Capítulo 7 - A Colheita

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Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Qua Jan 27, 2016 12:31 pm

A aliança Agostini-Romazzini mexeu com a estrutura da alta sociedade siciliana. O evento mais esperado, certamente era o baile anual do Prefeito que aconteceria dali a um mês. Ao longo desse período, outros eventos testes seriam feitos e as famílias se cruzariam, afinal, não havia mais nenhum impedimento para que eles estivessem em festas, brunches e afins. Outro evento que também levantava grande comoção era o casamento do primogênito dos Romazzini: seria dali a dois meses e todos estavam curiosos com a possibilidade de Agostini ser convidado.

De toda forma, coube à familia de Hugo oferecer o primeiro grande "teste".

Os pais de Hugo eram associados dos Romazzini, extremamente fiéis, mas com negócios noturnos em expansão, o que acabava recaindo para o gosto dos Agostini. Lorenzo não viu problemas de seu melhor amigo de infância começar a conversar com Agostini sobre negócios. Por isso mesmo, o próprio Lorenzo foi o primeiro a incentivar que fizessem aquele coquetel.

A familia de Hugo estava um tanto quanto apreensiva, mas desejava que a noite fosse um sucesso.

Toda a alta sociedade foi convidada e era um traje bem menos formal do que o baile de gala anual. Mesmo assim, estavam todos muito bem alinhados, exalando riqueza e etiqueta. A familia Agostini foi convidada em peso, bem como os Romazzini. Pietro também recebera um convite especial e a festa foi num dia que a boate não funcionava, então, ninguém se prejudicaria mesmo.

Os Agostini foram os primeiros a chegar.

Benito e Cecilio eram pessoas extremamente carismaticas. Cecilio era um pouco mais contido e não funcionava para os "negócios", mas parecia ser uma excelente pessoa e tinha sempre a palavra certa para apaziguar os ânimos.

A esposa de Benito e os filhos mais novos, no entanto, não inspiravam nenhum tipo de confiança. Telma era aquela tipica mulher rica de berço que foi programada para ter um sorriso falso e constante, mesmo quando pisava nas pessoas ou as esfaqueava pelas costas. Era uma mulher bastante venenosa e dava para saber de onde Vicenzo tinha herdado aquele carater duvidoso. Vicenzo tinha aquele olhar superior e arrogante. E Mariella era fútil, completamente fútil.

A esposa de Cecilio não se encaixava no grupo das mulheres da familia. Ela parecia bastante timida e recatada, geralmente falando baixo e exclusivamente com o noivo, que dedicava toda a atenção do mundo para ela. Apesar de ter sido um noivado politico, eles tinham aprendido a se gostar bastante.

Pietro e Romeo foram convidados, mas ainda não tinham chegado.

Benito e a esposa estavam conversando com os anfitriões da festa quando os Romazzini chegaram. As atenções voltaram-se para a entrada.  

Antonella chegou de braços dados com Lorenzo, como sempre e ainda estava usando um guarda-roupa essencialmente preto, mas estava com cortes e tecidos cada vez mais ousados e instigantes. Sabia que não era nenhuma garotinha, mas ela era o tipo de mulher que sabia o que vestir para provocar. Lorenzo também era um homem muito bonito e estava bastante alinhado, como sempre. O terno dele era impecável e as gravatas escolhidas por Antonella eram harmonicas com toda a composição.

Logo atrás deles, vieram Enzo de braços dados com Giulia e Isadora. Assim como Cecilio e Beatrice, os noivos Romazzini também pareciam ter bastante quimica e empatia. Eles formavam um casal lindissimo.  

Isadora combinava com a cena, mas estava com um olhar bem mais maduro e a expressão mais fechada do que outrora. Usava um vestido azul marinho com um corte moderno na altura da cintura, revelando um pouco mais aqui e ali. Mas ela fazia jus ao título de "Princesa da Mafia". O tempo passava e ela continuava cada vez mais bonita.

E essa beleza não escapou dos olhos de Vicenzo. Ele deu um longo gole em sua bebida enquanto a observava descer as escadas com uma expressão indiferente, como se fosse a dona do mundo - pelo menos foi essa interpretação que ele deu.

Na verdade, Isadora só estava calculando quanto tempo seria educado ficar antes de poder ir embora.

Mas a ideia de que ela era superior, pareceu agradar Vicenzo.

- Não vejo nada demais nessa garota. - Mariella comentou num tom de despeito. - É só uma menina.

- É claro que você não vê nada demais. Está morrendo de inveja... - Vicenzo alfinetou.

- E você precisa de um babador, porque parece um velho pedofilo. Nojento.

A forma de tratamento entre os irmãos Agostini era bastante diferente dos irmãos Romazzini, pelo menos esses mais novos.

Os cinco chegaram até os anfitriões e a familia Agostini.  

Lorenzo trocou um longo olhar com Benito e então abriu um sorriso, daquele tipico que sempre levanta muita tensão, mas logo deixa as pessoas bastante confusas.

- Benito! Como vai? - Trocou um abraço com tapinhas.

- Muito bem, Lorenzo e você?  

- Mais do que bem...Barbara e Filippe! Que festa impecável...

Os dois deram um sorriso e aceitaram os cumprimentos de seu velho amigo. Logo Benito apresentou sua esposa que também foi bem tratada por Lorenzo. O mesmo se repetiu com os outros membros da familia.

Telma e Antonella trocaram um longo olhar de reconhecimento, mas logo deram um sorrisinho venenoso ao se cumprimentarem. Isadora foi um pouco mais calorosa com seus "tios" e assim seguiram.  

Não demorou para que Isadora encontrasse Hugo e Nina, sendo levada para um canto mais "jovem", onde poderiam conversar a noite inteira. Giulia ironicamente simpatizou com Beatrice e logo elas e seus respectivos noivos estavam conversando sobre os planos para o casamento. Antonella foi falar com algumas amigas, levando Barbara consigo e Telma de enxerida.

Lorenzo, Filippe e Benito conversavam informalmente.

E a primeira festa parecia caminhar muito bem...

Bem até demais.


Última edição por Isadora Romazzini em Qua Jan 27, 2016 3:41 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Romeo Campanaro em Qua Jan 27, 2016 3:34 pm

Não poderia haver uma oportunidade melhor para que Vincenzo finalmente realizasse o sonho de se livrar de Romeo. Uma casa lotada de mafiosos e seus aliados era uma promessa de que a noite não terminaria bem. O coquetel estava muito tranquilo e amigável até então, mas a apreensão era visível no semblante de todos os convidados. Ninguém duvidava que aquela trégua entre os Agostini e os Romazzini se despedaçaria na primeira turbulência.

E Vincenzo planejava muito mais do que uma turbulência naquela noite.

Desde que Benito intimara Romeo a comparecer à festa dos pais de Hugo, Vincenzo soube que era uma oportunidade imperdível de se livrar definitivamente do meio irmão. Os Romazzini odiavam Romeo. Tudo o que Vincenzo precisava era planejar aquele ataque de forma que Lorenzo saísse como culpado.

O jovem Agostini se distraiu por alguns minutos com a presença de Isadora. A herdeira dos Romazzini era linda, mas era ainda mais tentador pensar que Romeo ainda gostava dela. Vincenzo havia alcançado tal grau de inveja que atingir o meio irmão era mais importante do que se interessar sinceramente por uma moça. Se Romeo queria Isadora, Vincenzo queria tirá-la dele. Simples assim.

Depois daquela breve distração, contudo, Vincenzo logo recuperou a sua costumeira frieza e checou as horas em seu caríssimo relógio de pulso. Romeo estava atrasado. Benito exigiu que o bastardo se juntasse à família naquela noite, e Vincenzo contava com isso para colocar seu plano em ação. Seria frustrante que, justamente naquele dia, Romeo decidisse desobedecer o papà.

- Qual é o problema? – Mariella resmungou depois que o irmão olhou o relógio pela terceira vez – Está esperando alguém?

- Romeo ainda não chegou.

- Oi? – Mariella abriu um sorrisinho falso – Você? Preocupadinho com o bastardo?

- Nunca. – o caçula checou o relógio mais uma vez – Apenas gosto de manter os inimigos por perto.

Pela primeira vez, Vincenzo sentiu-se feliz e aliviado em ver Romeo Campanaro. Quando o bastardo dos Agostini chegou, acompanhado por Pietro, um sorriso cruel surgiu nos lábios de Vincenzo. Romeo entrava na festa chamando um pouco a atenção pela beleza e pelo porte invejável. Mas, se dependesse de Vincenzo, ele não sairia vivo daquela mansão.

- Eu quero ir embora. – Pietro resmungou com o melhor amigo quando avistou o pai e o irmão do outro lado do salão – Aliás, como você conseguiu me arrastar pra este lugar, Romeo?

- Chantagem emocional.

- Ah, foi mesmo. – Pietro girou os olhos.

- Mas você veio mesmo porque quer ver a Nina. Não tente me enganar.

Pietro lançou um olhar fulminante para o melhor amigo, mas não negou aquela acusação. Ele realmente sentia falta de Nina. Os dois nunca assumiram um relacionamento de verdade, mas viviam numa gangorra emocional. Pietro gostava de fingir que não era nada sério, mas sentia uma falta absurda da garota quando passava muito tempo sem vê-la.

Os dois rapazes estavam impecavelmente arrumados. Pietro continuava com aquele look mais formal e respeitável, fazendo jus ao homem de negócios que se tornava com a ajuda de Agostini. Romeo também ficava absurdamente chamativo sem os trajes formais de segurança particular e atraía olhares femininos enquanto caminhava pelo salão.

Depois de cumprimentarem os donos da casa, Romeo e Pietro pegaram taças de bebidas e se mantiveram relativamente afastados. Eles não pertenciam mais ao núcleo dos Romazzini, mas tampouco poderiam se declarar tão diretamente aliados dos Agostini. Ambos só estavam ali porque Benito pediu que eles comparecessem.

Pietro ainda estava emburrado com o comentário de Romeo quando Antonella surgiu diante deles. Ela parecia aliviada por ter se livrado da companhia desagradável e constrangedora da esposa do seu amante e abriu um sorriso meio incerto para os dois rapazes. Antonella amava perdidamente aqueles dois e daria a vida por eles, mas já estava acostumada a ser tratada com indiferença.

- Fico feliz em ver vocês. Por um momento achei que não viessem.

Como de costume, a loira estava deslumbrante em sua elegância. O vestido era preto, mas tinha um corte moderno que valorizava as suas curvas. O salto dava a Antonella uma postura invejável e a maquiagem realçava ainda mais os traços perfeitos dela. Os cabelos puxados num coque brilhavam de tão bem tratados. Telma não tinha a menor chance diante de uma rival tão perfeita.

A única coisa que estragava o visual de Antonella era a sua expressão de insegurança. Ela geralmente tinha tudo sob controle, mas estava sem ação diante da indiferença do sobrinho e do próprio filho.

- Como vocês dois estão?

- Entediado. – Pietro nem mesmo sorriu para a tia – Ainda não sei o que estou fazendo aqui.

Antes que Romeo se atrevesse a mencionar Nina novamente, Pietro pediu licença e ignorou Antonella, caminhando na direção de Isadora e dos demais jovens da festa.

Como aquela não era uma saída de fuga para Romeo, ele não teve outra escolha senão ficar com a mãe. O rapaz até pensou em soltar uma de suas respostas atravessadas, mas o olhar desolado de Antonella o comoveu. Campanaro suspirou antes de murmurar com uma entonação suave.

- Ele ainda está chateado, Antonella. Pietro só precisa de mais um tempo.

- Foi exatamente o que o seu pai disse sobre você. – Antonella abriu um sorriso amargo – Você é a prova de que “um tempo” não resolve nada.

Normalmente, Romeo giraria os olhos e mandaria Antonella parar com aquele drama. Mas o sofrimento dela parecia tão sincero que o rapaz não teve coragem de abrir mais aquela ferida no coração da loira.

Ao contrário, Antonella ficou pálida e completamente sem reação quando Romeo deu um passo adiante e a acomodou num abraço. Foi um contato bastante breve e discreto, mas era MUITO mais do que Antonella esperava do filho.

- Você é assombrosamente dramática, Antonella. Tenho sorte por não ter herdado isso da sua personalidade.

- Mas herdou o orgulho do seu pai.

