inferior dela e os dois voltaram a trocar um longo beijo.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Qui Fev 11, 2016 5:13 pm

- O QUEEEEE?

O susto com aquela proposta fez com que Romeo cuspisse algumas gotículas da água que havia acabado de tomar. Sentado diante do filho, Benito apenas ergueu uma sobrancelha, como se não houvesse razão para tamanho assombro.

Os dois estavam conversando no escritório do cassino principal. Era inicialmente uma reunião de negócios na qual Agostini passaria mais algumas responsabilidades ao seu sucessor. Mas logo os dois deixaram as formalidades de lado para uma conversa mais íntima entre pai e filho.

Benito estava muito feliz em saber que Romeo e Isadora tinham reatado o namoro. Ele simplesmente adorava a sobrinha de Antonella e sabia o quanto a garota fazia seu bambino feliz. Mas Agostini não concordava com a maneira como Romeo pretendia conduzir aquela situação.

- Não vejo razão para tamanho escândalo. O que eu disse de tão absurdo?

- Eu posso estar louco, mas tive a nítida impressão de que o senhor mencionou a palavra casamento! – Romeo ainda estava meio histérico.

- E qual é o problema nisso? Você não a ama?

A pergunta fez com que Romeo adquirisse um ar mais sério. Benito o conhecia o suficiente para saber a resposta daquela pergunta. Isadora era a única garota que Romeo já amara em toda a vida e ele não gostava que ninguém duvidasse disso.

- Não estamos mais no século dezoito, papà. Isadora já concordou, nós vamos morar juntos.

- Tudo bem, vocês são bem grandinhos para tomarem as próprias decisões. Eu só acho um pouco ultrajante convidar uma moça para “morar junto”.

- Seria mais nobre transformá-la na minha amante?

Aquela indireta fez com que Benito ficasse mortalmente sério. Romeo se arrependeu da insinuação na mesma hora. Ele sabia bem o quanto Benito e Antonella sofreram por não poderem ficar juntos.

- Desculpe, papà. Me perdoe por isso. Mas o senhor me assustou com esta história de casamento!

- Eu só gostaria de entender o motivo do pânico. Você ama a Isadora, ela ama você. Vocês se acertaram e decidiram que querem viver juntos. Por que não oficializar?

- Nós somos jovens. Ela ainda está na faculdade, eu tenho dedicado muito tempo aos negócios agora que mudei de função. Nós nos amamos, papà, mas a verdade é que ainda não tivemos muito tempo para testar se funcionamos bem juntos. Antes tínhamos que nos esconder de todos, depois passamos meses brigados. Só agora vamos experimentar de verdade a rotina de um casal normal.

Benito fez uma pausa antes de continuar com suas ponderações.

- Eu sou um pai menos dedicado que o Lorenzo. E tenho uma filha que não me dá um décimo da alegria e do orgulho que Isadora dá aos Romazzini. – o mafioso fechou a cara antes de completar – Mas eu pensaria seriamente em enfiar uma bala na testa do filho da mãe que viesse me falar que a minha filha vai “morar” com ele. Vocês dois realmente acham que o Lorenzo vai aceitar isso?

Romeo se recostou mais confortavelmente na cadeira e deu de ombros antes de responder.

- Vamos falar com ele esta noite, durante um jantar. Isadora já fez reservas num restaurante. Nossa esperança é que o ambiente mais público desestimule um escândalo.

- Até parece. – Benito bufou e girou os olhos – Você REALMENTE acha que será uma conversa amigável, Romeo???

- Acho. – o rapaz abriu um sorrisinho sacana – Mas vou levar a minha arma, por via das dúvidas. Não seria a primeira vez que um evento familiar termina num tiroteio, afinal.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Seg Fev 15, 2016 4:43 pm

O jantar estava marcado para as 22h. Como a festa de noivado na noite anterior tinha sido um absoluto sucesso, Isadora usou de desculpa que tinha adorado o lugar e a vista que ele tinha para que fossem jantar juntos novamente. Obviamente que dessa vez, o numero de "convidados" foi ainda mais reduzido, afinal, era apenas um jantar informal em família.

Pelo menos era assim que Isadora desejava que Lorenzo pensasse.

No entanto, nem bem tinham chegado até a metade do dia e Isadora já recebera mensagens da tia Antonella e de Pietro. Ambos estavam falando da mesma coisa: A conversa sobre a mudança dela para a casa de Romeo.

Isadora xingou o namorado pensamento! Ela queria que o pai tivesse a noticia exclusiva, para que ele não se sentisse tão mal por ser o "último" a saber sobre o envolvimento deles. No entanto, todo mundo estava sabendo antes, de novo!

Apesar de não achar a sua postura a mais sensata de todas, ela resolveu que era o momento de ser honesta com o seu pai e contar...tudo, absolutamente tudo ou boa parte da verdade.

