Prólogo ~ Seis Meses Atrás

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Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:18 pm

- Não fique assim, Ceci. Você não está num bom dia, apenas, não quer dizer que você não seja talentosa...

As palavras de conforto, carregadas de genuína sinceridade tentavam alcançá-la. No entanto, parecia que nada seria capaz de aplacar a frustração que Ceci sentia no momento.

- Eu agradeço a preocupação, Ash, mas...Eu acho que realmente preciso ficar sozinha um pouco.

A voz sussurrada e com um profundo tom de tristeza chegaram em Ashley e pareciam esmagar seu coração. O que podia fazer para deixar sua amiga mais feliz? Tudo parecia inútil.

- Que tal sairmos um pouco, Ceci? Los Angeles é enorme e ainda temos dois dias e meio. Vamos patinar no gelo ou dar uma passada na Disney e...

Ashley foi interrompida quando Ceci segurou sua mão. Os olhos azuis voltaram-se na direção da dedicada amiga e já tinham a resposta expressa.

- Me desculpa por ter te trazido até aqui e ficar assim, Ash. Mas...Eu realmente preciso de um tempo. Se você quiser ir, tudo bem...

- Não. Eu fico com você...Jamais te deixaria sozinha num momento como esse...

Os ombros de Cecile caíram um pouco ao ver a expressão de Ashley. Como não podia fazer um esforço diante do apoio e ombro amigo que Ashley oferecia? Nem mesmo suas irmãs de sangue eram assim. Ela acariciou a mão da amiga e ponderou.

- Hm...Talvez um café.

- Ótima ideia, Ceci! Como eu não pensei nisso antes? Eu vi uma cafeteria linda não muito longe daqui. Poderíamos ir até lá e eu te cubro para ninguém lançar um olhar julgador quando você pedir seu cappuccino e botar água gelada nele.

- Você já está me julgando? - Ceci arqueou uma das sobrancelhas.

O queixo de Ashley caiu e ela soltou a mão da amiga, acenando em negativo, como se pedisse perdão.

- Nunca! Eu não quis dizer isso e...

- Eu estou brincando. Eu realmente não me importo, quem vai beber sou eu.

Deu uma piscadinha para a amiga, mas, apesar do sorriso, ela estava profundamente magoada.

Cecile não era uma menina mimada. Ela sabia lidar com as derrotas e com os "nãos" que a vida, eventualmente, daria nela. O problema é quando se sabe que podia ter feito melhor, mas não estava num bom dia. Sua ansiedade falou mais alto e juntando com o cansaço por ter passado os últimos meses num intenso treino, seu corpo falhou num momento crucial.

E ainda falhava, porque ela estava mancando um pouco até agora enquanto andava de braços dados com Ashley.

Elas só se soltaram quando chegaram no café.

Apesar de ser um lugar bem charmoso, Cecile não conseguiu reparar muito bem. A mente dela ainda estava na mesma sequencia de cenas que ocorreram naquela tarde. E as bochechas coraram em vergonha quando caiu e machucou a perna. Fechou os olhos, dando um suspiro triste.

A musica ambiente era moderna, tocando ora algumas alternativas e outras mais populares, como agora que tocava Wildest Dream da Taylor Swift. O som não chegava a incomodar, parecia que tinham pensado em absolutamente tudo.

Cecile abriu os olhos de novo enquanto caminhavam para a mesinha escolhida por Ashley. Retirou o sobretudo branco, revelando o vestido preto meio rodado e gola alta, meia calça preta grossa e botas de cano médio. Foi puxando as luvas depois de tirar o cachecol e o chapeuzinho estilo francês e colocando numa cadeira vaga, junto das coisas de Ashley.

A música começou e Cecile olhou ao redor, mas sem muito interesse. Era apenas uma passada de olhar enquanto Ashley parecia esperar que alguém viesse atendê-las.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:19 pm

Aquela questão de matemática estava particularmente complicada e tomava para si toda a atenção dos olhos azuis. Alguns rabiscos eram feitos no canto da folha enquanto o raciocínio era formulado, mas nem mesmo a ajuda da calculadora localizada ao lado da caixa registradora ajuda na solução do problema.
 
Não era fácil fazer o dever de casa no trabalho, muito menos quando a matéria era matemática. Mas Dominic Sullivan não tinha muita escolha quando sua outra alternativa era chegar em casa ao anoitecer, ajudar no jantar e na louça e manter a mente acordada até o fim da noite. Nick sabia que tinha sorte por sua patroa ser tão compreensiva e não se importar em vê-lo debruçado nos cadernos sempre que o café esvaziava um pouco.
 
O estabelecimento estava longe de ser um dos points mais procurados de Los Angeles, mas tinha uma clientela fiel naquelas redondezas. Além do café incomparável, eles serviam ali todo o tipo de guloseimas que exterminavam qualquer dieta. O aroma das bebidas quentes enchia todo o salão, misturado ao gostoso perfume dos bolos e biscoitos que estavam sendo assados na cozinha localizada atrás do balcão.
 
Por estar tão concentrado no estudo, o atendente atrás do balcão só percebeu que novos clientes tinham se acomodado em uma das mesinhas do café quando a cabeça da velha Sra. Lockwood surgiu na janelinha que separava a cozinha do balcão.
 
- Nick! – a mulher esperou que o rapaz se virasse para apontar a mesinha ocupada pelas duas moças – Clientes!
 
- Desculpe, Sra. Lockwood!
 
O livro de matemática foi imediatamente fechado e enfiado em uma das gavetas antes que Sullivan contornasse o balcão com um cardápio em mãos. Excetuando-se as duas garotas recém chegadas, o café contava apenas com um casal de meia idade que já terminava o seu lanche e um homem engravatado solitário que, sentado ao balcão, parecia ter fugido para o café para ter alguns minutos de sossego.
 
Além da Sra. Lockwood, que era dona do café e cozinheira, o estabelecimento só tinha mais três funcionários. Uma era ajudante de cozinha e os outros dois trabalhavam como balconistas e revezavam os turnos. Como Dominic estudava de manhã, ele assumia o balcão logo depois do almoço e ficava até o fechamento das portas.
 
- Boa tarde.
 
O cardápio foi posto educadamente entre as duas moças enquanto Sullivan puxava do bolso do avental um bloquinho para anotar os pedidos. O atendente usava roupas simples, uma calça jeans surrada, uma camiseta de mangas compridas acinzentada e tênis. O avental amarrado em sua cintura era vermelho vivo e tinha bordado o nome do estabelecimento: Anna’s Cafe. Um crachá escrito a mão indicava que o nome do rapaz era “Nick Sullivan”.
 
- O que vão querer?
 
- Só posso pedir o que está no cardápio, Nick Sullivan?
 
O tom absurdamente malicioso de Ashley fez com que o rapaz arqueasse as sobrancelhas e erguesse os olhos azuis do bloquinho para encará-la. A naturalidade dela e a ausência total de constrangimento provavam que não era a primeira vez que a menina flertava daquela maneira tão descarada.
 
Um garoto tímido cavaria um buraco no chão para esconder a cabeça, mas Dominic sequer corou com aquelas insinuações. Seus lábios se curvaram num sorrisinho torto, que realçava ainda mais o adorável furinho que ele tinha no meio do queixo. Sullivan não via nenhum problema em levar aquela brincadeira adiante, mesmo que não tivesse realmente a intenção de ganhar algo com aquele joguinho.
 
- O que está no cardápio com certeza você pode ter. Se não está aí, não posso garantir. Mas você não perde nada por tentar.
 
- Você é bom! – Ashley apontou o rapaz e abriu um sorriso satisfeito com a resposta afiada dele – Muito bom mesmo. Por enquanto vou querer só um chocolate quente e uma fatia de bolo de laranja. Mas pode ser que eu acrescente mais alguma coisa no pedido até o fim da tarde...
 
- Certo... – os pedidos de Ashley foram anotados no bloquinho antes que a atenção de Dominic se voltasse para a outra menina – E para você?
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:20 pm

Cecile ainda olhava para um ponto de decoração do Café quando o rapaz se aproximou com o cardápio. Era um dia bastante atípico para ela, por isso, ela não olhou inicialmente para ele. Podia parecer um pouco de arrogância, mas a verdade era que sua mente estava bastante longe. 


Somente quando Ashley falou daquele jeito foi que ficou bastante nitido que Cecile voltava a si. Ela piscou mais forte e olhou a situação, ouvindo o gracejo da amiga para um rapaz chamado Nick Sullivan. Virou a cabeça para ele, olhando debaixo para cima. O olhar de curiosidade se transformou em algo próximo à admiração. As bochechas coraram, deixando as sardas que ela tinha pelo nariz e maçãs do rosto, mais evidentes. 


Desviou o olhar na mesma hora, pegando o cardápio e dando uma rápida olhada. 


Como Nick estava respondendo às brincadeiras de Ashley, Cecile imaginou que ele não fosse reparar nela. Colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, percorrendo os olhos azuis rapidamente pelas opções. Acabou deixando escapar um sorriso no canto dos labios com a resposta travessa dele e meneou negativamente. 