- Ele é tão orgulho quanto você. Talvez eu tenha herdado o orgulho dos dois.

- Um orgulho dobrado. – Antonella abriu um sorriso emocionado. Era a primeira vez que Romeo se comparava com ela – Isso explicaria muita coisa.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Qua Jan 27, 2016 10:23 pm

Nina e Isadora estavam de costas para a entrada, conversando tranquilamente com Hugo. O rapaz estava no meio de uma frase quando viu a chegada daqueles ilustres visitantes. Ele não conseguiu completar a sentença, mantendo os lábios entre abertos. As duas arquearam as sobrancelhas e Nina foi aquela que tomou a iniciativa de olhar para trás.

- Discreta como um javali. Francamente, Nina...

Hugo revirou os olhos. Nina estava com as bochechas coradas, mas agora era tarde demais, ela já estava com os olhos cravados em Pietro. Isadora umedeceu os lábios e também olhou para trás.

Ao ver Romeo ali, ela deu um suspiro e olhou para Hugo de novo.

- Ainda dói, não é? - O amigo perguntou daquele jeito sempre companheiro e confidente.

- Bastante...- Isadora murmurou. - Mas acabou. Mesmo. Por favor, fique comigo quando o Pietro vier falar com a Nina.

- Eu duvido que ele venha falar comigo, Isadora.

Hugo fez uma careta.

- Dramática. É logico que ele vem falar com você

- Não quero nem ver.

Nina virou-se de costas de novo e Hugo recomeçou a falar. Mas só conseguiu dizer duas palavras, porque Pietro logo se aproximou deles. Ele abraçou Isadora por trás, fazendo cócegas de leve onde o pano do tecido não cobria a cintura dela.

- Faltou pano para esse vestido, senhorita gordinha? aiaiai!

Isadora tinha se assustado, mas logo sorriu ao ver o irmão e o abraçou de modo carinhoso. Pietro também fechou os olhos por um instante durante o abraço até que os abriu novamente e se deparou com Nina e Hugo. Soltou a irmã de modo tranquilo, cumprimentando Hugo com um aperto de mão e um abraço até que, finalmente, voltou-se para Nina.

Inclinou-se e deu um beijo na bochecha dela.

- Oi...Será que a gente pode conversar?

Olhou seriamente para Nina, de um jeito que nunca a havia encarado antes. As bochechas dela coraram de novo e ela ficou ainda mais irritada ao ver as expressões dos amigos. Isadora meneou positivamente para ela, dando o maior apoio.

- Ok.

Os dois começaram a caminhar para um lugar mais discreto, no jardim. Hugo deu uma risadinha e olhou além de novo. Ele estranhou o abraço que Antonella deu em Romeo.

- Por que isso? Sua tia gostava tanto dele assim?

Isadora olhou para trás, vendo o fim do abraço. Levou a mão até o colar em seu pescoço e deu de ombros.

- Ela é apegada, né? E gostava muito de Romeo...

Foi a melhor desculpa que arranjou. Achou que os dois foram um tanto quanto inocentes de darem aquele abraço sem maiores explicações daquela forma. Mas...também ficou feliz por sua tia.

Um dos garçons passou por eles oferecendo uma batida. Isadora pegou uma, agradecendo ao homem. Geralmente Hugo não prestava atenção nos serventes, mas uma mancha no pescoço do homem acabou chamando sua atenção. Ele olhou fixamente para o homem, quase sendo indiscreto. Isadora deu uma cotovelada nele.

- O que é isso, Hugo?!

- Oh nada!

O homem felizmente tinha se afastado e não viu a gafe que o rapaz cometera.

- Você estava hipnotizado...

- É porque...bom, eu achei...estranho. - Hugo falou mais baixo.

- Como assim estranho?

O rapaz deu um suspiro, olhando ao redor e então falou.

- Acho que já vi aquele homem antes.

- Quando?

- Há uns três dias...

Ele continuou falando baixo, observando a desenvoltura do homem. Ele até que se passava bem como garçom, mas ele não parecia tão habilidoso quanto os outros e todos eram contratados da mesma firma, com excelencia profissional.

- Eu voltei bem mais cedo pra casa e vi algo estranho acontecendo pelos arredores. Um dos seguranças da firma contratada pelo meu pai estava conversando com um homem com a mesma mancha no pescoço e recebeu um malote dele. Como não é um dos de confiança, eu nem quis me meter, mas o que ele está fazendo nessa festa?

- Eles viram você?

- Não, eu estava num táxi com vidros escuros...Mas fiquei o suficiente pra ver.

- E depois? Aconteceu alguma coisa?

- Sim. Eu estava no escritório do meu pai, deixando um dinheiro que ele me emprestou, mas antes de sair, eu ouvi esse mesmo segurança no andar comum, falando ao telefone. Ele estava fazendo uma encomenda e disse que não deveria haver erros, porque era a única chance de pegarem o bastardo.

Isadora franziu as sobrancelhas.

- E você não contou isso a ninguém?

- Eu não sabia se tinha relação, Isadora!! E o que aquele dinheiro poderia ser? Todos sabem que o segundo andar da casa é mais protegido do que o primeiro. Minha família estava em segurança.

- Sua família sim, mas a festa não!

- Acho que você está ficando paranóica...

- E eu acho que você começou com isso. Voce que reconheceu o homem.

Isadora começou a procurar o homem com o olhar de novo e viu algo que não gostou. Ele lançou um olhar estranho na direção de Romeo. E Romeo tinha acabado de pegar uma das batidas de Isadora. Isadora olhou para a propria bebida e a largou de qualquer jeito numa das mesas.

- Não...Meu Deus...

- Isadora? O que foi?

- Bastardo...

Ela sussurrou a palavra e se encheu de coragem. Antonella já tinha se afastado de Romeo, deixando-o em paz. Agora o rapaz poderia aproveitar a festa e foi surpreendido por uma batida sem alcool, com um de seus sabores favoritos.

No entanto, antes que ele conseguisse beber, uma mão bateu na bebida, dele. O impulso de Isadora tinha sido mais forte do que ela queria e a bebida escorregou da mão dele, se espatifando no chão. Ela arregalou os olhos com o que tinha acabado de fazer, mas continuou encenando.

- Não beba isso e brigue comigo, por favor... - Sussurrou. - Como você tem coragem de aparecer aqui!? É muita audácia da sua parte, Campanaro!!!

Ela ergueu um pouco mais o tom da voz.

Bom, ela não queria ter batido com tanta força na mão dele a ponto de fazer a bebida cair. Mas agora que tinha feito, era melhor criar um barraco para que o homem em questão continuasse com o plano.

Na verdade, ela estava ganhando tempo para poder avisar a Romeo ou a alguém com mais autoridade, para que pudesse pegar o capanga e, quem sabe, o mandante do crime.

Porque alguma coisa dentro dela dizia que o bastardo em questão eram ninguém mais, ninguém menos que Romeo.

Hugo, sem entender o que estava acontecendo, se aproximou rapidamente da amiga.

- Isadora Maria do Céééu...O que você está fazendo? - Ele perguntou entre os dentes enquanto tentava puxá-la para longe de Romeo.

- Me larga, Hugo! Você o convidou??

- Isadora... - Ele olhou para Romeo sem entender. - Você se drogou? Pelo deuses do Olimpo...
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Romeo Campanaro em Qui Jan 28, 2016 8:37 am

Surpreendentemente, Romeo se sentia mais leve depois daquele momento com Antonella. É claro que aquela relação ainda carregava muita mágoa e que Campanaro precisaria de muito mais tempo para aceitar a mãe biológica. Mas o primeiro passo fora dado, e o rapaz não se arrependia disso.

O plano de Romeo era ficar cerca de uma hora na festa, apenas para que sua presença fosse notada e para que Benito não ficasse chateado. Romeo não via nenhum motivo para continuar ali. Ainda mais depois que Pietro sumira no salão acompanhado por Nina.

Enquanto os ponteiros do relógio não se moviam com a velocidade desejada, Campanaro decidiu que deveria aproveitar aquela hora da melhor maneira que conhecia. E isso englobava bebidas e mulheres, o que parecia haver de sobra naquele coquetel.

O segurança começou a trocar alguns olhares com uma ruiva, que também não tirava os olhos dele desde que Romeo pisara no salão. A ideia era se divertir um pouco e talvez terminar a noite com ela, mas nada além disso. Desde que seu coração fora destroçado por Isadora Romazzini, Campanaro prometera a si mesmo que nunca mais se deixaria envolver emocionalmente com mulher alguma.

Romeo aceitou a bebida e iria tomar um gole antes de se aproximar da ruiva quando Isadora se materializou na sua frente. O ex-segurança particular da garota só teve tempo de piscar uma vez antes que Isadora acertasse seu punho com um tapa potente.

O golpe e a surpresa fizeram com que a taça de Romeo rolasse até o chão. O rapaz ainda se afastou um passo, mas não evitou que a bebida respingasse em sua calça.

- O que está fazendo? Você está louca???

A maneira como os olhos de Romeo se estreitaram mostrava que o rapaz não havia entendido que tudo aquilo era uma encenação. Ele estava verdadeiramente furioso quando cravou os olhos azuis escuros em Isadora, tentando ignorar como seu coração ainda batia mais rápido por ela. Mas o orgulho ainda era maior do que os resquícios daquele amor.

Nem mesmo a chegada de Hugo amenizou o clima. Algumas pessoas mais próximas já viravam a cabeça, curiosas com aquela confusão.

- Sou tão convidado desta festa quanto você! Mas eu não te devo satisfações disso. Tampouco vou participar deste teatro, Isadora. Quer protagonizar uma cena? Certo. Mas faça isso sozinha! E saia do meu caminho, você está atrapalhando a minha noite!

Sem esperar por uma resposta, Romeo se desvencilhou do corpo da garota e se afastou dela, sem olhar para trás. Hugo estava completamente boquiaberto, tanto com a frieza de Romeo quanto com o escândalo iniciado por Isadora.

- Que tipo de droga você usou? Seja o que for, estava vencida! O que foi isso, Isadora??? Você tinha acabado de falar que não queria mais saber dele!

Os olhos astutos de Vincenzo foram um daqueles que acompanharam a discussão. A atenção do rapaz se manteve em Isadora por poucos segundos, mas logo acompanhou os passos de Romeo. A expressão de Vincenzo refletiu alguma preocupação. E se Romeo decidisse ir embora mais cedo do que o planejado depois daquela briga? Não havia tempo a perder.

De forma discreta, Vincenzo sacou o celular do bolso e digitou uma mensagem de texto breve. Poucos segundos depois, o garçom com a mancha no pescoço sentiu o celular vibrando em seu bolso e conferiu a mensagem que acabara de chegar. Era uma ordem clara.

“Mudança de planos. Faça agora.”
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Qui Jan 28, 2016 9:05 am

- Saia você daqui, Campanaro! Você não é bem-vindo!!

Isadora continuou com o seu pseudo-surto diante de Romeo, mas ela tinha aprendido a mentir tão bem que parecia verdade. Doía aquela reação dele, mas as atitudes dela também foram para provocar, para que ele fosse embora em segurança.

Bufou quando Romeo saiu daquele jeito e se soltou do braço de Hugo.

- Me solta, Hugo! Eu não quero mesmo ver esse homem nunca mais na minha vida!

Olhou com um ar feroz para o amigo, mas logo a voz saiu um pouco mais leve.

- Mas também não quero que ele morra...

- Isa...Você não está fazendo sentido, de verdade.

Hugo pareceu francamente preocupado com sua melhor amiga, chegando a se aproximar dela. Segurou o rosto dela e avaliou as pupilas. Isadora meneou negativamente, se desvencilhando dele de novo.

- Pois você deveria ter me contado isso antes. Agora eu preciso correr...Ele ainda está em perigo.

Murmurou e se afastou dos braços dele.

Antonella veio rapidamente em sua direção, a segurando pelo cotovelo, mas de uma forma mais brusca.

- O que diabos você estava fazendo, Isadora? - Disse com os dentes cerrados. - Acaso queria criar um verdadeiro escandalo?

Isadora encarou a tia com o rosto vermelho e os olhos ligeiramente marejados.

- A senhora realmente acha que eu faria escandalos à toa? Francamente, tia, você deveria me agradecer, pois acho que acabei de salvar a vida do seu filho.