Um jantar não poderia substituir essa conversa que ela devia há meses ao seu pai. Mesmo que boa parte de sua vida tenha sido sob construída numa mentira ou numa verdade nebulosa, Isadora preferia ser honesta e verdadeira, como sempre fora. Por mais acostumada que estivesse com os novos modos e maneiras dos mafiosos, ela ainda mantinha aquela essência, a mesma de sua mãe.

A tarde estava começando a se despedir e Lorenzo se encontrava em seu escritório. Não era a hora habitual de fumar seu charuto e mergulhar em suas memórias mais felizes enquanto tomava um bom vinho acompanhado de uma boa música.

Mas naquele dia, Lorenzo resolveu abrir uma exceção e se permitir ficar mais um tempo ali, em meio a suas lembranças.

Isadora bateu na porta com o nó dos dedos e quando entrou, recebeu um sorriso do pai. A cena seguinte foi bastante inusitada, porque Isadora sentou-se numa poltrona ao lado da de seu pai e tomou um vinho suave enquanto observava o cenário.

Por muitos anos ela admirou o gesto de seu pai, mas agora achava um tanto quanto...deprimente. Solitário.

Lorenzo a observa, sem que ela percebesse. Podia ver a linha de expressão de sua filha ligeiramente incomodada e podia ver a maquinaria de seu cérebro trabalhando para que ela encontrasse as melhores palavras para falar com ele. Um longo suspiro foi dado e ele soube que ela finalmente se manifestaria.

- Papà...Por que você ainda faz isso?

Lorenzo desligou o som do amplificador e a encarou com uma expressão confusa.

- O que exatamente?

Isadora o encarou, umedecendo os lábios e mexendo de leve os ombros.

- Isso. Cultuar as memórias do passado como se ainda fossem presente...

- Eu gosto de meditar e refletir sobre as coisas, Isadora...Existe um mal nisso?

- Não, mas quando vira excesso, eu acho que sim... - Suspirou. - Papà...O senhor nunca teve outro interesse amoroso?

Lorenzo tossiu de leve ao ouvir aquela pergunta de Isadora.

- Oras, Isadora...O que é isso agora?

Ela deu um sorriso divertido e levou a mão até a dele.

- O senhor não precisa ficar com vergonha disso, papà...É uma pergunta normal até. Depois da mamãe, o senhor nunca...?

Que palavra ela podia utilizar? Não conseguiu encontrar nenhuma, mas esperava que Lorenzo fosse entender. O pai deu um suspiro igual ao dela e correspondeu a caricia de sua mão.

- Bom, se está perguntando se me relacionei sexualmente com outras mulheres, a resposta é sim. Eu sou um viúvo, mas também fui viúvo muito cedo. Eu tinha vontades e algumas vezes, tive alguns encontros que não passaram disso...mero acaso. Mas não, nenhuma outra mulher foi capaz de preencher o vazio que a sua mãe deixou.

Lorenzo foi absurdamente sincero com Isadora. E ele nem imaginava que isso encorajava a menina a falar mais abertamente sobre o que estava acontecendo com ela.

- Eu não sou tão tola quanto pensam e já sabia que o senhor provavelmente teve seus casos. Mas...Também acho que nenhuma mulher foi capaz de preencher esse vazio porque o senhor não permitiu isso. O senhor ainda é jovem, bonito, tem um papo gostoso, é um bom partido. Mas não se permite amar de novo...

- E você acha que existe mais de uma alma gêmea?

- Eu acho que minha mãe sempre vai amar o senhor e Enzo, Pietro e eu somos a prova do quanto vocês se amaram. Mas a mamãe se foi, papà...E eu tenho certeza que como uma mulher que te amou a vida inteira, ela desejaria que o senhor fosse feliz e encontrasse uma nova conotação de felicidade com outra pessoa...

Os olhos de Lorenzo se encheram de lágrimas, mas ele logo deu um sorriso meio incrédulo. Mordeu o lábio inferior e meneou negativamente.

- Você e seus irmãos cresceram tão rápido...

Isadora deu uma risada com o comentário dele.

- Sim...acho que sim.

- Sabe... - Lorenzo suspirou. - Quando sua tia fala que o filho mais parecido comigo é o Pietro, ela não mente. Eu era pior do que o Antello.

Isadora arregalou os olhos e se ajeitou um pouco melhor para ouvir o que ele tinha a dizer.

- Sua mãe e eu tivemos um casamento arranjado, por conta da hierarquia das famílias. Toda a sua familia por parte de mãe formava o braço direito dos Romazzini. Nós nos conhecemos desde pequenos e nossa...nós nos odiávamos. - Lorenzo deu um meio sorriso. - Mas ela cresceu entre a elite de Roma, saiu da Sicilia ainda pequena e minha memória dela era de uma criança mimada, birrenta, gordinha e dentucinha.