Olhou para a amiga e franziu um pouco as sobrancelhas, como se dissesse "Menos, Ash. Menos".  


- Ahm... - Passou a mão pelo pescoço, ainda olhando pro cardápio, sem querer encará-lo de novo. - Eu vou querer um Cappuccino de Chocolate, mas...Posso pedir um favor?


- Pff... - Ashley deixou escapar, mas levou a mão até os labios, escondendo-os e abaixando o olhar.


Cecile teve que encará-lo, mas agora podia inventar que o constrangimento era pelo pedido e não porque o achou uma gracinha. Principalmente pelo furinho no queixo. Achava aquilo particularmente bonito nele.


- Pode deixar faltando uns 2 dedos no copo? E um pouco d'água gelada gelada, por favor. Pra comer ahm...Um pedaço de bolo de nozes. Parece gostoso. Obrigada.


Sorriu e entregou o cardápio. Desviou o olhar e Ashley já olhava para a amiga como se tivesse entendido bem o que tinha acontecido ali. E não estava pensando sobre a mania estranha dela.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:20 pm

Apesar do comportamento ousado de Ashley, foi em Cecile que os olhos do balconista se demoraram mais. O interesse dele pela garota pareceu aumentar ainda mais depois que Cecile fez aquele pedido tão peculiar. As sobrancelhas de Dominic se arquearam em franca surpresa e ele não estava acreditando naquela bizarra coincidência quando tomou a palavra.
 
- Você vai misturar água gelada no seu cappuccino???
 
A surpresa dele tinha outros motivos, mas qualquer um que visse a cena imaginaria que Sullivan era somente uma pessoa comum horrorizada com aquele hábito estranho de Cecile. Foi esta a conclusão que fez com que Ashley rolasse os olhos e interferisse no diálogo. Ela havia começado uma brincadeira de flertar com o jovem garçom, mas começou a recuar assim que notou que o interesse de Cecile no garoto era sincero.
 
- Não julgue a Ceci por isso, eu juro que é o único gosto bizarro que ela tem na vida. Ela inclusive já foi avaliada por dezenas de psiquiatras e está tudo certo.
 
O sorrisinho torto de Dominic novamente surgiu em seus lábios e ele manteve a cabeça baixa para anotar os pedidos de Cecile. Só ao fim da anotação, os olhos azuis novamente buscaram pela morena e sua voz soou mais baixa, como se Nick estivesse contando um segredo muito importante.
 
- Fico feliz em saber que este não é um distúrbio grave, principalmente porque eu faço a mesma coisa com café e as pessoas me olham como se eu fosse um alienígena.
 
- Você também bota água gelada em suas bebidas quentes??? – a voz de Ashley soou esganiçada.
 
- Sempre.
 
- Vocês dois definitivamente foram feitos um para o outro! Podem marcar o casamento!!!
 
Ficou claro que Sullivan não era uma pessoa fácil de se constranger quando, ao invés de envergonhado, ele soltou uma risada melódica com a brincadeira de Ashley. O cardápio foi recolhido da mesa e o rapaz se afastou com a promessa que não demoraria a voltar com os pedidos realizados pelas duas meninas.
 
As folhas com as anotações foram empurradas para dentro da cozinha para que as bebidas fossem preparadas. Enquanto esperava pela conclusão do trabalho da Sra. Lockwood, Dominic pegou uma garrafinha de água mineral gelada no refrigerador e a colocou sobre uma bandeja.
 
Naquele intervalo, o engravatado sentado ao balcão pediu mais um café expresso e foi prontamente servido pelo balconista. Por mais que estivesse concentrado em seu trabalho, Dominic eventualmente lançava alguns olhares para a mesa ocupada pelas duas garotas. Era difícil saber até que ponto elas estavam agindo sério com aquele flerte, mas Sullivan estava disposto a sustentar a brincadeira.
 
Embora Ashley fosse uma garota bonita, muito acima da média das conquistas que Nick já tivera na vida, era na outra menina que o olhar penetrante dele se concentrava. Havia alguma coisa especial em Cecile, uma sintonia que ia muito além da bizarra mania que os dois compartilhavam.
 
- Uau, foi rápido mesmo...
 
Ashley brincou quando Nick Sullivan retornou à mesa com menos de dez minutos com a bandeja cheia. A xícara de cappuccino foi posta em frente a Cecile e, assim como a morena solicitara, faltavam dois dedos para que a bebida atingisse a borda da louça. Os pratinhos com bolo também foram servidos e, por último, a garrafinha de água mineral foi aberta e colocava ao alcance de Cecile.
 
- Mais alguma coisa, meninas?
 
- Que tal o seu número?
 
Ahsley já havia notado que o interesse da amiga era correspondido, apenas por isso se arriscou naquela brincadeira. Um guardanapo de papel foi empurrado na direção do balconista e Ashley indicou a caneta no bolso dele, a mesma que Dominic usava para anotar os pedidos. O sorriso dela se tornou ainda mais travesso quando o rapaz embarcou no joguinho, inclinou-se e escreveu o número do celular no guardanapo em branco.
 
- Somos duas e só há um guardanapo. Hora de fazer a sua escolha, Nick Sullivan.
 
Não houve nem um segundo de hesitação por parte do rapaz. A caneta foi enfiada de volta no bolso enquanto seus dedos empurravam o guardanapo para mais perto de Cecile. Ao invés de ofendida, Ashley abriu um largo sorriso de aprovação e bateu duas palminhas animadas.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:20 pm

A reação de Nick ao inusitado pedido de Ceci trouxe certo desconforto para a jovem. As bochechas dela ficaram bem vermelhas e ela arregalou os olhos, sem saber, à principio, como responder. Fez um bico, engolindo em seco e se ajeitou em sua cadeira, visivelmente incomodada com a reação dele.


Era como tomar um banho d'água fria naquele inverno. 


- Eu pedi a água, não disse o que vou fazer.


Cruzou os braços e virou a cara, com a expressão bem aborrecida. Infelizmente, Nick ganhou Ash como aliada e a amiga prontamente começou a brincar sobre seu exótico gosto. 


- Ash! Você é amiga de quem?!


Perguntou meio indignada enquanto dava uma cotovelada nela. Nick percebe a situação e explica o porquê de seu choque diante do gosto da jovem. O queixo de Ceci caiu e ela fez um suave "o" com os lábios. Era a primeira vez que encontrava alguém que gostava de beber da mesma forma que ela. 


- Oh...É sério? Pois eu tenho duvidas...


Disse seriamente e o encarou. No entanto, era possivel ver que não estava mais aborrecida. Agora ela parecia apenas cética demais. 


- Só acredito se você tomar na minha frente. Peça mais um e sente-se conosco. Claro, se não for atrapalhar o seu grande volume de trabalho.


Um toque de cinismo, porque a Cafeteria realmente estava vazia. Ash deu um sorriso no canto dos lábios, mas Nick logo se retirou para preparar os pedidos. O sorriso no canto dos lábios de Ceci aumentou e ela deu uma risadinha. Olhou para a amiga como se perguntasse "isso é mesmo possivel?"


- Vocês são muito estranhos.


Foi tudo o que Ash respondeu.


Menos de dez minutos depois, Nick retornou com o pedido delas. Ceci estava atenta para ver se tinha o cappuccino e a água gelada para ele também - ou talvez usasse a garrafa dela, pois seria o suficiente para os dois copos. Continuou encarando o rapaz enquanto ele interagia com Ashley. Um sorriso discreto se formou no canto dos labios dela ao ver o bilhete sendo empurrado na direção dela. Ele nem ao menos tinha hesitaodo, mas Ashe não se sentir ofendida por isso.


Ceci colocou a mão delicada, com unhas bem feitas e pintadas de rosa clarinho, sobre o papel. Passou os olhos pelos numeros e voltou a encará-lo.


- Eu penso na sua proposta depois de vê-lo tomar o cappuccino com água. Quero ter certeza que você não estava tirando sarro com a minha cara e que sofremos com o mesmo "probleminha". Se você me provar, eu ligo amanhã...
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:21 pm

Embora não tivesse o costume de se sentar com os clientes da cafeteria, Dominic julgou que não haveria problemas em quebrar aquela pequena regra. O estabelecimento estava realmente bem vazio naquela tarde e a Sra. Lookwood era uma patroa amigável que não faria uma cena se visse o seu balconista tomando um café.
 
Além das bebidas das duas garotas, Sullivan havia trazido na bandeja uma xícara de café expresso para si. Assim como o cappuccino de Cecile, faltava um dedo de bebida justamente para que ele pudesse preencher com água gelada. Exatamente como a menina imaginara, ele usou a água da garrafinha dela para preencher a xícara, sob o olhar horrorizado de Ashley.
 
- Isso é MUITO bizarro. Como vocês conseguem?
 
Como as duas meninas estavam sentadas lado a lado, Dominic ocupou o assento do outro lado da mesa, bem em frente a Cecile. Um sorrisinho divertido brincou nos lábios do rapaz antes que ele confessasse que a sua bizarrice era ainda pior que a da moça a sua frente.
 
- Você vai querer que eu seja internado numa ala psiquiátrica se souber que, além da água, eu também gosto do café amargo.
 