- Como assim...? O que houve?!

- Não tenho tempo para explicar para a senhora, preciso chegar até o Senhor Agostini.

- Que?! Isadora!

Isadora se soltou e acelerou os passos, procurando por Benito. Antonella ficou chocada, com os olhos arregalados, sem saber o que fazer. Logo ela começou a procurar por Romeo e seu coração apertou. Percebeu que não eram apenas as palavras de Isadora quando a dor foi semelhante a que tivera há doze anos, quando seus filhos morreram.

- Romeo...

O queixo dela tremeu e ela começou a procurar por ele com um pouco mais de urgência.

Benito e Lorenzo não tinham visto aquela cena, felizmente. O humor deles estava bom demais para que acabasse diante da cena que ela protagonizou com o Romeo.

Lorenzo deu um gole no whisky e franziu as sobrancelhas quando viu sua pequena se aproximando daquele jeito tão apressado e visivelmente preocupado.

- O que houve, minha principessa?

Isadora meneou negativamente para Lorenzo e voltou o olhar para Benito.

- Ainda nada, mas temo que aconteça algo em breve, Signore Agostini... - Os olhos dela marejaram. - Tenho a sensação que algo acontecerá com o seu filho...O Romeo.

Levou a mão até os lábios.

- O que...?

Isadora se aproximou um pouco mais do mafioso e começou a contar tudo o que aconteceu: desde o garçom que Hugo havia reconhecido da estranha conversa com um dos seguranças. A coincidência que era ele estar ali, o olhar para Romeo, a bebida, o que Isadora fez.

Lorenzo se mostrava tão surpreso e desconfiado quanto Benito.

- Ele não deveria ter vindo para essa festa! Eu estou com uma sensação horrível! Tire-o daqui, Signore...Por favor!!!

Não era uma suplica de uma menina mimada. Era de uma mulher que temia pela a vida do homem que amava.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Romeo Campanaro em Qui Jan 28, 2016 9:43 am

- Acalme-se, bambina. Está tudo sob controle.

A voz de Benito soou calma e o olhar que ele dirigia a Isadora também foi suave. Mas, intimamente, o mafioso já sentia uma dose alta de adrenalina se misturando ao seu sangue. As palavras de Isadora pareciam o surto de uma garota paranoica, mas Agostini sabia que não era sábio duvidar do sexto sentido de uma mulher.

- Precisa de ajuda para averiguar isso?

A oferta de Lorenzo soaria como uma piada no passado, mas agora só reforçava que Romazzini estava levando a sério aquele acordo com os Agostini. A cabeça de Benito se sacudiu em negativa e ele adquiriu um ar mais sério.

- Não será necessário, Lorenzo. Temo que este seja um problema interno e, portanto, será resolvido como tal.

- Depois de tantos ataques, como você pode ter certeza de que não se trata da mesma pessoa que tem tentado nos atingir?

Um sorriso amargo surgiu nos lábios de Benito antes que ele respondesse.

- Só conheço duas pessoas que teriam interesse em contratar a morte de Romeo, Lorenzo. Uma delas é você, mas eu sei que estou diante de um homem de palavra. Portanto, só me resta uma opção.

Sem maiores explicações, Benito se afastou calmamente dos Romazzini. Bastou um discreto gesto do mafioso para que Danila surgisse e começasse a acompanhar os passos do patrão. A recepção continuou como se nada demais estivesse acontecendo. Apenas Benito, Antonella, Lorenzo e Isadora sabiam que uma bomba estava prestes a estourar.

Do lado de fora do salão, Romeo tentava acalmar os ânimos depois daquela discussão com Isadora. O rapaz pegou a primeira taça de bebida que passou pelo seu caminho e tomou todo o conteúdo num só gole. Era inacreditável como Isadora conseguia despertar, ao mesmo tempo, sentimentos tão opostos. Romeo sentia vontade de esganá-la, mas ao mesmo tempo enlouquecia de vontade de tomar os lábios da garota em mais um beijo quente.

Por estar com os pensamentos tão fixos em Isadora, Romeo só percebeu que não estava mais sozinho naquele ponto isolado do jardim quando o garçom surgiu a sua frente. Campanaro se assustou com aquela aproximação abrupta, mas não reconheceu nenhum perigo quando o homem estendeu uma bandeja em sua direção. A bandeja continha apenas uma taça de espumante, e o copo de Romeo estava providencialmente vazio.

- Obrigado.

Romeo sorriu em agradecimento antes de trocar os copos. A taça estava há milímetros dos lábios de Campanaro quando uma mão foi pousada em seu ombro. O garçom perdeu todas as cores quando Benito Agostini surgiu na cena, acompanhado por Danila.

- Me dê a bebida, bambino.

- O que? – Romeo piscou, igualmente confuso com a presença inesperada do pai – Por que?

- Apenas me dê. – Benito retirou a taça das mãos de Romeo – E me acompanhe de volta ao salão. Faremos um brinde. Esta é uma noite especial. Danila, você sabe o que fazer.

- Sim, signor.

O segurança retirou uma arma da cintura e lançou um olhar vitorioso ao garçom. Sem dúvida, o pobre homem sofreria bastante antes de confessar tudo e de ser agraciado por um tiro na nuca.

Mesmo sem entender nada, Romeo seguiu os passos do pai e se colocou num canto do salão enquanto Benito, ainda em posse do espumante, subia no pequeno palco onde a orquestra se organizava. A música foi interrompida a pedido do mafioso, que se colocou diante do suporte do microfone. Agostini pigarreou e todas as atenções se voltaram para ele, espalhando um silêncio pesado pelo salão.

- Boa noite a todos. Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer os anfitriões desta noite pela recepção. Acho que falo em nome de todos quando digo que a perfeição está presente em cada detalhe da festa. Todos nós estamos muito honrados com o convite.

Várias pessoas concordaram com movimentos de cabeça e lançaram sorrisos na direção dos anfitriões. O clima se tornou mais leve quando pareceu que Benito só faria um brinde educado aos donos da casa, mas o mafioso logo mudou o tom da conversa.

- Eu também gostaria de aproveitar esta oportunidade para resolver uma pequena pendência que venho adiando há anos. Penso que não há momento melhor do que agora, que estou entre amigos. – Benito indicou Romazzini com um gesto, fazendo com que várias pessoas segurassem a respiração – Seguindo o exemplo do meu bom amigo Lorenzo, eu decidi reconhecer que não sou mais tão jovem e que preciso passar a coroa. Lorenzo nunca teve dúvidas de que o jovem Enzo era a escolha perfeita. E eu acabei de decidir quem será meu sucessor.

Nem mesmo o som de uma respiração foi ouvido durante a pausa feita por Benito. Telma estava com os olhos arregalados, Mariella deixou o queixo cair. Cecilio trocou um olhar tenso com Beatrice, Enzo e Giulia. E nem mesmo Vincenzo esperava por aquilo quando o pai apontou em sua direção.

- Vincenzo, meu caçula.

Algumas pessoas se arriscaram a bater palmas enquanto Vincenzo, completamente surpreso, caminhava na direção do pai. Benito o recebeu com um abraço e um sorriso inabalável. Mas a maior surpresa da noite ainda estava por vir.

- Proponho um brinde neste momento tão especial. – Benito colocou a taça de espumante nas mãos de Vincenzo – Você só precisa tomar um gole do espumante, Vincenzo. Se fizer isso, será oficialmente o meu sucessor.

Os olhos de Agostini se estreitaram e ele finalmente parou de sorrir.

- Mas, por outro lado, se você se recusar a beber, Romeo ocupará o seu lugar.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Qui Jan 28, 2016 11:01 am

Pai e filha acompanharam a saída de Agostini com olhares semelhantes, mas com um tom a mais de desespero, por parte de Isadora. O patriarca voltou o olhar para sua bambina e acariciou o rosto dela.

- O senhor não pretendia fazer nada contra ele, não é?

Lorenzo respirou fundo, revirando os olhos e continuou a encará-la fixamente.

- Não sou nenhum tipo de amador. Se eu quisesse matá-lo, já teria feito, Isadora. Acima de tudo, sou um homem de palavra. Prometi que não tocaria na família de Agostini e, querendo ou não, aquele traidorzinho é filho dele.

Isadora respirou um pouco mais avaliada, mas o pai continuou a encará-la.

- Mas muito me admira toda essa sua preocupação com ele.

- Eu fiquei assustada.

- Mesmo assim. Está me parecendo preocupada demais.

A jovem arqueou uma das sobrancelhas e o encarou quase que de modo desafiador.

- Nossa aliança com os Agostini ainda é frágil, papà. E se acontecesse alguma coisa com Romeo, a culpa podia cair facilmente em nossas costas. Estaríamos perdidos. Fiquei assustada com a possibilidade que algo assim acontecesse.

O modo que Isadora se impôs fez com que Lorenzo sentisse um grande orgulho de sua pequena. Ela seria um excelente Don, se fosse menino ou, pelo menos, primogênito. Não que Enzo não fizesse um bom trabalho, mas Isadora...era uma grata revelação.

- Certo...Mas vamos procurar por sua tia. Não a quero sozinha enquanto uma situação grave está prestes a explodir...

Os dois sairam da parte fechada e começaram a vagar pela área aberta, procurando por Antonella. Não demoraram a encontrá-la falando com um dos seguranças, como se dando a descrição de alguém. Isadora bem sabia o que a tia estava fazendo, por isso se adiantou.

- Tia...

- Isa... - ela se interrompeu ao ver que Lorenzo tinha vindo com a sobrinha. - Lorenzo, o que houve?

- Parece que tem alguma situação interna com os Agostini...

Comentou, mas logo as explicações se tornaram desnecessárias. O proprio Benito subia ao palco, interrompendo a musica por um instante. Os três começaram a se aproximar para saber o que estava acontecendo.

O ambiente, inicialmente tranquilo e pacifico, rapidamente ficou denso e tenso. Todos começaram a se entreolhar com o anuncio feito por Benito.

Ele faria ali, numa festa como aquelas, o anuncio de seu futuro herdeiro?

O nome surpreendeu a todos e as palmas vacilaram bastante.

Vicenzo achou aquilo muito estranho. Conhecendo o pai como conhecia, ele não se deixaria enganar pelo sorriso dele. Mesmo assim, ele ergueu a cabeça e aproximou-se do palco, agradecendo aqui e ali as palmas oferecidas a ele. Pai e filho se abraçaram de modo caloroso diante de todos, mas antes que Vicenzo pudesse agradecer ou falar algo belo para o pai, Benito colocou aquela taça diante dele.

O cabelo de sua nuca se arrepiou e ao olhar ao redor por um instante, ele pôde ver Romeo parado, observando toa aquela cena.

Cerrou de leve os olhos até que Benito trouxe aquela condição. Vicenzo olhou para a própria taça, para o pai e trincou os dentes, sussurrando em resposta.

- Eu sabia que o senhor me detestava, eu só não imaginava que fosse tanto assim... - Vicenzo engoliu em seco.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Romeo Campanaro em Qui Jan 28, 2016 11:42 am

- Prove que eu estou errado no meu julgamento, Vincenzo. – desta vez, as palavras foram ditas longe do microfone, apenas para o rapaz – Um gole prova que eu estou sendo injusto com você e te dá o posto que você tanto almeja.

Benito não tinha a menor dúvida sobre a culpa do caçula. Ele não tinha nenhuma intenção de dar tanto poder a Vincenzo. Aquela cena fora armada apenas porque Benito sabia que Vincenzo terminaria a noite morto ou humilhado, mas NUNCA como Don dos Agostini.

- Colocará o nosso nome nas mãos de um bastardo? – Vincenzo tentou uma última argumentação, no auge do desespero.

- Não. Colocarei o meu nome nas mãos do meu bem mais valioso. – Benito estava sério quando tomou a taça das mãos do caçula – Você deveria saber, Vincenzo, que nem a morte de Romeo faria com que eu te admirasse. Romeo é tudo o que eu quero de um sucessor. Cecilio jamais conseguiria assumir o meu posto, mas eu reconheço as qualidades dele. Já você... você só me traz decepções.

Os convidados da festa não acompanhavam o diálogo entre pai e filho e, portanto, não entendiam nada. Burburinhos começaram a se espalhar pelo salão e se intensificaram quando Vincenzo lançou um olhar de ódio ao pai e desceu do palco.