Ele indicou os dente de Isadora. Isso fez com que ela desse uma risada mais gostosa.

- Nós não gostávamos um do outro. E ficamos doze anos sem nos ver. E nesses doze anos, eu fui o caos da Sicilia e adjacências. Eu era festeiro, safado, um cafajeste e todos diziam que meu maior castigo seria ser pai de uma menina. E eu nem ligava. Mas...Eu amei uma pessoa antes da sua mãe. Ela estava aqui de férias...

- Verdade, papà?

- Sim...Nossa, faz tempo que eu guardo isso. - Ele riu meio sem graça, mas continuou. - Ela era norte-americana e veio passar as férias na Sicilia. Nós nos conhecemos e nos permitimos curtir o melhor que o outro poderia oferecer. Foram...as duas semanas mais intensas da minha vida, até então. Aquilo foi paixão, Isa...Mas a verdade era que ela viajou para a Sicilia como um presente para si mesma, antes do casamento dela.

- Nossa...

- Sim. E eu fiquei meses mal, pensando em abandonar tudo e ir para a America. Até que, um dia...eu vi sua mãe de novo. A aparência dela tinha melhorado muito, porque ela era a mulher mais bonita que eu já tinha visto na minha vida, mas ela trazia algo mais. Ela trazia todo o meu amor, todo o meu futuro. E eu entendi que toda aquela raiva que eu tinha quando pequeno era porque a considerava perfeita demais para alguém imperfeito como eu. Ao lado dela, eu nem lembrava de mais ninguém. Só conseguia enxergar...a Chiara.

Suspirou.

- Mas ela também se foi...então, como você, eu acho que podemos nos apaixonar e amar mais de uma vez na vida, Isa. Mas pessoas como eu, estão fadadas a perder quem mais amam...

Isadora engoliu em seco ao ouvir aquilo, mas começou a menear negativamente.

- Não acredito que o senhor está dizendo isso. Não depois de ver a história da tia Ella com o tio Benny. Por que você não procurou essa americana?

- Pra que? Para vê-la casada com filhos?

- O senhor não sabe...E uma viagem para encontrar alguém, pode fazer com que encontre muito mais do que quem se procura...

Lorenzo terminou de beber seu vinho e olhou Isadora.

- E desde quando você entende tanto sobre amor, Isadora?

- Bom... - Suspirou. - Desde...algum tempinho, papà...

- Entendo... - Lorenzo ajeitou-se em sua poltrona. - Finalmente você e Romeo vão me contar a verdade?

Isadora estava abrindo os lábios para falar alguma coisa, mas ficou petrificada, em estado de choque com as palavras dele. Lorenzo encarava a filha com ar de entediado, mas meneou negativamente.

- "É o que?" "Como assim, papà?". Sim, poupe-me das exclamações, Isadora. Digamos que a única Romazzini dessa familia que conseguiu me surpreender de todas as formas, foi Antonella. Você, bom, você eu conheço desde a noite que te fiz.

- Como...o senhor sabe?

- Vocês não são discretos nos olhares e você ficou tão deprimida e revoltada depois da 'traição' dele que apenas confirmou minhas suspeitas. Eu não sei até que ponto vocês chegaram, e sinceramente, acho que não faz muita diferença nos dias de hoje. Você sabe muito bem o nível da traição dele, mas se ainda assim quer arriscar, não sou eu que vou falar nada. Mas...eu exijo casamento, Isadora...

- Casamento...?

- Sim. Tem uma coisa que eu queria te contar no tempo certo, mas visto que você está preparada para me contar a verdade sobre Romeo, eu também vou dar meu ultimato.

Lorenzo tamborilou os dedos antes de falar.

- Nós vamos embora da Sicilia, Isadora. Não fazemos mais parte da famiglia "De Lucca". Eu não sou mais um Don. Se você ficar na Sicilia, não será como uma Romazzini, tem que ser como uma Agostini. Entregar o cargo e a liderança foi o preço que paguei para salvar a vida de Pietro e Antonella. Até o fim da aliança, eu sou formalmente o Don. Mas depois disso...Eu vou pra Roma. E se você não se casar com Romeo, você também irá. Não será seguro ficar aqui.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Sex Fev 19, 2016 6:49 pm

Romeo Campanaro sempre fora uma pessoa difícil de ser intimidada. Mesmo vivendo no núcleo da máfia, Romeo não costumava ficar constantemente aterrorizado com os riscos e com as atrocidades que aconteciam a sua volta. Ele havia herdado a essência do sangue Agostini misturado ao sangue dos Romazzini. Já era de se esperar que Romeo tivesse aquela personalidade audaciosa e destemida.