- Mentira!!!
 
O queixo de Ashley despencou e ela sacudiu a cabeça repetidas vezes numa atitude incrédula quando viu Sullivan dispensar os saquinhos de açúcar sobre a mesa e tomar uma longo gole do café puro.
 
- Deus do céu, isso é loucura da brava! Estou feliz que tenha escolhido a Ceci, não quero esses genes malucos nos meus filhos, Nick Sullivan.
 
Ao invés de se ofender com aquele comentário, Dominic soltou uma risada melodiosa com a brincadeira de Ashley.
 
Ele tinha uma voz naturalmente grave e gostosa, que ecoou pelo estabelecimento vazio naquela tarde. Ao fim da risada, os lábios do balconista se curvaram no seu típico sorrisinho torto que era absurdamente atraente. Os olhos azuis se fixaram no rosto bonito de Cecile antes que o rapaz retomasse a palavra.
 
- Está convencida de que sofremos do mesmo distúrbio agora? Talvez eu esteja um grau acima do seu nível de loucura, mas você chega lá. Agora que eu cumpri a minha parte do acordo, espero que cumpra a sua.
 
Dominic estava se referindo à promessa de Cecile de que ela ligaria para o celular dele no dia seguinte depois de ver com os próprios olhos que o balconista também tomava sua bebida com água gelada.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:21 pm

Cecile estava mais do que convencida de que Nick não tinha mentido para ela. Precisava ser muito artista ou ter nervos de aço para agir daquela forma, sem nem ao menos hesitar. No fim das contas, o desafio tinha sido bem fácil para ele. E Cecile era uma mulher de palavras. 

Até porque, mais do que convencida, ela estava um tanto quanto...encantada. 

Depois do grande desafio, Nick ficou mais um pouco à mesa com elas. Eles começaram a falar sobre coias aleatórias e era incrivel como até mesmo as conversas mais triviais pareciam empolgantes com ele. Provavelmente ele teria ficado até o fim, se o café não tivesse ficado tão cheio, repentinamente. Um grupo grande de crianças e pais que tinham acabado de retornar do ringue de patinação, entrou no café. O barulho foi tanto que até mesmo a musica ficou abafada.

As crianças e os pais falavam demais. Mas Nick logo reconheceria que eram clientes antigos que trouxeram visitantes a mais - familiares que foram passar o natal em Los Angeles. 

Essa foi a deixa para que Cecile e Ashe gentilmente saíssem dali. A morena mostrou que estava com o pedaço de papel e o guardou no bolso de seu sobretudo. Sorriu para ele e foi embora.

Ceci percebeu que estava encantada quando notou que não estava mais triste.

Como isso era possivel?

Seu coração estava devastado há alguns minutos, por conta da deplorável audição que teve. Porém, a alegria e a energia de Nick foi capaz de...Trazer uma luz diferente para sua vida. 

Era óbvio que ela ligaria.

Tanto que às 15h do dia seguinte, ela estava diante da árvore de natal que ficava bem no centro de um enorme ringue de patinação de um centro comercial. Como eles pretendiam passar a tarde juntos, Cecile imaginava que veria as luzes e que seria uma imagem linda, mesmo no frio. 

Desde que o adicionara no WPP na noite anterior, eles já tinham somado mais de 500 mensagens e não pareciam dispostos a parar. A conversa envolveu muito o café e os lugares que eles poderiam visitar para provar outros sabores - mesmo que a cafeteria dele fosse a melhor de todas. Era só uma desculpa para que pudessem passar mais tempo juntos. Pelo menos nas proximas 48 horas. 

Cecile estava olhando para a foto dele de perfil e viu que a ultima vez que ele foi visto online foi às 13:30. Justamente com a ultima mensagem.

Estava ansiosa, esperando. 

O seu look mudou um pouco. Ao invés de vestido, ela optou por calça comprida, blusa de gola alta, um casaco grosso preto e cachecol. O cabelo estava preso num rabo de cavalo e ela usava acessórios delicados, bem como uma maquiagem leve. Aparentemente, ela gostava de deixar suas sardas à mostra, sem vontade nenhuma de esconde-las.

Olhou para o celular mais uma vez e suspirou.

15:02. 

Onde ele estava?
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:21 pm

Mesmo que Cecile tivesse prometido que ligaria no dia seguinte, Dominic só conseguiu relaxar quando a primeira mensagem finalmente chegou ao seu Whatsapp. É claro que Cecile não era a primeira garota que passava pela vida de Sullivan, mas ele sentia que havia algo diferente nela. A forma como seu coração pulava a cada vez que o celular vibrava mostrava que aquele encontro tinha tudo para ser especial.
 
Nick não tinha planejado aquele atraso. Pelo contrário, o rapaz queria sair de casa alguns minutos mais cedo para garantir que chegaria ao local do encontro antes de Cecile. Mas o destino não colaborou com os planos de Dominic. Foi impossível sair de casa no horário planejado porque, logo depois do almoço, a Sra. Sullivan surpreendeu o filho com um estranho desmaio.
 
A mãe de Nick sempre tivera uma saúde de ferro, mas o rapaz vinha notando uma perda de peso nos últimos meses. Ela já não comia mais tão bem quanto antes, estava sempre cansada e desanimada. Susan Sullivan negava qualquer problema quando Dominic lhe perguntava o que estava havendo, mas naquela tarde ela não teve como esconder o desmaio presenciado pelo filho.
 
Como Susan era uma mulher pequena, Dominic não teve dificuldade em carregá-la até a cama. Logo ela recuperou a consciência e se mostrou constrangida por aquela fraqueza e culpada por causar tanta preocupação ao rapaz. Nick estava disposto até a cancelar o encontro para levá-la ao hospital, mas a Sra. Sullivan convenceu o filho de que aquilo não era necessário. Segundo ela, fora apenas um desmaio bobo por causa de uma dieta rígida e ela estava melhor depois de tomar um suco e comer alguns biscoitinhos.
 
No fim das contas, o encontro não foi cancelado, mas o rapaz só chegou ao local combinado com vinte minutos de atraso. Péssima maneira de iniciar um encontro, mas Nick esperava compensar Cecile por aquele deslize.
 
Um suspiro de alívio escapou dos lábios dele quando Dominic avistou Cecile e teve certeza de que a garota não havia ido embora depois daquele atraso. Ela não só estava lá, como também estava ainda mais bonita do que Sullivan previa. Nick estava havia se preparado bem para aquele encontro e vestia uma calça preta, uma camisa de botões azul clara e um sobretudo que o protegia do vento frio do inferno. Os cabelos estavam meio bagunçados pelo vento, mas aquele detalhe displicente parecia contribuir ainda mais para a aparência atraente do rapaz.
 
- Me desculpe.
 
O mínimo que Cecile merecia era um sincero pedido de desculpas depois daquele lamentável atraso. A sinceridade expressa no semblante de Dominic mostrava que aquelas não eram desculpas da boca para fora, ele realmente estava sendo sincero naquelas explicações.
 
- Eu ia sair de casa mais cedo, mas tive um imprevisto, saí atrasado e peguei um trânsito terrível até chegar aqui. A cidade está mais cheia que o normal nesta época do ano.
 
Aquele argumento era bem convincente, ainda mais para uma moça que morava em uma cidade bem menor. A movimentação de Los Angeles na época do Natal era sufocante para alguém que estava acostumado a uma rotina mais calma do interior.
 
- Que bom que você me esperou! Espero que não esteja chateada, eu prometo que vou compensá-la por esses minutos de atraso. – o familiar sorrisinho torto surgiu nos lábios de Nick, evidenciando ainda mais o seu adorável furinho no queixo – Você está linda, Ceci.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:22 pm

Quando Cecile olhou pela primeira vez para o relógio e viu que marcava 15:02, não imaginava que olharia mais umas duzentas vezes depois. O pior era que o tempo realmente estava passando rápido, como se fosse apenas para esfregar na cara dela que Nick não compareceria. Felizmente (ou não), Ceci era uma menina que tinha fé nas pessoas e encontrava naquelas mensagens trocadas há algumas horas, a certeza de que ele viria. 




Mesmo assim, no fundo de seu coração havia uma voz derrotista e sussurrava como a viagem para Los Angeles tinha sido um total fracasso. Sua expressão esperançosa, pouco a pouco se transformava em tristeza.




Alguma explicação deveria ter, mas quando desse meia hora de atraso, o bom senso dizia para que ela fosse embora. Até porque, não conhecia quase nada em Los Angeles e não queria que ficasse muito tarde/escuro antes que ela partisse. Os ombros caíram um pouco e ela virou-se na direção do ringue de patinação onde, no centro, havia uma belíssima arvore de natal - que deveria ficar espetacular à noite. Ceci levou as mãos enluvadas até as grades e a apertou de leve.




- Por que essas coisas só acontecem comigo?




Murmurou, deixando um pouco de ar frio sair de sua boca. 