Aquela humilhação era muito mais do que Vincenzo conseguia engolir. Aquela noite deveria ser um momento de glória no qual ele finalmente se livraria de Romeo, mas acabou se tornando a maior vergonha de sua vida. Romeo não só continuaria vivo, como também teria o caminho livre para ocupar o posto de chefe dos Agostini.

A taça lotada de veneno permaneceu nas mãos de Benito, visto que o mafioso pretendia mandar o líquido para análise para ter uma prova documental contra Vincenzo e os homens contratados para cometerem aquele crime. Mas, no fim das contas, a bebida envenenada não teria mais utilidade no momento em que Vincenzo perdeu a cabeça e provou, na frente de dezenas de testemunhas, que queria o meio-irmão morto.

Tudo aconteceu tão rápido que a maioria das pessoas não entendeu o motivo do grito de Antonella. Com o sexto sentido de mãe aflorado, a loira foi a primeira a notar o movimento da mão de Vincenzo na direção do bolso interno do paletó. O grito ecoou pelo salão antes mesmo que o rapaz sacasse a arma e a apontasse na direção de Campanaro.

Vincenzo sabia que nunca teria o amor e o respeito do pai depois disso, mas ainda queria Romeo morto. Era uma questão de honra, de orgulho. Só restava a Vincenzo o sentimento de vingança. Se ele não seria o futuro Don Agostini, seu único consolo era pensar que Romeo também nunca ocuparia aquela posição de prestígio.

O primeiro disparo provocou mais gritos e uma correria desesperada pelo salão de festas. As pessoas se jogavam no chão, se escondiam debaixo das mesas, trancavam-se nos banheiros. Por sorte, Vincenzo tinha uma péssima mira e Romeo reagiu rápido, se agachando atrás de uma mesa enquanto sacava a própria arma para se defender.

O segundo disparo ricocheteou na superfície da mesa, passando há centímetros da cabeça de Romeo. O ex-segurança dos Romazzini estava se preparando para um contra-ataque quando escutou um terceiro disparo, mas desta vez nenhuma bala passou por ele. Um novo grito agudo ecoou pelo salão, desta vez vindo da garganta de Telma.

Quando se ergueu com a arma em punho, Romeo já encontrou Vincenzo caído no meio de uma poça de sangue. A bala que o atingiu viera do revólver de Danila, que invadira o salão no meio da confusão. Era óbvio que o chefe dos seguranças só atiraria em um dos herdeiros dos Agostini se esta ordem viesse de cima.

E, de fato, Benito encarava a cena com um olhar desolado, mas não parecia nem meramente chateado com a atitude do segurança. Danila conhecia as suas funções e só fizera o necessário para proteger o futuro Don.

Se Benito já valorizava Romeo, seu orgulho pelo bambino só aumentou quando Campanaro caiu de joelhos ao lado do irmão. O tiro pegara na parte de trás do pescoço de Vincenzo. Romeo tremia de leve quando tentou comprimir o sangramento com uma das mãos. Os olhos de Vincenzo se abriram, mas era evidente que sua consciência já vacilava.

- Mate-me.

- Não. – Romeo sacudiu a cabeça em negativa – Não precisa ser assim. Você vai pro hospital, vai ficar tudo bem. Não precisa terminar assim, Vincenzo.

- Eu te mataria se estivesse no seu lugar!

- Eu sei. Mas eu não sou como você. Eu não quero o nosso sangue em minhas mãos.

Danila ainda estava com a arma em punho quando se aproximou dos dois rapazes. Bastaria um aceno de Romeo e o segurança terminaria o serviço ali, diante de todos, sem que Romeo precisasse sujar as mãos. Mas a cabeça de Campanaro novamente se sacudiu numa negativa.

- Guarde a arma e ligue para a emergência, Danila. Precisamos de uma ambulância aqui.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Sab Jan 30, 2016 9:13 am

Lorenzo sabia reconhecer quando um pai se decepcionava com um filho, apenas pelo olhar. Verdade que Agostini não transbordava decepção e sim a mais pura e genuína indiferença para com seu filho caçula.

- Isso não vai terminar bem...

Comentou por alto e já tentou colocar Isadora e Antonella meio atrás dele enquanto olhava para Salvatore e o segurança já se aproximava de modo sorrateiro. Não podiam fazer uma cena e sairem correndo, até porque, Benito e Vicenzo ainda estavam falando num ponto longe do microfone. Mas Lorenzo sabia que as chances daquela acabar bem eram nulas.

Isadora recuou um pouco, mas ainda tinha os olhos cravados na cena. Antonella, por outro lado, não arredou o pé e se soltou delicadamente dos braços do irmão.

- Não é necessário executar nenhuma manobra de retirada, Lorenzo...

Sussurrou para o irmão e permaneceu no mesmo lugar. Lorenzo até ia contestá-la, mas a conversa de pai e filho tinha sido encerrada.

De onde estava, Cecilio ficou ainda mais tenso, com os dentes cerrados.

- O que você fez agora, Vicenzo...?

E diante de sua indagação, o irmão sacou a arma. Os gritos de Antonella, que estava bem na frente, mas não teve como chegar até o rapaz para arrancar a arma dele. Um segundo depois do grito, os disparos começaram. Mais gritos de outras pessoas enquanto se abaixavam, corriam ou derrubavam mesas e cadeiras.

Salvatore mesmo foi um dos que virou a primeira mesa que viu e colocou a família Romazzini atrás dela.

Antonella ficou de fora, em choque e incapaz de deixar de olhar para seu filho.

Implorava a Deus para que as balas não o acertassem e suas preces foram ouvidas. Quase enfartou ao ver a bala passando por um triz pela cabeça de seu filho. Caiu de joelhos e arrepiou-se com o último disparo.

As lágrimas rolavam pelo rosto da loira e ela sentiu como se a alma saísse do corpo com o grito de Telma.

- Romeo...Romeo....

Antonella não se importava com o salão cheio de convidados jogados no chão, tampouco com o fato de sua própria familia estar ali. Ela foi se arrastando até Romeo e o abraçou depois que ele pediu pela emergência. Fechou os olhos com as mãos trêmulas.

- NÃO!!!!!

Telma berrou nesse meio tempo e olhou para Benito cheia de ódio

- SEU MONSTRO!!!! DESGRAÇADO!!!! EU PERDOEI MAIS DE 30 ANOS DE TRAIÇÕES E DESRESPEITOS, MAS O MEU FILHO??? O MEU FILHO????? VOCÊ É UM DESGRAÇADO, BENITO!!! EU TE ODEIO!!!!!

Ela berrava para o marido, completamente desamparada e desnorteada.

Seu bebê estava morto e aquele bastardo nojento ousava tocar nele. Telma queria matar Benito que estava bem ali no palco, assistindo a tudo como se fosse um rei, mas nada poderia machucá-lo mais do que ver o filho dele realmente morto.

E a arma de Vicenzo havia escorregado para perto dela.

Nem ao menos ouviu a misericordia de Romeo, ela pegou a arma e mirou no rapaz. Mas antes que ela atirasse, Antonella ajoelhou-se ao lado dele e o abraçou. Daquele modo tão carinhoso, tão maternal. Foi uma questão de segundos até que o ódio aflorasse ainda mais. Todos aqueles anos fizeram sentido em sua mente. A ira dominava seu corpo.

E se seu filho morreria, Benito também teria uma perda lastimável.

Vicenzo tinha usado duas balas do pente de seu revolver.

Alguns seguranças tinham corrido para chamar a ambulância, mas o perigo não tinha acabado. As pessoas tinham acabado de levantar a cabeça. Salvatore o fez antes de Lorenzo e Isadora e ficou apavorado com o que viu.

Ele nem teve tempo de gritar, apenas reagir.

Tarde demais.

Telma deu dois bons disparos na direção de Romeo e Antonella. A loira ainda abraçava seu filho, mas ao ver a arma apontada para eles, ela protegeu o filho, colocando-se por cima. Foi atingida pelos dois tiros, sentindo a carne queimando e apertou ainda mais Romeo.

Benito, novamente era o expectador de uma verdadeira carnificina.

E se nenhum dos Agostini tivesse tomado uma reação até então, Salvatore teria dado o tiro na cabeça de Telma - antes que ela esvaziasse o pente em Antonella e Romeo.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Romeo Campanaro em Sab Jan 30, 2016 10:16 am

Todos os convidados para aquela recepção sabiam que eram grandes as chances da festa terminar mal. A trégua entre os Romazzini e os Agostini existia, mas era frágil como um fio de seda. Obviamente, o menor dos estremecimentos culminaria com o fim daquela inédita paz.

Contudo, o que ninguém imaginava era que a casa dos Casanova seria o palco de revelações tão bombásticas. Don Benito havia acabado de assumir diante de todos que possuía um filho fora do casamento e que pretendia fazer do bastardo o seu sucessor. Como se não bastasse este choque, Antonella Romazzini ignorou toda aquela plateia e teve uma atitude que deixou claro que o tropeço de Agostini fora do casamento fora muito mais grave do que todos imaginavam.

Como todos estavam tão focados naquela cena absurda, a presença de Telma só foi notada quando a mulher apontou a arma na direção de Antonella e Romeo. Tudo aconteceu tão rápido que era impossível reagir a tempo de evitar uma tragédia.

Quando atirou, Telma não se importava qual dos dois alvos seria vitimado pelos disparos. A Signora Agostini odiava a ambos com a mesma intensidade. Romeo porque era o bastardo que manchava o nome da sua família e tomara o lugar que deveria ser de seus filhos no coração de Benito. E Antonella porque era a dona dos sentimentos do seu marido, e era uma rival completamente imbatível.

O “Não!” de Benito foi abafado pelos disparos. Irracionalmente, o mafioso correu na direção do filho e da amante, mas o segundo disparou ecoou, mostrando a ele que já era tarde demais. Embora Agostini sofresse por Vincenzo, nada se comparava à dor que o invadia agora. Romeo e Antonella eram a sua vida. Não faria sentido continuar vivendo num mundo sem os dois.

A adrenalina era tão grande que Romeo inicialmente não percebeu que as duas balas haviam atingido Antonella. Apenas quando a loira o agarrou com mais firmeza e depois começou a perder as forças, o rapaz notou que a mãe lhe servira como escudo.

O dedo de Telma estava pronto para o terceiro disparo quando dois tiros ecoaram pelo salão, vindos de lados opostos. A bala oriunda do revólver de Salvatore atingiu a mulher no meio das costas. Fora um tiro certeiro, para derrubar Telma, mas a mulher ainda poderia ter alguma chance de sobreviver se não fosse pelo segundo disparo, este vindo da arma de Romeo.

Movido pelo ódio e usando seus reflexos rápidos, Campanaro apontara a arma para Telma antes que ela disparasse em Antonella pela terceira vez. No mesmo instante em que o disparo de Salvatore a atingia nas costas, a bala da arma de Romeo abriu um caminho mortal pelo meio da testa da mulher. Devido à proximidade, o impacto jogou Telma para longe. Seus olhos já estavam vidrados quando o corpo aterrissou no chão, completamente sem vida.

Aquele seria um espetáculo incomparável se fizesse parte de uma peça de teatro. O problema era que se tratava de uma cena real.

- Não... não, não!

A voz de Romeo soou engasgada enquanto ele largava a arma para amparar o corpo de Antonella em seus braços. A loira perdeu as forças e começou a adquirir uma palidez desesperadora. Os olhos de Campanaro já estavam cobertos por uma cortina de lágrimas quando ele colocou a mulher deitada no chão.

Os dois tiros disparados por Telma atingiram o tronco de Antonella. O vestido preto disfarçava bem o sangue, mas Romeo não se deixou enganar quando tocou o tecido escuro e o sentiu encharcado.

Desde que descobrira a verdade sobre Antonella e Benito, Romeo tentou convencer a si mesmo de que não se importava com a mãe biológica. Tudo o que ele queria era sentir apenas desprezo e ódio pela mulher que o abandonara, que nunca procurara por ele.

Mas, por baixo daquele imenso orgulho, Romeo tentava abafar um sentimento mais puro. E era injusto demais que ele perdesse Antonella logo agora que estava disposto a começar a cultivar os laços de sangue que uniam os dois.