Naquela noite, contudo, enquanto pilotava a sua moto na direção do restaurante, Romeo sentiu um frio na barriga que inicialmente não compreendeu. O rapaz demorou algum tempo até entender que aquele era um dos sintomas de medo. Ele estava ansioso e intimamente apavorado com o encontro que estava prestes a acontecer.

Mas se enganaria quem pensasse que Romeo temia o reencontro com Lorenzo Romazzini por causa de traição de meses antes. A máfia pouco importava naquele momento. Campanaro estava aterrorizado com a ideia de que, pela primeira vez na vida, conversaria com o pai de uma moça. Não era mais uma conquista ou uma diversão. Aquela conversa tornaria ainda mais oficial a seriedade do relacionamento dele com Isadora.

Romeo foi o primeiro a chegar ao restaurante. A moto foi deixada no estacionamento e, apesar do veículo pouco convencional, o rapaz continuava bem alinhado quando chegou ao saguão. A calça preta tinha um corte perfeito e combinava com os sapatos. Campanaro achou que seria exagerado comparecer a um jantar informal com um terno, então optou apenas por uma camisa social acinzentada. Os cabelos ainda estavam um pouco úmidos, mas os primeiros cachos começavam a se formar nos fios escuros.

Como Isadora havia feito reservas, Romeo só precisou dar o seu nome para que a recepcionista o levasse até uma das mesas. O rapaz foi acomodado num ponto mais reservado do salão, com uma excelente vista do mar. A escuridão da noite só permitia que se vissem sombras, mas o barulho das ondas não deixava dúvida de que eles estavam bem perto do oceano.

Pontualmente, os Romazzini chegaram ao restaurante. Enquanto caminhava na direção da mesa, Lorenzo não pareceu surpreso em ver Romeo ali. Aquilo deu ao rapaz a certeza de que Isadora tivera coragem de iniciar aquele assunto delicado com o pai.

- Esperou muito? – Isadora se aproximou primeiro e cumprimentou o namorado com um comportado beijinho na bochecha.

- Não, vocês foram pontuais. – Romeo abraçou a garota, mas evitou manifestações mais calorosas diante dos olhos de Romazzini.

Havia alguma tensão entre os dois homens, principalmente porque Lorenzo não conseguia evitar de sentir ciúmes. Isadora era a sua bambina, afinal!

Mas, apesar disso, Romeo e Lorenzo se cumprimentaram com um aperto de mãos firme antes de se acomodarem novamente em torno da mesa. As bebidas foram pedidas e a conversa só foi iniciada quando o garçom se afastou para buscar os drinques.

- Imagino que a Isadora tenha adiantado o assunto deste jantar, signor Romazzini...

- Apenas por alto. – Lorenzo ergueu uma das sobrancelhas, mantendo um semblante fechado – Não sei como devo chamá-lo. Ainda Campanaro ou já é oficialmente um Agostini?

- Oficialmente ainda não, mas os advogados já entraram com a documentação. Imagino que seja uma questão de poucos dias.

- Posso imaginar a ansiedade do Benito. Ele finalmente terá um sucessor adequado.

Era estranho que Lorenzo quisesse falar sobre a família Agostini mesmo sabendo que os três estavam ali para tratar do relacionamento entre Isadora e Romeo. Mas o rapaz logo entenderia os motivos do mafioso.

- Bom. Enfim... – Romeo trocou um olhar com Isadora e tocou a mão dela por baixo da mesa antes de continuar – Nós marcamos este jantar...

- Eu sei. – Lorenzo interrompeu o rapaz – E não se ofenda, mas eu prefiro não saber todos os detalhes. Eu já imaginava que isto estava acontecendo, tive esperança que as últimas revelações colocassem um fim nesta loucura, mas eu já entendi que não será tão simples assim. Não serei hipócrita de dizer que esta é uma novidade que me deixa feliz. Você não está no futuro que eu desejaria para Isadora, você não pode oferecer a ela a vida tranquila e segura que eu gostaria que ela tivesse.

Por mais que já imaginasse que aquele era o sentimento de Lorenzo, Romeo sentiu um gosto amargo na garganta. Definitivamente, não era agradável ouvir do pai de Isadora que ele não o julgava bom o bastante para a moça.

- Mas é tolice minha tentar impedir que vocês fiquem juntos. Se Isadora quebrou todas as regras há meses atrás, quando era uma menina dócil e obediente, eu sei que não conseguirei domá-la agora que se tornou uma mulher decidida.

- A sua aprovação é importante para ela. – a voz de Romeo soou calma, contrariando toda a ansiedade que ele sentia – Por isso decidimos marcar este encontro para conversarmos.

- A minha aprovação não é importante para você? – Lorenzo devolveu a pergunta, cravando os olhos em Romeo.