Abaixou o olhar e virou-se, novamente, para as pessoas que passavam apressadamente para suas compras de fim de ano. Foi nesse instante que Nick chegou. Ceci foi erguendo os olhos e conforme a imagem de Nick se formava, uma peso era tirado de seus ombros. O sorriso começou a surgir de modo repentino e, ao perceber isso, ela corou. Estava deixando claro demais o que Nick era capaz de fazer com ela e isso nunca era bom...




Porém, mesmo que tentasse, ela não conseguiria esconder a felicidade que sentiu por vê-lo. Sua expressão estava leve e os olhos carregavam aquele brilho especial.




Completou o caminho até ele, mas deixou os braços caídos, para evitar de abraçá-lo antes de hora.




- Hey... - Colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e cruzou os braços. - Eu imaginei que algo tivesse acontecido e depois procuraria saber se você está bem. Mas...Que bom que você veio.




Não suportou mais e sorriu. Até que diminuiu de novo.




- Mas o que houve? Está tudo bem? E...




Mas Nick parecia mais interessado no que estava por vir e deixar suas preocupações para trás. Ele parecia feliz por ela ter ficado ali, prometendo recompensá-la e...elogiando. Dessa vez, o sorriso ficou por mais tempo e ela abaixou um pouco o olhar. Umedeceu os lábios e fez uma expressão divertida antes de encará-lo.




- Obrigada pelo elogio. Você também está lindo...Mesmo que eu já tenha achado bonito com  o avental. - Soltou com as sardas coradas. - E espero mesmo que você recompense. Me deu várias opções ontem e eu nem sei se teremos tempo para ver tudo aquilo, mas tenho certeza de que será incrível. Só por isso que eu fiquei, por sinal.




Fez uma careta. 




A mentira era mais do que óbvia.




Ela ficou porque queria ver aqueles furinhos de novo, pelo menos mais uma vez. 


Última edição por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:23 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:22 pm

- Vem. Temos que aproveitar cada minuto!
 
Sem constrangimento, Dominic estendeu um dos braços e segurou a mão da garota, puxando-a gentilmente para que Cecile seguisse os seus passos. Os dois contornaram o ringue de patinação até pararem perto da portinhola onde um rapaz vendia os ingressos que autorizavam a entrada na atração.
 
- Não faça esta cara. É óbvio que vamos patinar. – os lábios de Nick se curvaram em um sorrisinho convencido enquanto ele pagava pelas duas entradas – Eu sou quase um profissional, não vou deixar você cair, eu prometo.
 
Os calçados dos dois foram deixados do lado de fora depois de terem sido trocados por patins de gelo. Sullivan foi o primeiro a pisar na superfície de patinação e seus pés derraparam por um breve momento, denunciando que o rapaz estava brincando ao dizer que era um profissional naquele assunto. Aquele deslize obrigou Dominic a mudar o seu discurso, mas o sorriso tranquilo ainda brincava em seus lábios.
 
- Ok. A única coisa que posso prometer é que não vou cair em cima de você.
 
Para a grande surpresa de Nick, Cecile teve um desempenho muito melhor quando deslizou pela superfície de gelo. Como ainda não sabia que estava diante de uma bailarina praticamente profissional, o queixo do rapaz desabou enquanto ele assistia o equilíbrio e a postura impecável de Cecile sobre o gelo.
 
Aquela imagem tão bonita fez com que Sullivan se esquecesse das preocupações com a mãe. Não valia a pena estragar aquele momento mágico com o incidente daquela tarde, tudo o que Cecile precisava saber era que ele estava ali e que estava adorando a companhia dela.
 
- Eu teria sugerido uma partida de videogame se soubesse que passaria vergonha sozinho.
 
Ficou claro que Sullivan não estava sinceramente arrependido da sugestão quando ele entregou suas mãos à Cecile. A garota não teria força para puxar o peso dele, mas a superfície lisa de gelo ajudava consideravelmente no trabalho dela. Dominic manteve as pernas abertas no começo, como uma criança desequilibrada, mas logo relaxou um pouco mais e começou a seguir Cecile pelo ringue.
 
Sullivan parou de contar as próprias quedas depois do terceiro tombo, mas até mesmo aqueles deslizes valiam a pena porque arrancavam risadas gostosas da garota. Os dois já estavam brincando no gelo há quase uma hora quando finalmente pararam diante da enorme árvore iluminada.
 
Era o lugar perfeito, a garota perfeita. O momento talvez não fosse tão perfeito, mas Nick realmente estava se esforçando para não pensar no que aquele desmaio da Sra. Sullivan poderia significar. Quando se inclinou na direção de Cecile, Dominic estava concentrado apenas nas coisas boas que tinham acontecido naquele dia.
 
- Que bom que você me esperou, Ceci.
 
A entonação mais grave soou num sussurro que já indicava qual seria o próximo passo de Dominic.
 
Mesmo que ainda estivesse sobre o gelo, o rapaz conseguiu se manter firme enquanto passava os braços carinhosamente pela cintura de Cecile, trazendo-a mais para perto do seu corpo. Tudo nela era tão perfeito que Sullivan nem se surpreendeu tanto com o delicioso perfume que invadiu os seus sentidos agora que os corpos estavam tão próximos.
 
A troca de olhares entre os dois foi intensa e tão íntima quanto o encaixe perfeito dos lábios que antecedeu o primeiro beijo.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:23 pm

Nick não fazia ideia que, ao convidar Ceci para patinar, ele estava praticamento colocando a jovem em seu habitar natural. Afinal, depois do ballet, patinação artística era a segunda atividade favorita dela. E não podia ser diferente, visto que ela adorava o inverno justamente por conta dos lagos congelados. 




No inicio, ela chegou a fazer um certo charminho, mas seu corpo não conseguiu se conter. Principalmente depois de ver Nick quase caindo. Talvez ela precisasse ensinar uma coisa ou duas para ele sobre equilíbrio e não havia problema nenhum nisso. 




Os dois riram como verdadeiras crianças e era nítido para qualquer um, a sinergia e a química que existia entre eles. Ninguém diria que se tratava de um casal que se conhecera há menos de um dia. Pelo contrário, eles pareciam se conhecer há muito, muito tempo. Ceci o ajudou a se equilibrar, mas também brincou com a cara dele. 




Depois da décima queda que ele teve, Ceci o puxou um pouco mais para perto. As bochechas dela doíam de tanto rir, mas foi sensivel para perceber que o tom da brincadeira havia mudado. Agora estavam proximos demais, quase que no meio do ringue e se encarando daquela forma indescritível. Podia sentir seu coração batendo na garganta e varias borboletas em seu estomago. Não era o primeiro rapaz que ela conhecia, mas também não entendia como Nick fazia com que ela sentisse tanto e de modo tão intenso.




Sorriu com o comentario dele e murmurou.




- Como eu não poderia vir? Onde mais vou encontrar alguém estranho como eu?




O sorriso aumentou enquanto ela o admirava de modo quase hipnotizado. Já tinha se dado conta que o momento tinha chegado. Enquanto Nick passava a mão por sua cintura, ela levava as mãos até os ombros dele. Deslizou os dedos enluvado pela região, até alcançar a nuca enquanto os rostos se aproximavam. Tombou a cabeça para o lado e recepcionou o melhor beijo que ja tinha experimentado em sua vida.




Quase como se fizessem parte de um comercial romantico envolvendo a magia do natal, as luzes da arvore foram acesas - ja estava escurecendo e era o momento propicio para acender o enorme pinheiro. 




Ceci olhou de banda para a arvore e sorriu em meio ao beijo, mas ao invés de se afastar, ela o envolveu ainda mais, deixando que as linguas se envolvessem naquela dança repleta de magia concedida pelo destino. Quando os labios se afastaram, apos alguns instantes, ela encostou a testa na dele e suspirou.




- Vai me dizer que você também combinou de iluminar a árvore?




Perguntou com certo humor  - porque ele a fazia sorrir com vontade - e o abraçou melhor. 




- Me pergunto agora o que faremos a seguir...




Mexeu de leve as sobrancelhas e Nick prometeu que seria num lugar que ela ia gostar bastante...Afinal, eles ja tinham conversado e ela disse que adorava comer.




Nada melhor do que levá-la até um Pub/Hamburgueria com os melhores lanches de L.A, segundo ele.




Os dois escolheram uma mesa bastante charmosinha e o ambiente tinha como decoração o inicio do rock, por volta dos anos 40/50, por aí. Uma mistura perfeita de passado com o presente. Tão perfeita quanto as misturas de sabores e texturas dos sanduiches. E a forma como eles se encaravam...e beijavam.




Apesar de querer saber muitas coisas sobre Nick, tanto Ceci quanto ele, pareciam mais interessados e necessitados em trocar beijos e caricias.


Última edição por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:24 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Rosebud em Sab Jan 07, 2017 12:24 pm

Embora estivesse longe de possuir o típico perfil de um garoto riquinho e popular, Dominic tinha uma certa fama com as garotas. A vida simples que ele levava era um defeito que as meninas costumavam deixar de lado quando se concentravam nos traços bonitos, na personalidade dócil e naquele sorrisinho torto desconcertante.
 