Antonella havia errado, mas seu desejo sempre fora proteger o filho. E era exatamente por este mesmo objetivo que ela agora estava caída no chão da sala dos Casanova, perdendo o sangue dos Romazzini e a própria vida por Romeo.

- Shhh... – a loira forçou um sorriso fraco e ergueu uma das mãos trêmulas, tocando o rosto de Romeo – Você vai ficar bem. É o que importa.

- Não vou ficar. Não sem você. – a primeira lágrima rolou pelo rosto do rapaz – Não pode terminar assim, mãe.

O sorriso de Antonella se alargou, mesmo em meio à dor. Nada mais importava para ela, nada tinha mais valor do que ouvir aquela palavra dos lábios de Romeo pela primeira vez. O filho sempre a acusava de ser dramática demais, mas naquele instante Antonella sentiu que poderia morrer. Ela partiria feliz sabendo que, ao menos nos últimos segundos da sua vida, Romeo a aceitara.

A cena de despedida se tornou ainda mais perfeita quando Benito caiu de joelhos ao lado dela e entrou no foco da visão de Antonella. Não parecia haver melhor maneira de partir. Se pudesse escolher, sem dúvida Antonella desejaria partir desta vida levando aquela última imagem dos dois homens que ela mais amava.

- Benny...

- Não ouse se despedir! – Benito segurou uma das mãos frias de Antonella e a levou aos lábios, beijando os dedos da mulher – A ambulância está chegando, você vai ficar bem, Ella.

Como a conhecia tão bem, Agostini deu à amante o maior incentivo que a faria lutar pela vida.

- Você não pode ir agora, Ella. Logo agora que nós três estamos juntos! Eu preciso de você. Romeo precisa de você.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Dom Jan 31, 2016 11:44 am

Isadora e Lorenzo deram por falta de Antonella enquanto Telma gritava o marido e ainda o acusava de traição. Eles se olharam bastante aflitos, mas quando Salvatore precisou interceder, eles ficaram realmente espantados.

Foram quatro tiros muito próximos um do outro e a histeria foi geral. As pessoas se encolheram mais, Benito gritou do palco, mas não apenas ele. Mariella dava aquele grito agudo porque não estava acreditando no que estava vendo. Já Cecílio permanecia em choque. Pietro surgiu no salão e disparou quando viu que a tia estava no chão e a poça de sangue começava a se acumular ao seu redor. Enzo fez o mesmo, afinal, era sua tia-mãe.

Lorenzo e Isadora se ergueram enquanto Salvatore falava no ponto para que chamassem a ambulancia o mai rápido possível!

- Antonella...Antonella!

O patriarca dos Romazzini cambaleou enquanto tentava atravessar aquela distância que os separava. Isadora ficou de pé, bastante assustada.

Já estava mais acostumada à violência de sua família, mas nunca imaginou que fosse ver a sua tia, a maior referencia materna que já teve, numa situação como aquela. O queixo dela começou a tremer e ela caiu no chão, encolhendo-se e levando a mão até a cabeça.

Estava afogando de novo.

Porque também se sentia responsável por aquilo. Na tentativa de salvar Romeo, ela tinha sacrificado Antonella, fora os outros dois mortos que estavam no chão - ela não sabia que Vicenzo ainda respirava.

Tapou os ouvidos com as duas mãos e se tremeu toda, as lágrimas rolando copiosamente pelo rosto dela.

Antonella estava cercada pelos dois homens que mais amava, mas a visão começou a ficar cada vez mais turva. A sombra de Pietro, Enzo e Lorenzo foi vista. Ela tentou focar os olhos em Lorenzo e deu um sorriso triste.

Era um pedido silencioso de perdão.

Os olhos vieram Romeo uma última vez antes de perder as forças e desmaiar.

Nem ela, nem Isadora teriam condições de ver o verdadeiro pandemonio que virou aquela festa.

Benito devia muitas explicações aos Romazzini, mas primeiro precisavam lidar com os mortes, feridos, policia, comprar imprensa e testemunhas. Enfim, tinham que lidar com o caos que tinham causado ali.

Antonella e Vicenzo foram levados para a sala de cirurgia do hospital. Eles tinham ferimentos graves, muita hemorragia. Foi a vez de Romeo retribuir o gesto de sua mãe e doar o sangue para ela. Os médicos já tinham avisado que seria um procedimento longo e estavam sob grande tensão, por conta dos importantes pacientes que tinham em mãos.

Isadora também foi colocada em observação por conta do choque.

Coube à Pietro e Enzo lidarem com a compra da imprensa e da policia. Salvatore e Danila tiveram que cuidar dos detalhes sujos, como responsabilizar Telma pelos ataques, criar situações para que ela tivesse sido a mandante do crime contra Romeo e Vicenzo apenas um irmão invejoso.

Lorenzo não perguntava nada, mas ele não precisava.

As coisas já estavam fazendo sentido em sua mente. Só que realmente não sabia como lidar. Pela primeira vez, o Don Romazzini se encontrava dividido entre o amor e o dever.

O que ele ia fazer com Antonella quando ela acordasse? Porque sim! Não havia duvidas que ela acordaria!

Mas que atitude tomar?

E Romeo? Seu sobrinho...Um Romazzini com sangue Agostini. Agora entendia porque gostava tanto da rapaz, mas mesmo assim, também era um traidor e agora o novo Don dos Agostini.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Romeo Campanaro em Dom Jan 31, 2016 12:43 pm

As paredes brancas do quarto e a iluminação solar que entrava por uma ampla janela fizeram com que a mente confusa e atordoada de Antonella concluísse que aquele era um pedaço do céu. Depois de tantas mentiras e tantos pecados, a mulher se surpreendeu ao pensar que sua alma tinha um abrigo celestial.

A loira piscou algumas vezes e teve ainda mais certeza de que estava morta quando o rosto bonito de Romeo surgiu em seu campo de visão. O rapaz era naturalmente bonito, mas naquela manhã exibia um sorriso que realçava ainda mais os seus traços. Sem dúvida, Romeo herdara os melhores genes dos Agostini e dos Romazzini.

- Oi, mãe.

- Romeo...

Inicialmente, Antonella não reconheceu a própria voz. Ela vez uma careta ao escutar aquele timbre fraco e rouco que em nada combinava com a voz firme que costumava sair de sua garganta.

- É, você está péssima. – o sorriso de Romeo se alargou – Mas ainda continua bonita. Ao menos, é o que o papà diz.

Ao notar o olhar perdido de Antonella, Romeo foi obrigado a explicar. Enquanto falava, o rapaz levou os dedos até o rosto pálido da mãe e afastou carinhosamente uma mecha dos cabelos loiros que caía perto dos olhos dela.

- Você está no hospital, passou por uma cirurgia. Teve uma lesão no fígado e perdeu muito sangue. Mas já está tudo sob controle.

Não era bem uma verdade. O estado de saúde de Antonella era estável e a loira não corria mais riscos. Mas a situação definitivamente não estava resolvida do lado de fora daquele hospital. Parte do escândalo ocorrido na festa dos Casanova foi abafado, mas era impossível não noticiar o tiroteio que culminara na morte de Telma e nos ferimentos graves de Antonella e Vincenzo Agostini.

Além disso, quando saísse daquela cama, Antonella teria um grande problema para resolver. Ela estava ali sob a proteção dos Agostini, na qualidade de mãe do futuro Don. Portanto, era óbvio que Lorenzo já conhecia toda a verdade sobre o envolvimento dela com Benito. Por mais que a amasse, o líder dos Romazzini certamente não estaria feliz em saber que sua irmã era amante de um Agostini há décadas, que tivera um filho com Benny!

- Não se esforce tanto. – com a mão livre, Romeo segurou uma das mãos de Antonella e entrelaçou os dedos aos dela – Vai ficar tudo bem, mãe. O pior já passou.

A frase de Romeo não se referia apenas ao tiroteio e ao ferimento de Antonella, mas também ao relacionamento dos dois. Pelo menos aquela tragédia havia servido para reaproximar aqueles dois corações. Depois que Antonella colocou em risco a própria vida para salvá-lo, Romeo não teve mais coragem de desprezá-la. O gesto de amor dela conseguira ser maior que o orgulho dele.

- Valeu a pena... – Antonella murmurou com a voz rouca e um olhar choroso e emocionado.

- Não comece com os seus dramas! – os olhos escuros de Romeo giraram, mas ele denunciou a brincadeira com um riso – Guarde um pouco pra quando o papà chegar.

Como se tivesse sido invocado, Benito abriu a porta do quarto no segundo seguinte. O mafioso estava visivelmente exausto depois das emoções dos últimos dias. Agostini simplesmente não conseguiu dormir. Além da preocupação com Antonella e Vincenzo, Benito precisou agir diretamente para abafar o escândalo, para cuidar dos detalhes do sepultamento de Telma, para consolar os outros filhos. Telma era uma péssima pessoa, mas era mãe deles, afinal.

Benito também fez questão de tirar de Romeo a culpa pela morte da esposa. Várias testemunhas – obviamente compradas pelos Agostini – afirmaram que os tiros que abateram Telma vieram das armas de Salvatore e de Danila.

Ao ver os olhos de Antonella abertos, Benito abriu o primeiro sorriso sincero dos últimos dias. Com um olhar emocionado, ele se aproximou da cama e se sentou no canto do colchão.

- Por Dio! Você acordou, Ella!

- Heeeeeeey! – Romeo protestou quando os dois simplesmente o ignoraram e uniram os lábios num beijo carinhoso – Que nojo. Eu vou embora!

- Romeo. Acho que você já passou desta fase, bambino.

- Eu prefiro ir embora porque vocês dois não parecem conhecer limites.

Campanaro resmungou, mas seu sorriso mostrava que ele apenas queria deixar os pais à vontade. Benito merecia aqueles minutos de paz depois do inferno que enfrentara nos últimos dias.

No corredor, Romeo enfiou as mãos nos bolsos e seguiu caminho na direção da lanchonete do hospital. A verdade é que ele também não tivera um minuto de sossego nos dois últimos dias e seu corpo já implorava por descanso. Antes que o rapaz pudesse pedir o tão desejado café, o celular vibrou em seu bolso. O visor mostrou o número de Danila e a voz do segurança soou séria no aparelho.

- Temos um problema aqui.

- Diga.

- Pietro está na minha frente e quer visitar a tia.

A pedido dos Agostini, Danila cuidava pessoalmente da segurança do andar onde Antonella estava internada. Qualquer visitante teria que passar por ele e por mais três seguranças antes de chegar ao quarto da mulher.

- Tudo bem, Danila. O Pietro é de confiança, você sabe disso.

- Eu sei. Mas o problema é que ele não está sozinho.

Antes que Danila pudesse explicar, o celular foi tomado das mãos dele. A voz de Pietro estava furiosa quando soou do outro lado da linha.

- Sr. Agostini! Eu e a minha irmã queremos ver a minha tia! E eu vou enfiar uma bala no meio da testa desde cão de guarda na minha frente se ele não autorizar a minha entrada AGORA!

- Ui. Quanta braveza...

- QUE??? É VOCÊ, ANIMAL? JÁ ESTÁ PODEROSO ASSIM? DIGA LOGO PRA ESSE IMBECIL QUE A GORDINHA E EU PODEMOS ENTRAR.

Pietro não esperou por uma resposta antes de colocar o celular de Danila no viva-voz. Depois de uma breve pausa, a voz de Romeo soou no aparelho.

- A sua entrada não está autorizada, Pietro.

- Viu? – Danila abriu um sorrisinho vitorioso que fez Pietro pensar seriamente em cumprir a promessa de atirar nele.

- VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE ME IMPEDIR DE VER A MINHA TIA, CAMPANARO!

- Não é uma questão de direito, é uma questão de poder.

- QUEEEEE?

Romeo soltou uma gargalhada, não conseguindo manter por muito tempo aquela postura altiva.

- Relaxa, Pietro. A sua tia acabou de acordar e está conversando com o meu pai. Dê mais alguns minutos aos dois, eles precisam deste momento. Você e a sua irmã podem entrar em uma hora, certo? Certo, Danila?

- Sim, signor.

- Mas que merda é essa de signor? – Pietro sacudiu a cabeça – Era sério aquele lance de você se tornar o sucessor?

- Ao que parece, sim. Mas eu ainda quero ser seu amigo, Pietro. O poder não vai afetar a minha mente.