- Não. – a resposta soou perigosamente sincera – Ou melhor... É importante apenas porque eu não gostaria de vê-la triste.

Apesar da resposta atrevida do rapaz, Lorenzo não pareceu ofendido ou contrariado. Romeo havia acabado de ganhar alguns pontos ao mostrar que se importava com a felicidade de Isadora.

- Enfim... – o rapaz continuou depois de uma pausa na qual o garçom serviu as bebidas – Eu convidei a Isadora para morar no meu apartamento e ela aceitou. Fizemos questão de comunicá-lo pessoalmente, signor.

A escolha das palavras mais uma vez reforçou o atrevimento de Romeo. Ele não estava pedindo permissão ou perguntando a opinião de Lorenzo sobre aquela notícia. Romeo estava apenas “comunicando” a novidade.

- Claro. Não vejo problema nenhum em vocês morarem juntos... – Lorenzo fez uma pausa, mas completou antes que Romeo pensasse que realmente seria tão fácil – ...depois de trocarem as alianças.

Como aquele assunto já havia sido mencionado por Benito, Romeo não se mostrou tão surpreso ou aterrorizado. O rapaz apenas se remexeu na cadeira, sentindo-se subitamente desconfortável com aquela pressão.

- É claro que um casamento está nos planos futuros, mas penso que não seria o momento ideal. Nós dois estamos com as vidas tumultuadas, atravessando muitas mudanças... talvez daqui a alguns meses.

Romeo olhou para Isadora em busca de alguma colaboração, mas a voz firme de Lorenzo cortou qualquer tentativa de interferência da filha.

- Isadora só sairá da minha proteção se for para ficar aos cuidados de um marido, Agostini. Quanto a isso não há argumentação que me faça mudar de ideia. Isso vai muito além da minha insatisfação com essa proposta pouco honrosa. É uma questão de segurança.

O queixo de Romeo caiu enquanto Lorenzo revelava a delicada posição assumida por ele junto aos De Lucca depois dos últimos acontecimentos. A ideia de Isadora ser obrigada a acompanhar o pai para Roma foi o bastante para fazer com que Romeo abandonasse por completo todas as travas contra o casamento.

O rapaz tinha um olhar decidido quando se virou de Lorenzo para Isadora.

- De quanto tempo você precisa para organizar as coisas? Nós vamos nos casar, Isadora.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Qua Fev 24, 2016 1:03 am

Quando Lorenzo contou tudo o que tinha acontecido à Isadora, a jovem ficou num misto de espanto, desespero e...orgulho. Estava espantada porque, de repente, se via livre das amarras da Máfia, mas não sabia se isso era algo bom ou ruim, no fim das contas. Desesperada porque não conseguia mais imaginar uma vida sem Romeo. E, mesmo que Roma ficasse apenas à algumas horas de avião dali, parecia muito injusto se afastar do homem que amava, justamente agora que eles tinham se entendido. Por fim, ela sentiu um extremo orgulho de seu pai. Afinal, apesar de todas as "traições", ele foi capaz de abdicar daquilo que mais dava valor, por aqueles que mais amava.

Não houve outra reação de Isadora a não ser pular no pescoço de seu pai e compartilhar um longo e gostoso abraço. Os olhos dela marejaram e ela chegou a permitir algumas lágrimas. Mas ela estava tão, tão orgulhosa e feliz por ele ainda amar Antonella e Pietro, que ela se permitiu chorar.

Quanto à ida a Roma, Lorenzo deixou tudo ao encargo de Romeo.
Isadora confiava no namorado. Sabia que os dois eram muito jovens e morar juntos já era um desafio muito grande. Não sabia como ele reagiria a um ultimato de casamento. E tampouco sabia o que sentiria caso ele desse para trás, caso ele dissesse não.

Lorenzo bem sabia o que diria, caso a resposta de Romeo fosse negativa. Na verdade, aquele jantar era um ultimato para Romeo, de todas as formas possiveis. O "sim" era a única resposta que Lorenzo esperava ouvir, a única que ele aceitaria. Romeo tinha tomado aquilo que lhe era mais precioso e Deus sabe o quanto eles já tinham pecado. O patriarca Romazzini não pretendia levar sua filha desonrada e, principalmente, de coração partido para Roma. Por mais que doesse ver Isadora sendo entregue a outro homem, aquele jantar terminaria com ela noiva.

E com todos vivos.

Assim que chegou, Isadora tomou uma postura um pouco mais timida e recatada. Como já sabia das intenções de seu pai, ela ficou em silencio, com os dedos entrelaçados aos de Romeo. Vez ou outra ela olhava para o namorado, dando um meio sorriso.