Apesar de já ter tido vários encontros com muitos tipos diferentes de garotas, Sullivan não conseguia parar de pensar no quanto Cecile era diferente. Ela era inegavelmente bonita e atraente, mas a sintonia ia muito além dos agradáveis atributos físicos dela. Ceci era divertida e conseguia aquecer o peito do rapaz com um simples sorriso. Nick podia passar o resto da vida ouvindo a voz doce dela sem enjoar.
 
O beijo também era especial. Não houve entre eles a típica confusão que costumava ocorrer num primeiro beijo, era como se os dois já conhecessem aquele ritmo e soubessem qual movimento deveriam fazer com os lábios e as línguas. Cecile conseguia ser doce e ousada ao mesmo tempo, e aquilo era algo que encantava Dominic.
 
Por mais que Nick quisesse aproveitar cada segundo ao lado dela, o tempo passou rápido demais. Quando os dois saíram da hamburgueria de mãos dadas, o céu já exibia a aparência de um manto escuro salpicado por estrelas. A noite em Los Angeles era muito bonita naquela época do ano, mas Cecile já havia mencionado que não queria ficar até tarde na rua. Por isso, Nick foi compreensivo quando a menina sugeriu que eles parassem um táxi para levá-la de volta ao hotel.
 
Como o hotel onde Cecile e Ashley estavam hospedadas ficava próximo a uma das principais estações da cidade, Nick fez questão de acompanhá-la. A ideia era deixar Ceci na porta do hotel e atravessar a avenida para pegar o ônibus que o levaria para casa, num bairro um pouco mais periférico da cidade.
 
Enquanto Ceci passava o endereço para o motorista, Dominic tirou o celular do bolso. Embora estivesse se divertindo e adorando a companhia da garota, Nick continuava preocupado com o desmaio da mãe naquela tarde.
 
“Oi, está tudo bem? Está sentindo alguma coisa?”
 
A mensagem foi enviada e os olhos azulados se mantiveram fixos na tela. Foi um grande alívio quando o aparelho vibrou poucos segundos depois, trazendo a resposta da Sra. Sullivan.
 
“Estou ótima. Eu já disse, foi só uma tontura por causa da dieta. Já está voltando, quer que eu guarde o seu jantar?”
 
“Não precisa, eu já comi. Logo logo chego, ainda estou no centro.”
 
O emotion sorridente enviado pela mãe do rapaz finalizou aquela breve conversa e deu um pouco mais de tranquilidade para Dominic. Os dois jovens trocaram mais alguns beijos comportados dentro do táxi, mas em poucos minutos o carro já estacionava em frente ao hotel onde Cecile estava hospedada.
 
Nick não havia mentido para a mãe, ele realmente planejava se despedir da menina na porta do hotel e caminhar até a estação. O que Sullivan não calculou foi que aquele beijo de despedida se alongaria e intensificaria até que ele fosse puxado para o quarto ocupado por Cecile.
 
Em meio a beijos e abraços, os dois jovens cambalearam até o elevador. Por sorte, a cabine estava vazia e não havia nenhuma testemunha para assistir as carícias ficando gradativamente mais ousadas. Cecile teve um pouco de dificuldade em achar a chave do quarto na bolsa e destrancar a porta, mas qualquer menina teria problemas para se concentrar naqueles gestos simples com os lábios de Nick brincando de forma atrevida em seu pescoço.
 
- Heeeey, como foi com o... – Ashley se calou subitamente quando o rapaz entrou logo depois da amiga – Nick Sullivan! Hey!
 
- Hey, Ash. Posso responder por ela? – Nick abriu um dos sorrisinhos tortos – Está sendo fantástico.
 
- Estou vendo.
 
Ashley soltou um risinho malicioso e pausou o filme que assistia antes de se virar para a amiga. As duas dividiam um quarto espaçoso no hotel. As duas camas ficavam no mesmo quarto, mas também havia um banheiro e uma pequena sala onde a menina estava agora assistindo televisão.
 
Como de costume, Ashley foi direto ao ponto sem nenhum tipo de rodeio quando lançou aquela pergunta na direção de Cecile.
 
- Você manda. Quer que eu vá para o quarto e vocês ficam aqui, querem que eu fique aqui e vocês vão para o quarto...? Eu já estou de pijamas e não tô afim de sair sozinha por aí, mas meu fone de ouvido é ótimo, 100% de bloqueio de ruídos externos, vocês podem ficar à vontade.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Cecile L. em Sab Jan 07, 2017 12:50 pm

Cecile nunca tinha imaginado que se atreveria a tamanha intimidade no primeiro encontro – tampouco dissera alguma vez que nunca o faria. Fato era que ela mesma se surpreendeu com suas atitudes. Eram reações que ela não esperava ter, mas que Nick havia despertado nela. 




Apesar de ser de uma cidade consideravelmente menor, Cecile era uma jovem moderna, que não se prendia a conceitos ultrapassados para as mulheres. Aquela seria a sua primeira vez, mas ela não estava muito preocupada com isso. Não era como se fosse virgem por vocação - era uma opção, mas que talvez estivesse guardada para este momento. 




Porque nunca antes tinha sentido tanto desejo e atração por alguém. 




Nick não havia feito nenhuma promessa em retorno, mas isso também não importava. Ela queria, ele queria, os dois queriam! Isso bastava.




O sorriso travesso dela foi interrompido quando ela se deparou com Ashe na sala de estar do quarto. As bochechas dela coraram na mesma hora e ela ficou completamente sem jeito diante do diálogo dos dois. Após dar as duas opções para ela, Ashe ficou em silêncio, observando. O sorriso dela aumentou quase virando uma risada, mas Ceci tomou uma postura.




Fique na sala, se não for muito incomodo. E se seus fones não foram o suficiente, não se preocupe, eu boto uma musica no quarto.  




Noossa... 




Cecile deu uma risada, escondendo os lábios e puxou Nick pelo pulso, na direção do quarto. Era melhor ir logo antes que se arrependesse.




Antes, ela catou o travesseiro e um cobertor para Ashe pedindo para que Nick esperasse um instante. Quando voltou na sala, entregou os acessórios para a amiga. Ashe se deu conta de uma coisa e segurou o pulso de Ceci.




Ei, vai com calma, hm? Não esqueça de...sabe...usar camisinha.  




Voce fala como se fosse muito experiente. 




Não sou, mas eu estudo. 




As duas cochichavam baixinho.




E obvio, não precisa nem pedir, eu guardarei esse segredo com minha vida. 




Obrigada... 




Mas não esqueça que temos que embarcar às 10h. 




O papo foi rápido e sussurrado até que Ceci retornou para o quarto.




Quando chegou, Nick já tinha juntado as duas camas e parecia ter mexido um pouco na luz também. Ceci pigarreou suavemente e fechou a porta do quarto. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Nick eliminou a distancia que separava os dois e a beijou intensamente – um beijo com desejo e ternura. 




Se havia algum resquício de duvida na mente da jovem, simplesmente tinha ido embora.




Os ombros de Ceci caíram e ela largou a maçaneta enquanto os dois seguiam até a cama. Nick caiu por cima de Ceci, mas não parou de beijá-la. 




Apesar de não saber muito bem o que fazer, ela foi seguindo os instintos e os comandos que ele deixava implicito. Eles não foram tão afobados quanto dois adolescentes deveriam ser, talvez, para eternizar o momento – agora que estavam juntos, não precisavam mais correr como correram o dia todo. 





Nick puxou Ceci para se sentar enquanto as blusas eram eliminadas. E cada vez que uma peça caía, os dois se beijavam de novo. Os lábios chegavam a inchar de tanto que se encontrarem naquele dia. Nick a tocava de um modo que ela nunca tinha experimentado antes e não podia ter pedido por alguém melhor.  





Quando se deitaram, afundaram um pouco mais no colchão, mergulhando naquele momento tão deles. 
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Dominic S. em Sab Jan 07, 2017 3:18 pm

Ao contrário do que se esperava de um adolescente afoito, Dominic não teve pressa. Suas mãos firmes deslizaram pelo corpo da garota demoradamente enquanto cada uma das peças de roupas de Cecile eram descartadas para o chão do quarto. Sempre que uma nova área de pele era exposta, os lábios dele se encaixavam na região, formando uma trilha de beijos pelo corpo macio da menina.

Quando saiu de cada naquela tarde para se encontrar com Cecile, Sullivan também não imaginava que terminaria a noite na cama dela. Tudo o que ele queria era passar algumas horas agradáveis com a garota, experimentar o sabor dos lábios dela e, com sorte, dar o primeiro passo para um relacionamento menos informal.

Mas o encontro evoluiu de forma tão natural que, naquele momento, não parecia que os dois estavam sendo apressados ou precipitados. Ambos queriam que aquela noite terminasse assim, eram jovens, livres e começavam a gostar de verdade um do outro.

As luzes do quarto tinham sido apagadas para dar um maior ar de romantismo ao ambiente, mas o abajur aceso fornecia a iluminação que Dominic precisava para admirar o corpo de Cecile. Quando a última peça da menina foi atirada para o chão, os olhos de Sullivan deslizaram com uma expressão admirada pelo corpo dela. Embora fosse magra – uma exigência para o seu trabalho como bailarina – Cecile tinha curvas perfeitas nos lugares certos.