- Imbecil. – os olhos de Pietro giraram – Onde você está? Está no hospital ainda?

A resposta de Romeo vacilou por alguns segundos. Ele não via nenhum problema em passar alguns minutos na companhia de Pietro, mas preferiria não ter que lidar com a presença de Isadora naquele dia. Contudo, não parecia haver uma forma de fugir daquela situação.

- Na lanchonete.

- Tem bolo?

- Que? Bolo?

- É, animal. Nunca ouviu falar de bolo? É uma comida gostosa feita com farinha, ovos, leite... A gente bota no forno e depois coloca recheio e cobertura. Você deveria experimentar.

- Eu deveria experimentar um fuzil na sua cabeça. – Romeo fez uma pausa enquanto olhava as vitrines – Tem vários bolos aqui, idiota. Mas você quer de qual sabor?

- Romeo, aprenda algo muito importante sobre mim e sobre bolos: o sabor não importa. Estou descendo, não coma tudo!
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Dom Jan 31, 2016 1:34 pm

Antes que Isadora pudesse manifestar qualquer tipo de insatisfação com a ideia de compartilhar um café com Romeo, Pietro a agarrou pelo pulso e começou a tomar o caminho da lanchonete do hospital. Ouviu a irmã bufando de leve e teve que conter uma risada.

Apenas quando chegou no local, Pietro soltou o pulso de Isadora. Ela diminuiu os passos, ajeitando a bolsa em seu ombro e abaixando o olhar.

Era previsível que fosse encontrar com Romeo no hospital, afinal, era a mãe dele quem estava internada ali. Só não imaginavam que ele já tivesse tanto poder. Não era como se duvidassem das palavras do Don Agostini, mas se surpreenderam por ele já colocar em prática.

Pietro aproximou-se de Romeo, dando aquele abraço caloroso e fraternal.

Isadora se aproximou com mais cautela. Estava usando uma calça comprida jeans escura e uma blusa de manga 3/4 branca, de botão. Os cabelos não estavam tão alisados quanto antes, voltando a ganhar mais ondas, mas sem deixá-la com aquela cara de menina.

- Então agora você é meu primo mesmo!

Pietro disse dando uma risada.

- Isso vai ser muito engraçado. Um primo líder da família rival, pra onde eu também trabalho. Adoro minha vida.

O rapaz continuava tagarelando. Mas ao perceber que a irmã já estava próxima o suficiente, deu espaço para que ela falasse. Isadora encarou Romeo um pouco hesitante, mas logo o cumprimentou também.

- Como vai? - Sua voz saiu num tom de voz rouco, mas logo ela o consertou. - Como está tia Ella?

- Vou fazer os pedidos, porque o Romeo obviamente esqueceu como se faz agora que é o Manda-Chuva. Não que vocês estejam prestando atenção em mim...

- Cala a boca e vai pedir meu café, Pietro.

- Hunf.

Pietro se afastou e Romeo e Isadora procuraram uma mesinha para se sentarem. Ela sentou-se, ainda distante e respeitosa.

Isadora não tinha boas notícias por parte dos Romazzini, mas não pretendia falar sobre isso com Romeo, por enquanto. Contudo, sua expressão já indicava que havia algo errado. Naquele instante, Lorenzo e os outros estavam reunidos para discutir qual seria a melhor posição a ser adotada depois de descobrirem aquela relação proibida.

A jovem umedeceu os lábios e fitou o rapaz.

- Primos, hm?
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Romeo Campanaro em Dom Jan 31, 2016 2:02 pm

Se tinha algo do que Romeo se orgulhava era da própria frieza. A imagem de Isadora já era o bastante para despedaçá-lo por dentro, mas o rapaz conseguiu manter no rosto uma expressão racional e indiferente. Com Pietro, ele foi amigável e divertido como de costume, mas diante de Isadora vestiu com perfeição aquela máscara que escondia o quanto o passado dos dois ainda o machucava.

- Ela está bem.

Romeo ignorou completamente o comentário sobre serem primos. Por mais que aquilo fosse uma verdade que agora todos sabiam, Campanaro preferia pensar que nada havia mudado. Era melhor que Pietro continuasse sendo apenas um bom amigo e que Isadora se tornasse somente uma lembrança a ser esquecida.

- Acordou um pouco confusa, mas deve ser pelo efeito residual dos analgésicos.

- Analgésicos! – Pietro retornou à mesa já com uma gargalhada – Você fala deste assunto com propriedade não é, Romeo?

O ex-segurança dos Romazzini lançou um olhar entediado para Pietro e esperou que o rapaz chegasse sozinho à conclusão mais óbvia.

- QUEEEE? NÃO FORAM OS ANALGÉSICOS???

- Eu precisei sair para resolver umas pendências e precisava de uma desculpa para justificar o sumiço.

- Que merda, Romeo! Eu achei que você tinha curtido o maior barato!

- Infelizmente não. Cadê o tal bolo?

- Bolos, no plural. A garçonete vai trazer. Aliás, que garçonete! Eu quase me esqueci dos bolos por causa daquele decote. Quase.

A presença de Isadora nunca fora um problema para que Pietro falasse sobre mulheres. A “gordinha” era vista como um dos amigos com quem Pietro falava sobre qualquer tipo de assunto, inclusive sobre as suas conquistas.

- Melhor que o decote da Nina? – Romeo abriu um sorrisinho cretino, virando o jogo lindamente contra Pietro.

- Não pise neste terreno, Romeo! – o sorriso de Pietro desapareceu e ele parecia quase constrangido quando completou – Eu ainda sou um homem livre. Aliás, graças a sua família! Eu estava tentando me acertar com a Nina quando os Agostini decidiram resolver velhas pendências com um singelo tiroteio que interrompeu a nossa conversa.

- E há forma melhor de resolver os problemas?

A chegada da garçonete interrompeu a conversa dos dois rapazes. Romeo até tentou disfarçar, mas obviamente deu uma conferida discreta no tal decote da garçonete. De fato era uma moça bonita, Pietro não havia exagerado naquele elogio.

Mas o que mais chamou a atenção de Romeo foram os pratinhos que a moça colocou diante de Pietro. Romeo e Isadora foram servidos apenas com um café simples enquanto Pietro ficou rodeado por quatro pratinhos com diferentes sabores de bolos.

- Achei que o sabor não importava.

- E não importa. – Pietro deu a primeira garfada e completou com a boca cheia de glacê – Eu sempre como todos. E a tia Ella? Você falou com ela?

- Está melhorando, ela acordou esta manhã. É claro que ainda não contamos a ela sobre todas as repercussões do escândalo. Aliás, seria ótimo se vocês dois a poupassem por mais alguns dias. Ela ainda não está pronta para saber que se tornou uma inimiga dos Romazzini.

Pietro estava mais sério e até deixou seus bolos de lado para encarar Romeo durante aquela indagação. O maior receio de Pietro era ver Antonella desamparada pelos dois lados. Se Lorenzo virasse as costas para ela e os Agostini não a acolhessem, Antonella estaria perdida.

- Eu não sei qual será a postura dos Romazzini. Mas gostaria de saber qual será a dos Agostini...

- A única possível. – Romeo respondeu com a mesma seriedade – Ela é a minha mãe e vai contar com toda a proteção que merece.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Dom Jan 31, 2016 4:02 pm

A jovem Romazzini não tentou mais nenhuma aproximação depois daquele comentário ignorado. Esperou que ele respondesse sobre o estado de saúde de sua tia e depois disso, voltou a tomar uma postura mais distante, sem encará-lo. Ficou olhando na direção de seu irmão, vendo que ele retornava com aquela cara boba típica dele.

Deu um meio sorriso por conta da surpresa dele para a história dos analgesicos e depois disso, ela se manteve alheia ao assunto.

Ficou olhando o tempo inteiro para o irmão, o que permitia uma visão perfeita de seu bonito perfil. O nariz arrebitado, os lábios superiores um pouco mais carnudos e erguidos por conta dos dentes dentucinhos que ela tinha - e que mesmo isso, fazia seu rosto perfeito. Ela não fazia por mal, mas isso acabava atraindo ainda mais a atenção por sua delicadeza.

Voltou o olhar para os pedidos deles e arqueou uma das sobrancelhas para os decoes.

- Quero esse aqui...

Começou a puxar, durante a discussão deles.

- Não se atreva! - Pietro fingiu dar uma garfada na mão dela.

- Isso nem é bolo, é torta!

- Não importa, é meu...

Isadora cerrou os olhos e simulou um espirro em cima da torta. Pietro fez uma cara de desgosto e soltou o prato.

- Sua gordinha nojenta...Trapaceira

Meneou negativamente e voltou a atenção para Romeo. Isadora deu uma risada e começou a comer a torta de nozes com chocolate. Ela também era fascinada por doces, chegava a ser uma crueldade Pietro ficar com tudo aquilo, sem oferecer nada para ela.

O assunto voltou a ficar um pouco mais sério e Isadora suspirou para o comentário.

- Eles estão se reunindo hoje para falar sobre isso, mas não imagino o que vai acontecer. Não se preocupe, não vamos falar nada...

Ela respondeu ainda sem encará-lo.

Subitamente, tinha perdido um pouco o desejo pelo doce e repousou o garfo ao lado do prato. Limpou os lábios e cruzou os braços.

Somente depois da resposta de Romeo sobre a postura a ser adotada em relação a Antonella, Isadora voltou a encará-lo. Ela o olhou de um modo tão delicado que foi impossivel não sorrir em aprovação às palavras dele. Um sorriso que vacilou quando se deu conta de uma coisa.

Sua família inteira estava praticamente migrando para o lado dos Agostini.

Primeiro Pietro, agora Antonella, isso sem contar o próprio Romeo.

Esperava que o pai pudesse identificar esses sinais

Além do fato que eles realmente trabalhavam melhor juntos do que separados. Naquele curto periodo de aliança, os lucros tinham dobrado, praticamente. E, com exceção do trágico incidente que ocorrera na festa dos Casanova, eles mantinham uma convivência harmônica.

Outra coisa que a incomodava era como sempre falhava na tentativa de se afastar de Romeo.

Talvez partir para Milão não fosse mais uma ideia tão distante assim, pelo ritmo das coisas. Ela não o queria morto, mas até agora, compartilhar uma mesa com ele parecia algo dificil.

Começou a ficar um pouco mais inquita e começou a se levantar.

- Preciso fazer uma ligação, com licença...

Olhou para Pietro, como se pedisse licença exclusivamente a ele e se afastou deles. Começou a mexer na bolsa enquanto seguia para uma área arborizada, proxima à lanchonete - onde algumas pessoas aproveitavam para fumar no "jardim de inverno" do hospital.

Pietro acompanhou a saída dela com o olhar e voltou a encarar Romeo.

- Voces são mais teimosos do que eu imaginava... - Fez uma massagem no proprio pescoço. - E ela também está mais sensível porque se sente culpada...

Comentou por alto.

- Porque foi ela quem começou quando não agiu de modo discreto para tirar a bebida da sua mão. Ela ainda não sabe agir com os nossos migués, mas eu diria que ela tem um futuro promissor, não? Consegue imaginá-la daqui a alguns anos?
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Romeo Campanaro em Dom Jan 31, 2016 4:51 pm

Romeo não conseguiu disfarçar a surpresa quando finalmente entendeu que a ceninha de Isadora durante o coquetel tinha o objetivo de salvá-lo do plano que culminaria com o assassinato dele. Contudo, antes mesmo que pudesse alimentar alguma esperança, Romeo se obrigou a pensar que aquilo não significava nada demais. Isadora queria apenas evitar uma tragédia que faria a tia sofrer. Aquilo não era um sinal de que havia um futuro para os dois.

- Não é mais uma questão de teimosia. – Campanaro deu de ombros e tomou um gole do café, novamente reassumindo aquela máscara de indiferença – É muito mais simples do que isso, Pietro. Acabou.

Aquela palavra agravava a dor que Romeo já sentia com o fim do relacionamento, mas o rapaz se obrigava a repeti-la como se aquela tortura fosse ajudá-lo a superar Isadora de alguma maneira.

- Eu realmente não sei se Isadora leva jeito para os negócios. Mas isso é algo que não me diz respeito. Toda a minha preocupação está voltada para o lado Agostini agora.

- Você também tem sangue Romazzini, Romeo.

- A minha fidelidade vale mais do que o meu sangue.