Eis que o grande momento havia chegado. Não conseguiu deixar de encarar Romeo e a única coisa que esperava era que seus olhos não fossem suplicantes. Precisava ficar firme até o fim, para manter sua dignidade.

Os segundos estavam se arrastando e o tempo que Romeo tomou para si fez o coração de Isadora parar de bater algumas vezes.

Ele diria não?

Por que?

Ele não a amava o suficiente?

Sentia sua mão suando enquanto se agarrava ao guardanapos até que os olhos azuis escuros se encontraram com os dela. E a pergunta dele fez com que um dos mais lindos sorrisos surgissem em seus lábios. Os olhos marejaram mais uma vez enquanto ela tombava na direção dele, segurando o rosto com as duas mãos.
Foi então que parou, olhando na direção do pai, como se pedisse permissão e Lorenzo apenas colocou a mão na testa, numa tipica expressão de desgosto paternal, onde a filhinha levanta asas para voar.

Isadora riu e virou-se para Romeo. Os dois trocaram um longo e comportado selinho – era estranho fazer isso na frente de Lorenzo.

- Eu não sei...Só o tempo de entrar com a habilitação no cartório...Mas por mim, eu casava agora com você

- Cinco semanas, é tudo o que precisam. Vocês podem se casar logo depois de Antonella e Benito. - Lorenzo suspirou. - Não considero que se casem no mesmo dia, porque não sei se seria do gosto de vocês.

- Não sei. Seria legal, mas ao mesmo tempo não. Não vamos tirar o brilho da tia Ella, não é?

- Concordo... - Lorenzo deu um gole no vinho. - Quanto à convivência na mesma casa, talvez essas cinco semanas possam servir como uma prévia para vocês. Ainda como algo informal, vocês podem morar juntos, mas ao fim das cinco semanas, terminarão casados. O que acham?

Isadora ponderou um pouco e voltou o olhar para Romeo.

- Pode ser...né?
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Romeo Campanaro em Ter Mar 01, 2016 7:43 am

- Oh, Dio santo! São tantas opções!!! Eu estou ficando tonta!

Antonella levou uma das mãos até a testa, fazendo uma de suas típicas cenas dramáticas. A loira estava num refinado ateliê, rodeada por dezenas de vestidos, arranjos e acessórios de casamento. As vendedoras já estavam ficando loucas e Antonella não se cansava de pedir novos modelos e de fazer infinitas combinações.

Mas se enganava quem pensasse que a loira era a ansiosa noiva daquela cena. No próprio casamento, ocorrido há duas semanas, Antonella optara por um vestido elegante, mas simples e bastante discreto. A festa fora igualmente reservada, praticamente apenas para a família e os amigos mais próximos do casal.

Naquele dia, Antonella interpretava o papel de mãe da noiva. E a pobre Isadora era a vítima que já havia experimentado trinta e quatro vestidos naquela tarde sem que Antonella se desse por satisfeita.

- Não gostei. – a loira encarou o reflexo da sobrinha no espelho – Este decote estragou o modelo. Este tecido ficaria perfeito no corte do modelo dezoito, que por sua vez combinaria muito mais com o véu do modelo seis.

- O vinte e dois continua sendo o meu preferido. – Nina argumentou, tentando salvar Isadora daquela tortura – Mas acho que a palavra final deve ser da Isa, né?

- É claro que não. Eu entendo muito mais de moda e estou aqui para ajudar. – Antonella abriu o zíper do vestido que a sobrinha usava – Experimente o dezoito de novo, Isadora. Eu preciso tirar uma dúvida.

Nina conteve uma risada quando Isadora lançou um olhar de súplica a ela. As três mulheres já estavam há sete hora no ateliê. Não era difícil calcular como a noiva deveria estar cansada depois daquela maratona. Apesar disso, Nina foi cuidadosa ao interferir naquela situação. Era óbvio que aquele papel de mãe da noiva fazia Antonella se sentir muito honrada e feliz.

- Tia Ella... – Nina sempre chamara Antonella assim e agora, como namorada de Pietro, fazia muito mais sentido – Que tal tirarmos um tempo pra pensar? A Isa já experimentou quase todos os vestidos da loja, tiramos fotos de todos os modelos e combinações. Acho que agora temos que esfriar a cabeça para fazermos a escolha mais adequada, não?

- Não temos tempo!!! O casamento já é mês que vem e ainda não temos um vestido!!!

- Mas tia Ella, só mais algumas horas não vão fazer tanta diferença! Está muito tarde, a Isa está exausta, não dá pra fazer uma escolha tão importante assim!

Antonella cruzou os braços e fez um bico de insatisfação. Apesar das sete horas em pé naquele ateliê, ela continuava com energia e disposição para virar a noite escolhendo vestidos.