O corpo que Cecile tinha ao alcance de suas mãos também era admirável. Dominic não tinha o físico de um grande atleta, mas exibia músculos definidos no peito, nas pernas e nos braços. A barriga era reta e uma fina camada de pelos descia pela linha média do abdome do rapaz. Suas costas eram largas e os braços compridos pareciam ter o tamanho ideal para acomodarem Cecile em um abraço.

Mesmo depois que ambos já estavam despidos, Nick não foi apressado. As carícias se tornaram mais íntimas enquanto as respirações ofegantes já ecoavam pelo quarto do hotel.

Cecile parecia tão à vontade com os toques do rapaz que Dominic não notou de imediato a inexperiência dela. Aquele detalhe só se tornou evidente quando o rapaz chegou ao seu limite com as preliminares e fez uma pausa para pegar o preservativo colocado sobre o criado-mudo.

A tensão ficou evidente na expressão de Cecile e Nick mostrou que era um bom observador ao notar aquele detalhe mesmo imerso na excitação daquele instante. Os olhos dele se arregalaram um pouco quando sua mente chegou à hipótese mais óbvia para aquela situação.

A voz já rouca só tornava Sullivan ainda mais atraente quando ele sussurrou para a menina.

- Está tudo bem, Ceci...? Você tem certeza?
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Cecile L. em Dom Jan 08, 2017 1:34 pm

Cecile estava completamente entregue aquele momento. Nem ao menos se lembrava que estava no quarto de um hotel de Los Angeles e que sua melhor amiga de infancia se encontrava num ambiente ao lado. Naquela noite, tudo o que importava era Nick, o rapaz desconhecido, mas que agora a conhecia melhor do que qualquer um.

Os beijos e as carícias iniciados pelo rapaz fizeram Ceci relaxar de um modo único. Parecia que já tinha passado por aquilo antes e que reconhecia cada toque, cada suspiro e olhar do rapaz. Não era um corpo estranho interagindo com o dela, de modo algum. Se fechasse os olhos - como fechou, algumas vezes - podia sentir que eles eram um só há muito tempo.

E olha que ela nem era do time das românticas.

O único momento de hesitação foi, ironicamente, quando ele se afastou para colocar a camisinha. Foi ali que Cecile entendeu o que estava acontecendo. Estava deitada na cama de casal que as duas de solteiro formavam. As roupas foram eliminadas e jogadas pelo chão. Praticamente cada centimetro de seu corpo foi beijado e acariciado por Nick, de modo que, mesmo nua, ela ja se sentia coberta por ele.

Mas...agora sim...estava para acontecer...

Suas bochechas coraram, evidenciando ainda mais as sardas dela. Só voltou a respirar ao ouvir a voz rouca dele sussurrada perto dela. Nick era atraente, confiante e, além de tudo, gentil. Os olhos azuis voltaram-se para os dele e Ceci teve certeza que, se ela dissesse não, ele pararia na mesma hora.

Isso a motivou ainda mais para dizer sim.

Ela tinha certeza.

- Apenas me beije, Nick. Acho que já passou muito tempo desde o último.

Murmurou e sorriu enquanto acariciava o rosto dele. Encaixou a mão em seu rosto e foi caindo, deitando-se novamente com ele por cima. Os lábios começaram o encaixe que terminou com o encaixe dos corpos.

Ceci se retraiu um pouco, chegando a sentir dor, mas o beijo a relaxava.

Sem saber o que fazer no inicio e ainda sob efeito daquela dor inicial, ela deixou que o rapaz tomasse controle da situação. Até que, sem perceber, ela logo começou a participar do dueto, como se estivesse se empolgando com o que acontecia.

Era bom mesmo que os fones de Ashe fossem 100% anti-ruido, porque foi impossivel para Ceci segurar alguns suspiros e gemidos.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Dominic S. em Dom Jan 08, 2017 4:31 pm

Em respeito à inexperiência da garota, Dominic foi extremamente cuidadoso no princípio. Suas necessidades foram deixadas de lado e o rapaz se obrigou a manter a excitação sob controle para minimizar ao máximo o desconforto que Cecile sentiria. Era impossível poupá-la de toda a dor, mas Sullivan fez questão de garantir que ela não sofresse nenhum incômodo além do inevitável.

Ao perceber que os beijos a relaxavam, Nick uniu seus lábios aos dela de forma apaixonada enquanto ultrapassava os limites da resistência da menina. Na situação em que estavam, já era de se esperar que o beijo fosse mais atrevido e lascivo. Mas ainda assim Dominic era capaz de dosar com perfeição o carinho que Cecile precisava para se sentir mais à vontade naquele momento inédito em sua vida.

Sullivan só relaxou por completo quando percebeu que Cecile começava a participar mais ativamente da relação. No começo, a menina ficou tensa e visivelmente perdida, mas passados alguns minutos era evidente que Cecile começava a descobrir que havia algo além da dorzinha inicial.

Os suspiros e gemidos da garota arrancavam arrepios de Nick, mas ele estava concentrado na própria satisfação para que aquele momento se alongasse ainda mais. Suas mãos deslizavam suavemente pelo corpo quente de Cecile, acariciando cada uma das curvas perfeitas enquanto os corpos se moviam em uma sintonia invejável.

Os toques e beijos se tornavam mais quentes e ousados a cada minuto. Aquela não era a primeira vez de Dominic, mas a verdade era que o rapaz não tivera tantas experiências antes de tomar Cecile em seus braços. Ainda assim, Sullivan não tinha dúvidas de que não experimentaria aquela sintonia perfeita mesmo se a procurasse em milhares de garotas. Ceci era única, e agora era dele.

Nick até tentou ser discreto no começo, mas Cecile fez com que o rapaz perdesse a cabeça no final da relação. Os suspiros e gemidos mais graves dele se misturaram à voz suave da moça e ecoaram pelo quarto no instante em que os dois intensificaram a movimentação. Nenhum dos dois parecia se importar se Ashley escutaria os ruídos do outro lado da porta, aliás era provável que nem Ceci e nem Nick se lembrassem da existência da outra menina naquele instante.

O corpo de Dominic parecia febril e estava salpicado de suor quando ele finalmente desabou ao lado da garota, exausto, mas profundamente satisfeito. O peito dele subia e descia em uma respiração ofegante quando Sullivan puxou Cecile para os seus braços, acomodando o corpo delicado da bailarina junto ao seu peito firme.

A falta de fôlego não permitiu que Nick falasse nada nos primeiros minutos, mas a verdade é que nenhuma palavra precisava ser dita. Bastava que os dois continuassem se encarando com aqueles sorrisos cúmplices de satisfação.

Quando finalmente recuperou o controle do próprio corpo, Dominic levou as duas mãos até o rosto delicado de Cecile e o segurou com carinho enquanto pousava mais um beijo nos lábios inchados da menina. A voz dele estava ainda mais rouca depois daqueles momentos íntimos, mas aquele detalhe só contribuía para que Nick ficasse ainda mais atraente.

- Eu não sei de onde você saiu, Ceci. Só sei que não quero mais te perder de vista. Hoje foi o melhor dia da minha vida.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Cecile L. em Sab Jan 14, 2017 6:02 pm

Cecile nunca tinha experimentado algo assim em toda sua vida, nem mesmo no ballet. Pela primeira vez, ela se sentia completa de verdade e agora que tudo tinha chegado ao fim, havia um vazio estranho, que ela gostaria que Nick preenchesse novamente. Não apenas fisicamente falando - até porque, ela estava mais do que satisfeita e, também, precisavam recuperar o fôlego.

Mas a conexão que eles tinham criado, foi algo que transcendeu. Era uma melodia que não precisou de nenhum instrumento para ser composta. Uma musica que apenas eles podiam ouvir, cujos passos foram coreografados pelo que sentiam. E apenas isso bastava.

Ceci estava com as bochechas bastante vermelhas e as sardas mais evidentes por conta do esforço. Virou-se durante o abraço, deitando a cabeça no ombro de Nick e deixou a mão deslizando pelo peito dele. Quando o coração começou a retomar as batidas corretas, os dois se encararam e selaram mais um beijo.

Os olhos dela continuaram fechados, como se não quisesse acordar daquele sonho. Era bom demais e não queria retornar para a realidade, pois tinha receio de que Nick não existisse lá.

No entanto, a voz de Nick precisava ser atendida. Era uma voz gostosa, que arrepiava e provocava aquele calorzinho dormente nela. Abriu os olhos de novo e sorriu com a indagação dele.

- Pois eu sei de onde você saiu...

Disse de modo misterioso e subiu um pouco para poder encará-lo de perto.

- Do sonho mais perfeito que eu ja tive. - Roubou um selinho dele, mordiscando o lábio inferior - E você nunca vai me perder de vista. Amanhã eu volto pra casa, mas não vamos perder contato. Podemos nos ver antes do natal ou do ano novo. Você pode ir me ver ou eu dou um jeito de voltar...

Pegou a mão dele e depositou um beijo.