- Os Agostini se aliaram aos Romazzini... – Pietro novamente argumentou – Teoricamente, você deveria ser fiel aos dois lados desta história, então.

- É uma aliança temporária.

- Será?

Pietro nunca fora reconhecido por sua racionalidade, mas naquele dia mostrava um raciocínio muito mais lógico que o de Romeo. Para Pietro, era óbvio que a saída mais inteligente para aquela situação era uma aliança definitiva entre Agostini e Romazzini.

As duas famílias já mostraram que funcionavam muito bem juntas e, sem os golpes e as ironias do passado, Benito e Lorenzo até que se davam bem. Sem mencionar que a união deles solucionava o problema chamado Antonella. Lorenzo não precisaria abrir mão da irmã que tanto amava e Benito finalmente poderia viver sua história com o amor de sua vida.

- É uma decisão que não cabe a mim. Se os dois quiserem prolongar este acordo de paz, eu obviamente vou respeitar a decisão do meu pai.

- Se os dois se aliarem em definitivo, seu caminho até Isadora estará livre. – Pietro insistiu naquele assunto.

- Pietro, acabou. Isadora é uma página virada na minha vida.

- Você deixou de amá-la? – Pietro sabia ser insuportavelmente insistente.

- O que é isso? – os olhos de Romeo se estreitaram – É um interrogatório, uma sessão de psicanálise?

- Não. É apenas uma conversa franca entre amigos. Você ainda ama a Isadora?

- Aquela Isadora? – Romeo moveu a cabeça na direção onde a moça havia saído para usar o celular – Não. A Isadora que eu amei não existe mais. Eu também não sou o cara que ela gostaria que eu fosse. Por isso, Pietro, acabou. E eu ficaria grato se você não tocasse mais neste assunto.

O semblante de Romeo deixava claro que o assunto havia morrido ali. Por mais que gostasse de Pietro, Romeo não pretendia abrir seu coração para o amigo. Além disso, se o objetivo era esquecer Isadora, o mais sensato a se fazer era parar de reviver o passado ao lado dela.

- Eu vou para casa. Estou há dois dias neste hospital e preciso de um banho, de um cochilo. Danila vai autorizar a sua passagem.

Quando retornasse à mesa, Isadora encontraria apenas Pietro terminando de devorar suas fatias de bolo. O café de Romeo fora abandonado pela metade, mas o dinheiro deixado ao lado da xícara mostrava que o rapaz não retornaria à mesa.

Pietro terminou de comer sem pressa e não mencionou mais nada sobre Romeo. Ao fim do lanche, os dois subiram novamente até o andar de Antonella e Danila liberou a passagem dos dois.

Os sobrinhos bateram na porta antes de entrarem no quarto, mas nem isso evitou que eles flagrassem uma cena mais íntima. Não era nada constrangedor ou obsceno. Ao contrário, era um tipo carinhoso de intimidade que deixava bem claro que o sentimento que unia Antonella e Benito não era somente uma atração.

Agostini estava sentado no canto da cama. Antonella mantinha a cabeça repousada num dos ombros dele e enlaçava o tronco do mafioso num abraço. Com uma das mãos, Benito acariciava a nuca dela por baixo dos fios loiros, num cafuné gostoso e demorado.

- Pietro? – a voz de Antonella estava ligeiramente mais firme – Isadora!?

O sorriso da loira se alargou com aquela linda surpresa e ela estendeu uma das mãos na direção dos sobrinhos. Mesmo agora que Romeo ocupava uma grande lacuna no coração de Antonella, ela ainda guardava uma boa dose de seu carinho maternal para os sobrinhos.

- Dio santo, vocês nunca me viram tão descabelada! Eu pareço um fantasma de tão pálida! Se eu soubesse que viriam teria ao menos trocado esta camisola ridícula do hospital.

- Relaxa, tia. – Pietro abriu um sorrisinho – Gostei da camisola. Talvez seja um sinal para que a senhora deixe de usar somente preto, hm?

- Ah, não. – Benito se meteu na conversa – Nem pense em se livrar daquela camisola preta!

- BENNY!!!

- Ai! Meus ouvidos estão sangrando! – Pietro fez uma careta antes de cair na gargalhada – Agora entendi porque o Romeo fugiu deste quarto.

Com cuidado por causa dos curativos, Pietro se inclinou e deu um abraço na tia. Era muito bom ver Antonella viva depois daquele susto, mas era ainda melhor vê-la tão feliz.

Pietro simplesmente não se lembrava da última vez que vira um sorriso tão amplo e um olhar tão sereno no rosto da tia. Benito era responsável por parte daquela alegria, mas Pietro sabia que a maior felicidade da tia respondia pelo nome de Romeo. Ser finalmente aceita pelo filho era um presente que conseguia abafar a dor da decepção que ela causara aos Romazzini.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Dom Jan 31, 2016 7:05 pm

O momento de ternura compartilhado por Benito e Antonella foi extremamente comovente. Isadora sentiu o coração se comprimindo dentro do peito, mas logo puxou o fôlego e se aproximou da tia. Ela a abraçou daquele modo extremamente carinhoso e deu um beijo na bochecha da tia. Antonella entendia bem a intensidade daquele carinho e acariciou o rosto de sua pequena.

Isadora sempre foi a sobrinha mais colada nela e a filha que ela nunca teve. A garota soluçou nos braços da tia, finalmente revelando a fraqueza que a acometeu no dia.

Os sorrisos foram embora quando ela entrou naquele choro copioso. Pietro aproximou-se de Isadora, tocando no ombro dela.

- Isa... - ele disse com cautela.

Até mesmo Benito pareceu preocupado e se dispos a consolar a menina.

- Bambina, não precisa chorar mais...

Mas Antonella pediu para que eles ficassem quietos enquanto acariciava o cabelo dela.

- Vocês podem nos deixar por um instante, por favor?

Olhou para os dois. Isadora nem ao menos olhava para eles, ainda abraçava e protegida pelos braços da tia. Benito e Pietro menearam positivamente e logo saíram do quarto. O irmão esperava que Isadora não contasse nada e continuasse poupando Antonella, como Romeo tinha pedido.

Do lado de fora, Benito comentou com Pietro.

- Como estão as coisas por lá?

- Não sei, Signore. Mas Isadora comentou que eles estavam se reunindo hoje...O Don Romazzini não ligou até agora?

Benito passou a mão pela nuca.

- Ele ficou aqui durante toda a operação, mas não falou absolutamente nada. Só saiu depois que Antonella foi levada para o quarto, mas reconheço um olhar rancoroso quando vejo um, por isso armei a segurança. Mas Lorenzo não tentou se aproximar.

- Hm...E Cecilio e Mariella?

Os ombros de Benito caíram de novo e ele suspirou, meio triste.

- Cecílio está ressentido. Era a mãe dele, afinal. Mesmo que nunca tenha dado a ele o mesmo carinho que dava para Mariella e Vicenzo. Talvez porque Cecílio seja fisicamente parecido comigo, não sei. Mas ele está distante. Mariella está fazendo um dramalhão e foi se recolher num SPA em Roma.

Benito falou da filha bastante cansado, visivelmente mais preocupado com sua relação com Cecilio do que com a filha.

- E o Vicenzo?

- Coma induzido, estável. Os médicos avaliaram os exames que fizeram na cabeça dele, mas é difícil dizer se ele terá uma sequela ou não. Aparentemente, ele só depende da própria força de vontade.

- Sinto muito, Signore...

Benito nem ao menos respondeu.

Sempre foi um homem bastante sincero e a verdade era que ele não sentia muito por nenhum deles, com exceção de Cecílio. Ele amava Cecílio e não gostaria de se afastar dele, preferia que o filho compartilhasse a felicidade com ele.

Já dentro do quarto, a conversa era um pouco diferente. Antonella ficou acariciando o cabelo de Isadora enquanto ela chorava e soluçava sem parar.

- Eu...tive...tanto...medo...

Ergueu a cabeça, olhando para a tia com os olhos e o rosto vermelho. Antonella continuou a encará-la, acariciando o rosto dela.

- Se a senhora morresse, eu...eu...

- Shhh...Não foi culpa sua, Isa...

- Foi sim... - Engoliu em seco, fechando os olhos. - Eu tentei salvar o Romeo e coloquei a senhora em risco. E a senhora morreria achando que eu nunca a perdoei e ainda a odiava...Eu fui tão tola, tão idiota...Eu te amo tanto, tia...você é minha mãe também!

Antonella fez uma carinha mais meiga quando ouviu isso e secou as lágrimas de Isadora com as duas mãos.

- Isa... - A loira se acomodou um pouco melhor na cama. - Há vinte e cinco anos, eu abri mão da minha vida pela do Romeo. Quando você for mãe, você vai entender o que eu quero dizer... - Antonella deu um sorriso. - Eu não fiz mais do que minha obrigação e teria feito quantas vezes fossem necessárias. E faria por você, Pietro, Enzo...

Umedeceu os lábios.

- Vocês são meus filhos e minha vida não faria sentido se eu perdesse qualquer um. Imagina se eu perdesse Romeo. Eu o reencontrei vinte e cinco anos depois e morreria sem poder dizer o quanto eu o amava.

Isadora fungou com a explicação da tia e meneou positivamente.

- A senhora me perdoa...?

- Pelo que? Por ter ficado triste e decepcionada comigo?

- Por ter sido infantil e ter dado as costas para as pessoas que mais amo nessa vida...

Antonella piscou algumas vezes e ajeitou o cabelo dela.

- Eu perdoo. Mas você se perdoa?

- Como assim?

- Eu posso te perdoar, mas você também tem que parar de se punir. Sua teimosia e seu orgulho vão afastá-la de uma vida feliz...

Isadora ficou sem saber o que dizer diante desse conselho da tia.

- Você também quer esperar quase três décadas para ser feliz ao lado dele? Você não precisa, Isa...

- Não é tao simples assim. Acabou, tia.

Antonella teve que rir do comentário da sobrinha, meneando negativamente.

- Faça ser simples, então...

Isadora mordeu o lábio inferior, mas esboçou um sorriso e abraçou a tia de novo. Não fez nenhum tipo de promessa, mas levaria aquele conselho em consideração.

Pouco mais de vinte minutos depois, a jovem deixou o quarto, secando as lágrimas com um lencinho. Benito estava de pé de novo enquanto Pietro conversava com Danila sobre o resultado de um jogo.

Os três a olharam por um instante, mas Isadora sorriu e virou-se para Benito.

Quando o Don Agostini foi encarado daquela maneira, sentiu o coração aquecer. E disparou quando Isadora se aproximou dele e o abraçou de modo tão carinhoso. Então era assim que Lorenzo se sentia. Amado. Se não estivesse tão feliz, ele quase sentiria inveja de Lorenzo.

- Obrigada, Signore Agostini...

- Pelo que, bambina?

- Porque o signore protege duas pessoas que eu amo e daria minha vida por eles. Obrigada por tudo o que fez pelo meu fratello e pelo sorriso da minha tia... - Afastou-se um pouco, secando as lágrimas. - Eu espero que meu papà não fique triste comigo por isso, mas eu sempre gostei do signore. Desde aquela noite, quando o conheci...

Sorriu de modo ingenuo para o mafioso. O Don Agostini também abriu um sorriso jovial para a garota.

- Eu que devo agradecer, bambina. Talvez se você não tivesse me alertado naquela noite, Romeo não estivesse mais conosco. E eu nunca poderia ficar com o amor da minha vida.

Isadora meneou positivamente, sorrindo ainda gentilmente.

- E eu também gostei muito de você, desde aquele dia, bambina. Você tem os olhos e o coração de sua mamà. Tenho certeza que se ela estivesse viva, nossas famílias já teriam se entendido há mais tempo.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Romeo Campanaro em Dom Jan 31, 2016 8:03 pm

Começava a escurecer quando os olhos de Antonella se abriram. O quarto do hospital estava silencioso e coberto por sombras. A visão da loira demorou um pouco até se habitual àquela iluminação restrita, mas ela logo reconheceu a silhueta do homem parado em frente à porta.

- Como passou pelo Danila? – a voz de Antonella soou anormalmente calma, indicando que ela não se sentia ameaçada pela presença dele.

- Salvatore tem seus truques. – a voz de Lorenzo ecoou baixa pelo quarto, mas carregada.