- Eu odeio deixar as coisas para a última hora, mas que jeito, né? Você tem até amanhã de manhã para me passar a sua decisão, Isadora. Depois que escolhermos o vestido, ainda temos que selecionar o sapato, os acessórios e os... NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!

O berro de Antonella ecoou por todo o ateliê quando a porta se abriu. Algumas vendedoras, conhecendo a fama daquela família, se agacharam no chão com medo de um tiroteio. Antes mesmo que Isadora pudesse entender o que estava havendo, a tia se jogou na frente dela e abriu os braços, tentando esconder por completo a imagem da sobrinha.

- O QUE ESTÁ FAZENDO AQUIIIIIIII? SAIA JÁ DAQUIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!

- Oi, mãe. – a voz de Romeo soou anormalmente calma – Já são onze da noite e eu vim salvar a Isadora.

- VOCÊ NÃO PODE VER OS VESTIIIIIIDOOOOS! DÁ AZAAAAAR!

Romeo cruzou os braços e girou os olhos com impaciência. Ele amava Antonella, mas definitivamente não sabia como Benito aguentava tanto drama.

- Ótimo, isso ajuda muito. – Nina abriu um sorrisinho – Já podemos excluir todos os vestidos que o Romeo viu. Que bom que o vinte e dois já foi guardado, ele é o mais bonito!

- PRECISAMOS DE MAIS OPÇÕES AGORA! OLHA O QUE VOCÊ FEZ, ROMEO!

- Vou ligar para o papà. – Romeo sacou o celular do bolso – Você está descompensada, mãe.

- É CLARO QUE EU ESTOU DESCOMPENSADA! EU PASSEI O DIA TODO AQUI, A ISADORA NÃO CONSEGUE ESCOLHER UM VESTIDO, A NINA NÃO ENTENDE NADA DE MODA E AGORA VOCÊ CHEGA E ESTRAGA TODO O MEU TRABALHO COM ESSES OLHOS AZARENTOS!

- A senhora é a mãe do NOIVO? – uma das vendedoras se meteu, boquiaberta.

- Infelizmente! – os olhos de Antonella se estreitaram – Não tem graça NENHUMA ser a mãe do noivo, sabiam? Vou contar para vocês como é ser a mãe do noivo...

Antonella pigarreou antes de iniciar a encenação.

- Romeo, querido, o que acha deste terno?

- “Legal”. – Antonella forçou uma voz mais grave.

- E esta gravata, não é linda?

- “Aham”.

- De que cor você quer que seja a gravata, querido? E os sapatos, qual modelo você prefere?

- “Tanto faz. A senhora escolhe enquanto eu peço uma pizza. Tchau”.

- A pizza foi de calabresa. – Romeo completou com um sorrisinho – E estava deliciosa.

Nina já se dobrava de tanto rir ao imaginar aquela cena. Agora era fácil entender por que Antonella estava dedicando toda a sua energia à Isadora.

Com um semblante furioso e derrotado, Antonella saiu da frente da sobrinha e começou a recolher todos os vestidos expostos pelo ateliê. Por sorte, as vendedoras já haviam guardado mais da metade dos modelos e ainda restariam muitas opções para Isadora escolher.

- Todos estes estão descartados. – a loira jogou uma montanha de vestidos nos braços das vendedoras e depois apontou para Isadora – Principalmente aquele! Era tão lindo!!!

- Mas você disse que não tinha gostado, tia Ella!

- Cala a boca, Nina! Dio mio, eu vou ter MUITO trabalho quando a noiva for você!

Ignorando o tormento da mãe, Romeo se adiantou alguns passos. Os olhos azuis escuros desceram lentamente pelo corpo de Isadora sem que ele conseguisse esconder a satisfação em vê-la num vestido de noiva. Se alguém lhe dissesse há um ano que Romeo se casaria, o rapaz provavelmente teria uma crise de gargalhadas. Agora, contudo, nada parecia mais certo do que subir ao altar com Isadora Romazzini.

- Tem certeza que vão descartar este? – as mãos de Romeo deslizaram pelo tecido macio que cobria a cintura da namorada – Ele é bonito. – o sorriso dele se tornou sacana quando seus dedos alcançaram o zíper aberto – E parece fácil de ser tirado. Isso é MUITO importante para o noivo.
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

Mensagem por Isadora Romazzini em Ter Abr 05, 2016 1:33 pm

A visita ao ateliê tinha sido um grande fracasso. Não apenas porque "os olhos azarentos" de Romeo eliminaram a maioria dos vestidos, mas também porque a tia tinha transformado aquela escolha prazerosa num verdadeiro tormento. Isadora até tinha gostado de alguns vestidos, mas nenhum realmente a cativara e foi nesse instante que ela errou.

Quando não demonstrou animação por nenhum deles, ela permitiu que a tia e a melhor amiga crescessem e começassem toda aquela confusão.