- Esse foi só o primeiro dos melhores dias de nossas vidas...Porque agora que encontrei você, não tem como a vida ser ruim.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Dominic S. em Sab Jan 14, 2017 7:19 pm

Não foi fácil se despedir de Cecile na manhã seguinte, mas Dominic sabia que uma hora aquele sonho chegaria ao fim. Os dois tinham vidas separadas, viviam em cidades diferentes e tinham que assumir suas respectivas responsabilidades. O único consolo do rapaz era a promessa de que, apesar das dificuldades, os dois se esforçariam para ficar juntos.

No começo não ia ser fácil, Sullivan sabia disso. Eles dependeriam dos celulares e da internet e teriam que se contentar com visitas rápidas nos finais de semana e eventuais folgas. Mas o rapaz tinha esperança de que as coisas se acertariam no passar dos meses. Nick preferia que Cecile se mudasse para Los Angeles, mas não descartava a possibilidade de ir para Sacramento. Tudo dependeria de Ceci arrumar um estágio ou de Nick conseguir um bom emprego em outra cidade.

Nos primeiros dias após a despedida apaixonada no hotel, a promessa foi cumprida pelos dois jovens. Eles ficavam horas pendurados no celular, trocavam centenas de mensagens por dia e faziam mil planos para o próximo encontro. Desta vez, Sullivan havia se comprometido a passar um fim de semana em Sacramento, mas infelizmente só teria folga na última semana do mês já que sua escala no trabalho se alternava com as aulas e a semana de provas finais do colégio. Por mais que sentisse falta da namorada – porque era assim que ele agora enxergava Ceci – Nick sabia que seu futuro dependia de um bom desempenho no colégio e uma boa faculdade em seu currículo.

O único e inesquecível encontro com Cecile já completava três semanas quando a vida de Sullivan foi virada de pernas para o ar. Ao acordar em uma quinta-feira comum, ainda sonolento, Dominic se deparou com o corpo da mãe caído no meio da cozinha. O coração do rapaz falhou uma batida e seu grito ficou preso na garganta.

Com a mão trêmula e gelada, Nick encontrou o pulso no pescoço da Sra. Sullivan, indicando que ela estava inconsciente, mas continuava viva. Uma ambulância foi chamada às pressas e o rapaz ficou tantas horas sem notícias no saguão do hospital público que se surpreendeu quando o médico o cumprimentou com um “boa noite” antes de lhe contar as novidades.

- Ela está bem. Já acordou, fizemos alguns exames em busca da explicação para tantos desmaios e...

- Foram dois desmaios. – Nick interrompeu o discurso do médico, aflito – Só dois.

O médico pareceu muito sem graça, mas era a sua obrigação alertar o filho sobre o verdadeiro estado de saúde da Sra. Sullivan.

- Ela nos disse que já perdeu a consciência muitas vezes, mais de dez pelo menos. Imagino que você só presenciou dois episódios.

Dominic sentiu o chão se abrir sob os seus pés. Seu estômago se embrulhou enquanto o rapaz se perguntava porque a mãe mentiria sobre algo tão grave.

- Desmaios, surtos repentinos de fraqueza nas pernas, formigamentos nas pontas dos dedos... – o médico fez uma pausa antes de concluir – Tudo isso pode ser explicado por uma massa que encontramos na tomografia do crânio.

- Massa? – Nick tentou negar o óbvio – Que massa? O que isso significa???

- Só uma biópsia pode nos dar o diagnóstico exato, mas provavelmente é câncer.

Foi a vez de Nick perder as forças nas pernas e desabar sobre uma das cadeiras da recepção. Com apenas dezessete anos, ele não estava preparado para ouvir que a mãe tinha uma doença grave. Os dois sempre estavam juntos, Dominic estava acostumado a vê-la como uma mulher guerreira que criara um filho sozinha, sem precisar da ajuda de um ex-namorado que não quisera o bebê. Era inédito pensar na Sra. Sullivan como uma paciente frágil, na fila da condenação.

- E o tratamento? – o rapaz finalmente teve forças para encarar o médico novamente – Quando vai começar o tratamento?

- Precisamos da biópsia para sabermos que tipo de tumor, cada um responde de uma maneira distinta às opções de tratamento. Mas seja como for, será um processo longo. – o homem ficou sem graça, mas era obrigado a tocar naquele assunto – E caro. Ela me disse que não tem um plano de saúde.

O rapaz afundou ainda mais na cadeira, sentindo-se um lixo com a ideia de que a mãe poderia morrer porque os dois nunca tiveram condições para pagar um bom plano de saúde. Nick pretendia fazer aquilo assim que conseguisse quitar algumas dívidas com seu modesto salário na cafeteria, mas agora já era tarde demais.

- Faça o que for preciso, doutor. Eu vou dar um jeito.

- Eu realmente lamento muito, mas você tem dezessete anos. – o médico explicou ao notar o olhar confuso do rapaz – É menor de idade. Não pode assumir a responsabilidade pelo tratamento e pela internação.

- Eu tenho um emprego!!! – Nick se defendeu, claramente ofendido – É informal, mas eu recebo um salário.

- São as regras do hospital, eu sinto muito. Se nenhum adulto assumir a responsabilidade pelos gastos da internação, teremos que liberá-la e inscrevê-la em uma fila para aguardar um tratamento gratuito. As cotas do governo estão lotadas, mas algumas ONGs eventualmente ajudam no andamento da fila.

- Eu vou dar um jeito. Por favor! – os olhos de Nick se encheram de lágrimas – Me dê um prazo. Eu vou encontrar alguém para assinar o termo de responsabilidade!

Quando saiu do hospital naquela noite, Dominic não sabia a quem recorrer. Seus avós já tinham falecido, ele só tinha um tio que morava no Kansas e não mandava notícias há anos. Os Sullivan tinham alguns amigos e bons vizinhos, mas nenhuma daquelas relações era íntima o suficiente para que Nick se sentisse à vontade para um pedido tão sério.

Completamente desamparado, Dominic tirou o celular do bolso pela primeira vez naquele dia. O rapaz imaginou que encontraria dezenas de mensagens da namorada, mas não havia nenhum sinal de Ceci.

Uma ruguinha de confusão surgiu entre os olhos de Sullivan. Mesmo quando Cecile estava muito ocupada, ela sempre arrumava um tempo para mandar um oi. O Whatsapp indicava que a garota havia ficado online pela última vez há várias horas, mas ainda assim Nick se arriscou em uma tentativa de ligar para ela.

Fora de área. Dominic ligou mais três vezes enquanto ia para casa, mas o número de Cecile permaneceu indisponível. O “Ceci?” enviado pelo whatsapp ganhou somente uma setinha, indicando que a mensagem havia sido enviada, mas não chegara ao outro aparelho.

O sumiço de Cecile era estranho e preocupante, mas a cabeça de Nick ainda vivia um pesadelo particular com a situação da mãe. Por isso, o rapaz se convenceu de que a namorada provavelmente passara o dia fora de casa e ficara sem bateria. A mensagem de voz foi gravada e enviada para o número da menina para que Cecile ouvisse assim que ligasse novamente o aparelho.

Oi, sou eu. Você sumiu, está tudo bem? Eu preciso muito falar com você, Ceci, me liga assim que ouvir esta mensagem, independente da hora que for.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Cecile L. em Seg Jan 23, 2017 12:22 pm

Era a primeira vez que Cecile tinha um relacionamento daquele jeito, à distância. Já tinham três semanas que seus hábitos tinham mudado e ela passava as horas vagas completamente focada em longas conversas com o seu namorado via whatsapp ou skype.

No entanto, algo ainda a incomodava um pouco: não tinha conseguido contar para seus pais a respeito de Nick, tampouco o encontrara nas redes sociais. Ela não era viciada nisso, apenas em instagram e, eventualmente, twitter, mas achou muito estranho quando não encontrou o nome "Nick" ou "Nicholas" nas mídias sociais.

Uma pulguinha surgiu atrás de sua orelha, mas ela também ficou com vergonha de perguntar a ele sobre isso. Não queria pressionar ou coisa do tipo logo de cara. Talvez quando ele fosse pessoalmente até Sacramento, no fim do mês, ela conseguisse encontrar uma brecha para perguntar sobre isso e, finalmente, se adicionarem.

Quando comentou sobre isso com Ashe, a amiga imediatamente fez uma cara feia. Não dava para confiar em pessoas que não usavam as midias sociais. Isso significava que se escondiam ou escondiam alguma coisa.

Claro que Ashe quis amenizar a situação logo em seguida ao perceber que sua amiga tinha ficado triste com o comentário.

Escolher o último fim de semana do mês para promover o encontro se provou satisfatório porque, até lá, ela ja teria conseguido conversar com seus pais. Seus pais e a irmã mais velha estavam em viagem pela Europa. Tinha surgido uma serie de eventos entre Paris e Zurique, com pessoas importantes e influentes que eram amigos da família. Seriam duas semanas e meia por lá, de modo que estavam retornando no último fim de semana.

Cecile e sua irmã mais nova, Fleur, não puderam ir pois estavam atarefadas com as provas e aulas. Além disso, existiam eventos na propria cidade que elas precisavam representar a familia, de certo modo.