Ainda com o corpo dolorido, Antonella se esforçou para se colocar sentada na cama. Com alguma dificuldade, a loira se recostou contra os travesseiros e novamente fixou os olhos no irmão mais velho. Nem mesmo a penumbra do quarto escondia a expressão fechada de Lorenzo. Era óbvio que ele estava magoado, afinal foram três décadas de mentiras. Antonella nunca dera a Benito nenhuma informação que ele pudesse usar contra os Romazzini, mas o simples fato de amar um Agostini já era uma grande traição.

- Veio para finalizar o serviço? Ou simplesmente vai me excluir da família como fez com Pietro?

- A minha decepção com Pietro é uma gota d’água diante do mar que representa a sua traição, Antonella.

As palavras de Lorenzo atingiram a irmã com a potência de uma lâmina atravessando seu peito. Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas Antonella não se rendeu ao choro. Ela amava Lorenzo, sempre fora fiel aos Romazzini, mas não pretendia implorar. Antonella se recusava a pedir perdão simplesmente por amar alguém.

- Faça o que deve ser feito então, Don Lorenzo. Eu não reagiria nem se estivesse em condições para isso.

As regras da máfia eram rígidas. Uma traição daquele porte deveria ser punida com a morte. A honra dos Romazzini só seria inteiramente restaurada se Lorenzo fizesse da irmã um exemplo a nunca ser seguido.

Como sempre, Lorenzo carregava uma arma em sua cintura. Ele e Antonella estavam sozinhos no quarto e seria muito fácil finalizar aquele problema com um único disparo. Mas o líder dos Romazzini não tinha coragem para derramar o próprio sangue com tanta frieza. Ele amava demais a irmã para suportar a ideia de tirá-la de sua vida.

- Por que, Antonella? Apenas me diga o por que!

A cabeça de Antonella se sacudiu e ela abriu um sorriso amargo e incrédulo antes de responder.

- Porque eu não tive a sua sorte, Lorenzo. Eu não me apaixonei por alguém que nossos pais aprovavam.

- Não ouse comparar o seu romance podre com o amor que eu sinto por Chiara!

A voz de Lorenzo se elevou e, como sempre acontecia sempre que ele falava da falecida esposa, o mafioso se recusava a usar os verbos no passado.

Ao invés de se ofender ou recuar com aquela exaltação, Antonella manteve a serenidade e a postura quando rebateu.

- É muita petulância sua achar que apenas você e Chiara experimentaram o amor verdadeiro, Lorenzo. Você não sabe nada da minha história com o Benito. Não sabe o quanto sofremos, o quanto lutamos por este sentimento. Você acha que a dor de perder a Chiara é a pior coisa que poderia acontecer? Pois imagine quando eu perdi o Benito e o Romeo, ao mesmo tempo!

As primeiras lágrimas finalmente rolaram pelo rosto de Antonella, mas ela manteve a voz firme. Lorenzo não sairia daquele quarto sem ouvir toda a verdade da qual fora poupado nas últimas décadas.

- A minha “viagem” para Roma com a mamãe, você se lembra? Todos, inclusive você, pensavam que eu estava me esbaldando em compras e desfiles. Mas não, Lorenzo, eu passei seis meses trancafiada num apartamento para que ninguém visse a minha barriga. Ela descobriu tudo antes que eu pudesse fugir com o Benny. Ela me obrigou a fazer uma escolha que você NUNCA precisou fazer, Lorenzo. Ela me fez escolher entre o meu amor pelo Benny e a vida do meu bebê.

Antonella soluçou, mas continuou o seu desabafo em fazer nenhuma pausa.

- Foi um parto difícil, mas ela não me levou para um hospital. Ela preferia que eu morresse ali do que a vergonha de expor aquele escândalo. Quando o meu bebê finalmente nasceu, ele foi arrancado de mim antes que eu pudesse ver o rostinho dele. O único gesto nobre dela foi cumprir a promessa de entregá-lo ao pai!

Mesmo depois de vinte e cinco anos, aquela cicatriz ainda doía como se fosse uma ferida recentemente aberta.

- Eu passei vinte e cinco anos sem falar com o Benito, sem conhecer o Romeo. Eu tentei construir outra família, eu juro que tentei esquecê-los. Mas você sabe muito bem que um amor verdadeiro dura para sempre, não sabe, Lorenzo?

Antonella respirou fundo e secou as lágrimas com as pontas dos dedos trêmulos.

- Mesmo que você não acredite, a verdade é que eu nunca traí a famiglia. Eu nunca fiz nada que pudesse prejudicar os Romazzini e eu não pretendo pedir desculpas por amar um homem e por proteger o meu filho. – a loira encarou o irmão com sua velha expressão firme e altiva – Faça o que tem que ser feito, Lorenzo. Eu não pretendo implorar nem me desculpar por algo que não me arrependo. O Benny me fez muito feliz. – Antonella se corrigiu com um sorriso – Ele ainda me faz muito feliz.
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Re: Capítulo 7 - A Colheita

Mensagem por Isadora Romazzini em Ter Fev 02, 2016 4:59 pm

Era uma situação bastante delicada e difícil de lidar para todos eles. Não era apenas uma questão dos Romazzini, era uma situação que envolvia toda a estrutura dos De Lucca. Durante 150 anos, os Romazzini encabeçaram aquela famiglia composta por outros sobrenomes influentes da Sicilia. Sempre foram os líderes porque a conduta deles era perfeita e as outras sete familias que faziam a composição dos De Lucca não tinham do que reclamar. Era como os vassalos diante de seu suserano.

No entanto...

Todos tinham direito a voto e à opinião. E a grande verdade é que nem todos estavam satisfeitos com o rumo que os De Lucca estavam tomando. A aliança com o líder da máfia rival tinha sido vista com maus olhos por duas das sete família, mas foi aceito porque, de fato, todos ficariam mais seguros dessa forma. Afinal, poderiam se preocupar apenas com um inimigo - que estava deixando cada vez mais pistas e sendo menos inteligente, ao invés de brigarem com dois.

O que eles não esperavam era que Antonella, uma das Romazzini mais influentes pudesse ser uma agente dupla.

Porque foi dessa forma que ela fora apontada dentro da reunião. Como uma traidora que brincou com eles durante vinte e cinco anos, no mínimo. Os Ferriello, a família de Mauro, tinham o discurso de ódio pronto. Seus argumentos eram fortes e acaloravam as outras seis famílias. Por pouco eles não conseguiram.

Uma briga interna era tudo o que eles não precisavam naquele momento. Mas Lorenzo não tinha condições de entregar a cabeça de sua própria irmã. Tampouco a de Pietro.

Além dos motivos óbvios, ele também explicou algo bem simples.

Agora ele entendia que Benito Agostini tinha passado por cima de seu orgulho para criar aquela aliança afim de proteger Romeo e Antonella. Se eles decidissem matar Antonella, a aliança seria desfeita e eles teriam problemas demais para lidar ao mesmo tempo.

Lorenzo foi acusado de andar demais com os Agostini, mas ele estava tão debilitado e emocionalmente instável que nem ao menos revidou as provocações da forma como eles mereciam: com tiros na cabeça.

Ele encontrou uma forma mais simples de solucionar tudo.

E quando ele lançou a proposta secreta, todos ficaram verdadeiramente estarrecidos. Nem mesmo Antello e Enzo estavam acreditando no que Lorenzo estava propondo, mas o Don Romazzini foi bastante firme em sua decisão.

Só existiam algumas exigências, no acordo que pareceram bem razoáveis, diante do que Lorenzo estava oferecendo.

A visita à Antonella não era uma real ameaça à vida da irmã.

Ele só queria...saber a verdade da única fonte. Saber porque ele tinha se sacrificado tanto e colocado tudo em jogo.

Foi impossível ficar indiferente diante do sofrimento vivido por sua irmã. Lorenzo realmente não sabia disso. A mãe deles era uma Bertinelli que casara com um Romazzini. Os Bertinelli eram muito mais frios, rigidos e crueis. Laura não tinha escapado desse perfil e fora capaz de fazer o inferno com a vida da própria filha. Lorenzo tinha herdado muito mais o espirito Romazzini do que dos Bertinelli.

Uma lágrima escorreu pelo rosto dele e se aproximou da poltrona ao lado da cama. Ele tinha retirado a arma e colocado em cima do criado-mudo antes de se sentar.

- Eu sinto muito, Ella...Por tudo o que você passou ao longo da vida inteira. Eu sei que nossa mãe nunca foi uma boa mãe para você, mas você...Você sempre foi a melhor mãe do mundo para os meus filhos, depois que Chiara se foi.

Lorenzo puxou o ar com força e continuou a encará-la.

- Eu vim aqui para saber a verdade através de você, mas isso não muda o que está para acontecer. Eu sinto muito.

Antonella manteve a cabeça erguida, mesmo que os olhos estivessem ficando marejados de novo. Lorenzo puxou o ar com forças e retirou uma carta lacrada com o selo da famiglia De Lucca, entregando a ela. Levantou-se de novo, tomando uma postura mais formal para dar a sentença enquanto a própria Antonella lia o conteúdo da carta lacrada.

- Essa é a decisão da Cúpula. Você, Antonella Romazzini Ferriello, perderá todos os direitos sobre as propriedades de seu falecido marido, Mauro Ferriello. Você não terá mais direito ao nome, à companhia aérea, aos imóveis. Você abrirá mão de tudo isso, devolvendo aos Ferriello remanescentes o que é deles por direito, em memória ao irmão que você traiu.

Antonella não estava chocada com isso, mesmo sendo absurdo. Ela não se importava em devolver tudo o que ela "adquiriu" depois de vender sua alma, se aquilo pudesse fazê-la livre de novo. O choque dela chegou na parte seguinte.

- O que é isso...?

Olhou para Lorenzo.

- Essa é a parte que tive que fazer para garantir que você continuasse viva, mesmo depois que meu acordo com Agostini cessar. O que ocorrerá em breve.

- Lorenzo... - Ela sussurrou, com os olhos cheios de lágrimas. - Você...Como...?

- Um homem que não se dedica e se sacrifica por sua familia, jamais será um homem de verdade. Você é minha irmã, Ella. Foi meu braço direito durante todos esses anos, minha melhor amiga. Eu não poderia aceitar que eles te matassem. Nem você, nem Pietro. Porque eles pretendiam pedir a cabeça dos dois...

Suspirou.

- Depois da festa anual do Prefeito, nenhum de nós terá qualquer poder dentro da famíglia De Lucca. Os novos líderes serão os Ferriello.

- Então os De Lucca estarão condenados...

- Não é mais um problema nosso, Romazzini. Na verdade, desde que contei a verdade à Isadora, eu acho que foi uma especie de destino. Isso aconteceria cedo ou tarde. Nosso nome e nosso império será preservado. Nossos lucros na máfia, não. Acabou. Mas manteremos isso em segredo até que minha aliança com Benito acabe. E espero que você já seja uma protegida dos Agostini.

- Por Dio, Lorenzo... - Antonella voltou a chorar, escondendo o rosto. - O que vocês vão fazer?

- Não ficaremos mais na Sicilia. Enzo e Giulia vão para Milão, porque os Scapini e os Casanova ainda são simpatizantes dos Romazzini e não seria justo com eles, afinal. Enzo vai assumir os negócios em definitivo. Isadora e eu iremos para Roma, ficaremos com Antello.

- Lorenzo, você não pode...

- Posso. Eu posso abrir mão de uma famiglia que não me quer mais como lider e que não me vê mais como figura de respeito. O que eu não posso é permitir que os meus familiares morram. Será melhor para todos. Agora, eu não quero que isso saia desse quarto, Antonella.

Antonella meneou positivamente, secando as lágrimas de seu rosto. Lorenzo deu um beijo na testa dela.

- Tudo vai ficar bem, Ella...

A loira discordava, nem um pouco satisfeita com aquele final de sua familia. Ainda mais por ter grande parcela de culpa nisso. Lorenzo não permitiu que ela continuasse contrariando, mas antes de sair, lembrou-se de mais um detalhe.

- Ah sim...Você ainda é uma Romazzini e não precisa barrar a entrada de seus familiares. E eu quero que o pedido seja feito formalmente. Avise ao Benito para marcar o jantar quando você sair daqui.
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Isadora Romazzini

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Re: Capítulo 7 - A Colheita

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