Durante as sete horas que ficaram presas ali, Isadora apenas serviu de manequim. Os vestidos sempre ficavam lindos em seu corpo bem modelado. Ficava linda de qualquer jeito, na verdade, mas quando se olhava no espelho, ela se sentia incompleta. Faltava um detalhe que ela não conseguia explicar.

Ou talvez ela simplesmente não quisesse admitir qual detalhe era.

Romeo chegou para estragar a festa de sua tia, mas o sorriso de Isadora mostrou uma grande gratidão pelo resgate. Ela deu uma risada com a história e abriu os braços quando o noivo se aproximou. Envolveu o pescoço dele enquanto ele a abraçava pela cintura e o encarou de perto. A aliança de noivado pesava em seu dedo e era o único acessório que ela usava na região, tirando isso, apenas o brinco discreto e o colar com um pingente de coração.

- Isso é importante para o noivo, hm? Então eu podia colocar uma de suas camisetas e entrar assim, não é?

A simples imagem daquela ousadia, a divertia. E ela deu uma gostosa risada antes de roçar a ponta do nariz no dele.

- Por favor, vamos para casa, Don Agostini...Salve sua Julietta Romazzini.

Disse num tom mais manhoso e o beijou antes que ele respondesse, quase como uma amostra do que poderia acontecer tão logo ele a tirasse dali. Roçou os lábios nos dele e começou um beijo tranquilo, apenas de boas-vindas. Mas o beijo, como sempre, tomou proporções maiores e eles se esqueceram por um instante onde estavam.

Na verdade, nem se importavam onde estavam.

As vendedoras chegaram a suspirar e se abanar por conta do calor que sentiram com aquele beijo. O casal cambaleou até que Antonella se meteu.

- QUEREM PARAR COM ISSO??????????

Os dois se assustaram e se encararam com os olhos arregalados. Os lábios de Isadora mais avermelhados e as bochechas corando rapidamente.

- Vá se trocar, Isadora!!! E Romeo, saia daí agoooraa!!!!!

Depois de muitos gritos e ordens, eles levaram apenas minutos para se encontrarem de novo. Isadora montou na garupa da moto do noivo depois de se despedir da tia e da melhor amiga. Tinha que agradecer pelo esforço das duas, mesmo que não tivesse gostado de nenhum deles de verdade. E ainda precisava tomar coragem parar falar isso, para tomar as rédeas dos preparativos de sua própria festa.

Quando chegou ao apartamento, contudo, os interesses deles mudaram, pois envolviam um gostoso e demorado banho. E era disso mesmo que Isadora precisava, para começar a se acalmar: um banho com Romeo.

Como se atendesse às preces de sua amada, Romeo massageou os ombros dela antes de descer as mãos pela lateral do corpo dela até que a puxasse para perto. O corpo forte e esguio dele, a abraçou por trás, num gesto de proteção, mas também de posse. Os beijos começaram no ombro dela e subiram até a ponta da orelha enquanto a água os purificava, literalmente.

Ao mesmo tempo em que relaxava, Isa se sentia revigorada e pronta para amá-lo de novo. Virou-se de frente para ele e demorou apenas um olhar para que eles retomassem o beijo da loja de vestidos.

As costas dela ficaram prensadas contra os azulejos e Romeo virou-se de costas para o boxe. O vapor da água quente impossibilitava uma boa visão do banheiro, mas eles não precisavam ver nada, enquanto tivessem um ao outro.

Depois do banho, Isadora vestiu um roupão e enrolou o cabelo numa toalha. Foi até a pequena adega de vinhos e pegou uma garrafa nova para servi-los. Retornou ao quarto com duas taças enquanto Romeo saía do closet com o roupão aberto e a cueca boxer vestida. Isa sorriu com aquela visão e entregou uma taça a ele antes de pegar o ipad e se sentar na cama para ver a lista.

- 1h da manhã e a tia Ella continua lotando meu e-mail e falando comigo no facebook. - Olhou incrédula para Romeo. - Sabia que dá muito trabalho casar com você, Romeo?

Franziu as sobrancelhas, meneando negativamente enquanto mexia em alguns dados.

- Sabe o que poderíamos fazer? Jogar tudo isso para o alto e casar em segredo...

Mordeu o lábio inferior.

- Só o tempo da gente comemorar e depois a tia Ella nos matar... - Começou a rir. - Como eu vou falar pra ela que não gostei de nenhum dos vestidos, amor? Ela vai me fazer experimentar outros 50...Mas...Eu não acho que ela seja capaz de encontrar o que eu realmente desejo...

Deu um gole no vinho e se encostou um pouco mais no travesseiro.

- Talvez a sua camiseta não seja uma má ideia de vestido...
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Re: Capítulo 8 - Acertando as pontas

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