Contudo, as atitudes de Cecile ja estavam levantando suspeitas de Fleur. A irmã mais nova estava achando muito estranho o comportamento dela. Agora Ceci vivia grudada em seu celular e de sorrisos ou conversas secretas. Sempre que se interessava em perguntar o que estava acontecendo, a irmã desconversava e mudava o foco.

Com certeza contaria aquilo para os pais. Talvez assim, a imagem de Ceci sofresse uma queda diante de sua família.

Naquela tarde, seria realizado um brunch na Mansão dos Zummach. Eles realizariam um evento beneficente em prol de atletas para-olímpicos. A iniciativa era de Isaac Bryant, primo-sobrinho do patriarca da família Zummach. Durante o brunch, varios atletas entrariam em contato com pessoas influentes que poderiam patrociná-los.

Cecile e Fleur foram para prestigiar a família.

Cecile, no entanto, começou a se sentir um pouco mal logo no inicio do evento. Só teve tempo de cumprimentar a todos e trocar um olá com Trevor. Fleur quase teve uma crise nervosa quando a irmã disse que iria embora. Como estavam na casa de amigos, Ceci perguntou se Trevor não poderia levar sua irmã depois. Apesar de um pouco incomodado, ele aceitou o pedido.

E Cecile retornou sozinha.

Ainda se sentia em condições de dirigir, ainda mais a curta distancia que a separava de casa.

Contudo, durante uma forte tontura, somado à pista escorregadia graças a neve da última noite, Cecile perdeu o controle do volante e capotou.

Seu último pensamento antes de desmaiar foi em Nick. Seu coração falhou uma batida e os olhos se fecharam.

Dois dias depois, ela acordou na cama de um hospital.

Sua mãe estava ao seu lado. Estava abatida e sem maquiagem, mas imensamente grata quando sua menina acordou.

- Graças a Deus! Graças a Deus você voltou!!

- M...mãe...? O que...?

- Shhh shhh, não diga nada! Você está aqui, Ceci. É só isso que importa, meu amor.

Deu um beijo na mão da filha e a encarou cheia de lágrimas.

- Nada do que é material importa. O carro, o seguro paga e seus documentos, faremos de novo. Você era tudo o que importava...

- O que...aconteceu...?

- Você perdeu a direção do volante à caminho de casa e capotou. Fleur me disse que você não estava se sentindo bem antes de sair. Por que foi pegar o carro???

- Eu...não...pensei... - Fechou os olhos e levou a mão até a cabeça. - Minha cabeça dói...

- Você sofreu uma concussão e só Deus sabe como você está inteira, sem maiores danos! O carro deu perda total. Pegou fogo depois que conseguiram te tirar de lá. Cecile...Você...Podia ter morrido, minha filha. Não faça algo assim de novo, por favor! Por tudo o que há de mais sagrado.

- Me desculpa, mamãe...Eu não pensei nos riscos...

O queixo começou a tremer e as duas se abraçaram.

Enquanto abraçava sua mãe, ela pensou, novamente, naquele nome.

Nick...

Como ele estaria agora?

Como...conseguiria avisar o que tinha acontecido? Não se lembrava nem do numero dela, quem dirá do numero dele...

Talvez se ela recuperasse seus dados e usasse a senha...

Que senha?

Não...conseguia se lembrar.

O coração disparou de novo e ela fechou os olhos, orando aos céus para que encontrasse uma solução.
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Re: Prólogo ~ Seis Meses Atrás

Mensagem por Dominic S. em Sex Jan 27, 2017 6:06 pm

As semanas que se seguiram à internação da Sra. Sullivan foram como um pesadelo sem fim para Dominic. A conta no hospital ficava mais absurdamente cara a cada dia de internação e a cada procedimento ao qual a paciente era submetida. A biópsia cerebral foi realizada no fim daquele mês e, quando o laudo apontou uma neoplasia maligna, Nick soube que não teria condições de arcar com os custos altos de um tratamento oncológico.

O salário na cafeteria era baixo, e como Dominic não aparecia para trabalhar há vários dias certamente a Sra. Lookwood já teria contratado outro ajudante mais responsável para o cargo. Aos dezessete anos e sem nenhuma experiência, Nick sabia que não encontraria nenhum trabalho que pudesse pagar pelos gastos que estavam por vir. As economias dos Sullivan se resumiam a um cofrinho onde eventualmente alguma nota baixa era enfiada e o valor que Nick encontrou ali não daria para pagar nem mesmo uma das diárias do hospital.

Para completar aquele pesadelo, Cecile tinha desaparecido. Dominic já tinha perdido as contas de quantas mensagens enviara para a namorada, de quantas ligações foram encaminhadas para o correio de voz. Muitas semanas tinham se passado sem que Ceci mandasse nenhum sinal, sem que respondesse nenhuma mensagem.

No começo, Nick ficou angustiado com a possibilidade de ter acontecido alguma coisa mais séria com Cecile. Mas o passar dos dias fez com que o rapaz começasse a enxergar as coisas por outro ângulo. Se alguma tragédia tivesse acontecido, algum parente ou amigo teria se encarregado de avisar os contatos de Cecile. E, definitivamente, as milhares de mensagens enviadas para Dominic colocariam o rapaz naquela lista de pessoas a serem comunicadas sobre o ocorrido.

Com um gosto amargo na garganta, Dominic se convenceu de que aquele vácuo era um sinal de que o número dele fora bloqueado por Cecile. Talvez a garota se deu conta de que aquela “aventura” fora um erro e preferiu se afastar de forma covarde, sem abrir o jogo com Sullivan.

É claro que aquela ideia deixava Nick arrasado visto que ele gostava de verdade de Cecile, mas o rapaz não tinha tempo para digerir aquele fora. Com a mãe definhando em uma cama e esperando por um tratamento gratuito em uma fila gigantesca de pacientes terminais, Dominic não tinha o direito de perder tempo sofrendo por amor.

- Eu quero saber o nome dele, mãe.

O pedido de Nick soou sério e os olhos azuis fitaram a mãe com firmeza. A Sra. Sullivan estava vivendo um raro dia bom desde o diagnóstico, mas mesmo sem as dores a mulher parecia abatida na cama. A expressão confusa dela foi sincera quando seus olhos buscaram pelo rosto do rapaz.

- De quem está falando, querido?

- Do meu pai.

O clima pesou imediatamente e os ombros da Sra. Sullivan ficaram mais tensos. Quando era pequeno, Dominic fazia perguntas vagas sobre o pai, mas nunca mais havia tocado naquele assunto desde que entendera que o ex-namorado da mãe a abandonara porque não queria um bebê. Era surpreendente que aquele assunto voltasse à tona depois de tantos anos adormecido.

- Por que isso agora, Dominic? – a mulher se colocou na defensiva e afastou os olhos para a televisão ligada, embora fosse incapaz de se concentrar no filme que assistia antes da interrupção do rapaz – Você nunca quis saber.

- Ele nunca fez falta. Mas agora precisamos dele.

O semblante da Sra. Sullivan se tornou surpreso, depois foi adquirindo traços ofendidos. A entonação dela também deixava claro que a mulher se sentia insultada com aquela ideia.

- Ele é a última pessoa do universo de quem eu aceitaria ajuda! Esqueça isso, Dominic. Eu já estou na fila. Um dia este tratamento vai sair.

Dominic sabia que a mãe era um poço de orgulho e nunca concordaria em receber ajuda do ex-namorado. De nada adiantaria usar aquilo como argumento, mas Nick tinha uma carta muito mais poderosa na manga e não hesitaria em usá-la. Cada uma daquelas palavras provocava uma dor aguda no rapaz, mas ele sabia que era necessário dizer aquilo.

- Eu tenho dezessete anos. Até os vinte e um, preciso de alguém que se responsabilize por mim. Eu só tenho você, mãe. Se eu te perder, serei encaminhado para alguma instituição e terei um assistente social abusivo como a minha sombra.

O rosto da Sra. Sullivan ficou ainda mais pálido quando o filho abriu o jogo daquela maneira tão direta. O medo de morrer se tornou ainda mais sufocante quando ela imaginou Dominic sozinho no mundo, sendo perseguido por assistentes sociais ou trancafiado em uma instituição até que completasse a maioridade.

- Eu não desisti, mãe. Vamos lutar juntos. Mas também temos que pensar de forma racional. Eu não quero nada deste sujeito, só uma maldita assinatura que vai evitar que eu me afunde neste buraco.

A grande verdade era que Dominic queria saber o nome do pai para exigir a ajuda dele. Pelos poucos comentários que ouvira ao longo da infância, Nick tinha motivos para acreditar que o ex-namorado da mãe era rico. O homem nunca dera um centavo de pensão para o filho, mas Dominic pretendia desfazer aquela injustiça exigindo que o pai bancasse o tratamento da Sra. Sullivan. Ela não precisava saber, mas Nick tinha que tentar. Era a sua última jogada desesperada para salvar a vida da mãe.

- Eu vou te contar, então...

Irracionalmente, o coração de Nick deu um salto dentro do peito enquanto ele ouvia pela primeira vez o nome do pai biológico e a verdadeira história que havia culminado com o seu nascimento.
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